sexta, 06 de dezembro de 2019

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Setembro amarelo é o mês dedicado a prevenção ao suicídio

A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre o tema

 

Juliana Neves

 

Durante o mês de setembro, em todo o país, é realizada a campanha Setembro Amarelo, com o objetivo de chamar a atenção da população em geral para o tema suicídio, bem como de maneiras de prevenção.

A campanha foi iniciada em 2015, através da iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, por iniciativa da International Association for Suicide Prevention. A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre o tema e divulgar alertas à população sobre a importância de sua discussão.

A cor amarela foi escolhida nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio. Ele era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como “Mustang Mike”. Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte.

No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “Se você precisar, peça ajuda”. A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a cada um suicídio cinco pessoas próximas do suicida são afetadas emocionalmente. No Brasil são 40 mortes por suicídio a cada 24 horas e o registro é maior entre jovens e adultos.

Perante profissionais da saúde o suicídio é visto como uma última fuga causada pelo excesso de situações vividas no cotidiano, como cobranças da sociedade e exposição nas mídias sociais, isto é, as pessoas precisam provar a todo momento que elas são capazes.

“Quando você começa a não saber mais lidar com a situação, você passa a fugir disso e desenvolve depressão, ansiedade ou outras patologias específicas. Se a pessoa não se trata, a situação piora e ela sente a necessidade de fazer com que isso acabe logo, a dor ou sofrimento, e isso pode levar ao suicídio. Ele não é determinante, mas são quadros que agravam a situação e podem levar ao ato”, explica o psicólogo Andrei de Moraes.

Andrei Moraes, psicólogo e palestrante em Ourinhos.

Segundo o psicólogo, sintomas de pessoas suicidas não existem, mas há sinais que mostram uma tendência ao suicídio. Existem frases que são indicadoras, por exemplo, “não vou mais ver você” ou “não aguento mais”, ou atitudes precoces como fazer um testamento antecipado. “90% das pessoas dão sinais de que não querem este ato de fato, porque é uma fuga, quem se mata não quer matar-se, quer matar a dor, então ele dá vários avisos, pedidos de ajuda”.

Andrei diz que os pacientes que apresentam ideação em relação ao suicídio, são encaminhados pela família para o profissional ou eles mesmo procuram pela ajuda. Desta forma, a terapia é mais focada nesta investigação, para entender se são situações momentâneas ou algo que possa levá-lo à uma tentativa e, assim, buscar a prevenção.

Andrei Moraes ressalta que os profissionais da saúde de Ourinhos estão muito engajados em trabalhos de prevenção ao suicídio por meio de palestras, incentivo a terapias que visam entender e buscar o melhor caminho para se lidar com os sentimentos.

“Eu acho que no geral a sociedade tem que parar de julgar, menos julgamento e mais empatia. Porque cada um tem a sua história, seus ideais, limites, então, cada um pode ser feliz da sua maneira. É realmente acolher e ser gentil com as pessoas”, finaliza o psicólogo.

Na última semana Ourinhos recebeu o Padre Licio Vale, membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, que trouxe a palestra “Suicídio: conhecer para acolher e prevenir”, realizada em três igrejas da cidade.

Padre Licio de Araújo Vale, diocese de São Miguel Paulista e membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.

O religioso afirma que a intenção do evento é levar informações sobre o tema, alertar a população sobre possíveis sinais que podem levar um indivíduo a uma tentativa de tirar a própria vida.

Segundo o padre, ele utiliza sua experiência pessoal para ajudar as pessoas e prevenir fatalidades, pois o seu pai se suicidou quando ele tinha 13 anos de idade, fato que marcou sua vida. “A recepção das pessoas é muito bacana. Elas conseguem entender a partir da palestra, uma série de coisas que não compreendiam e quando elas têm informação qualificada sobre o assunto, torna-se mais fácil ajudar e acolher o outro para a prevenção do suicídio”, conclui o padre.

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