Publicado em 05/10/2018 ás 10h27

Artigo: #preconceitonão

Manifestações em Ourinhos mostram o quanto é impossível aceitarem opiniões contrárias
Creditos: Arquivo Jornal Negocião

Gustavo Gomes

No sábado, 29 de setembro, em diversas cidades do Brasil, houve manifestações pró e contra um dos 13 candidatos à Presidência do Brasil.

O cara conseguiu movimentar muita gente. Não há muita gente indiferente a ele. Ou são muito favoráveis (atualmente somam 32%) ou são radicalmente contra (passam de 45%).

Como ele conseguiu ser esse “mito” e “anticristo”? Falando. Apenas se manifestando. Seus discursos são simplistas, chulos, rasteiros e imediatistas. Muito preconceituosos.

Isso, ao mesmo tempo que ofende muita gente, também cativa muitos humanos, que estão cansados de fazer de conta que não têm preconceitos, que não curtem ser machistas e que aceitam, sem problemas as diferenças.

Enfim, ele mexe com o instintivo. Seu discurso tem zero de empatia. Ele se acredita maioria e, portanto, acha que a democracia é a vitória da maioria. E que as minorias desapareçam.

Mas não existem maiorias absolutas. Ele é branco. Numericamente, ele é minoria. Negros e Pardos são maioria no Brasil. Ele é Homem. Numericamente, mulheres são maioria. Mas as “maiorias” não se trata de números, mas de poder. Ele diz que é hetero. Isso é maioria.... 

As manifestações, em Ourinhos, ocorreram quase ao mesmo tempo. A “pró” foi carreata. A “contra” foi passeata. Não dá para comparar tamanho, pois a primeira tinha um ou dois em uma “armadura motorizada” ocupando cerca de 15 metros quadrados. A segunda tinha 3 pessoas por metro quadrado.

Este jornal noticiou as duas e apresentou um vídeo de uma manifestação cultural que aconteceu no início da segunda. Uma professora de Teatro reuniu as pessoas em uma roda e, junto, dançaram uma ciranda.

O vídeo é lindo. Pessoas de mãos dadas, dançando de forma simples, cantando uma música ancestral e sorrindo abundantemente.

Não havia nenhuma agressividade. Claro que os discursos ao longo da passeata diziam “ele não” e “ele nunca”, informando que as pessoas que ali estavam não queriam votar em um candidato específico, por diversos motivos, mas resumíveis em um só: “preconceitos não são mais aceitos”.

Na manifestação havia mulheres, negros, homossexuais e muitos simpatizantes. “Simpatizante” pode ser entendido como toda pessoa que entende a luta pelos direitos das pessoas diferentes. Isso pode ser entendido como empatia.

O outro lado sofre, principalmente, disto. Falta-lhes empatia. Não conseguem enxergar os diferentes. Ou melhor. Enxergam e se incomodam. Têm medo das diferenças.

E este medo foi personificado em um só ser, que, para simplificar (como sempre), é o motivo e a desculpa para tudo. Chegam ao ponto de reunir todos os adversários em um só balaio ideológico. Não conseguem ir além, pois lhes falta entender o que é ideologia.

E a matéria deste jornal sobre a manifestação, na internet, bombou. Para os dois lados. Mas os comentários contrários deram o tom da conversa. Ira, raiva, violência.

Mostram o quanto é impossível aceitarem opiniões contrárias. Aliás, lhes faltam argumentos. Mas haja impulso. Assim são os instintos primários.

Sobre a ciranda, um comentário “enriqueceu” a discussão: “- Parece primitivo!” Outro: “-É dança da chuva?”

Como já foi dito, cirandas são mesmo primitivas, ancestrais. São cantos de grupos, esperando alguém ou algo da natureza, incentivando a coletividade. Usam-se canções simples e repetidas, e passos circulares também simples. É um momento de alegria, como pretendem ser as pessoas que lutam pela liberdade e pelos direitos.

Nada mais apropriado para aquela manifestação: gente cantando e esperando um momento de luz.

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