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Expositores e comerciantes revelam como é a vida nos bastidores da Fapi

Rose Pimentel Mader

Quando observamos a Fapi pronta para receber os milhares de visitantes de todas as regiões do Brasil, naturalmente imaginamos o trabalho e a união de esforços que foram necessários para o evento acontecer, mas fazemos isso na condição de espectadores. Neste momento, enxergamos a Fapi dos shows artísticos, do rodeio, das belas exposições, do Parque Diversões, da cavalgada, um lugar aonde vamos com nossas famílias e amigos para nos divertir, ouvir boa música, saborear o delicioso cardápio das entidades, fazer compras, bons negócios e apreciar o que o comércio e a indústria nos oferecem. 

Mas há outro grande e fundamental evento, antes da Fapi acontecer, o trabalho e os desafios dos organizadores, colaboradores, dos setores envolvidos, dos funcionários da Prefeitura e das empresas que vão participar da Fapi. São meses de planejamento e execução de obras, serviços e atividades no recinto do Parque Olavo Ferreira de Sá.

Nesse universo tão diverso de expositores do comércio, da indústria, da pecuária, dos setores de alimentação e entretenimento que vem de várias regiões do país e contribuem para o sucesso da Fapi, há muitos colaboradores anônimos viabilizando a festa, os quais formam uma expressiva classe trabalhadora, como qualquer outra categoria que vive das feiras agropecuárias. A diferença é que o trabalho deles exige o deslocamento e, especialmente, uma rotina de vida bem diferente da convencional que significa, muitas vezes, ficar longe de casa e da família. 

As seis barracas do Krep’s Suisso Pit Stop, por exemplo, instaladas na Fapi, contaram com o trabalho de 16 funcionários, todos de Ponta Grossa (PR), sede da empresa.  Divonei Aparecido do Amaral, de 41 anos, um dos atendentes do Krep’s Suisso, contou um pouco da rotina da equipe. 

Eles participam de várias feiras agropecuárias nos Estados do Paraná e São Paulo, entre as quais Londrina, Maringá, Araçatuba, Valinhos, Vinhedo; trabalham também na Festa da Uva, em rodeios e festas de peões. “É uma classe de trabalhadores normal, a diferença é que exige deslocamento”, afirmou. 

A empresa traz uma carreta dormitório que é dividida para a acomodação de homens e mulheres. Junto à carreta que fica no estacionamento do Parque Olavo Ferreira de Sá, é instalado um refeitório que conta com uma cozinheira para atender a equipe. Além de fazer a comida ela também cuida do uniforme e dos materiais de limpeza das barracas. Uma informação interessante é que todos os produtos para as refeições são adquiridos na própria cidade onde estão trabalhando.

“Trabalhamos em dois funcionários em cada barraca e fazemos um revezamento para as refeições. Normalmente abrimos as barracas e começamos a atender às 12h30 e só paramos uma hora e meia após os shows. Vamos dormir sempre de madrugada, por volta das 3 horas e acordamos às 10 horas”, relatou Divonei.

De Ourinhos, uma parte da equipe seguiu para Prudentópolis e outra para Salto de Pirapora. “A empresa existe há 25 anos e os proprietários vivem disso, das feiras, exposições e festas pelo país. Trabalho com isso há 17 anos. Todos nós temos famílias e filhos, mas já acostumamos com essa rotina”, disse Divonei.

Waldemar Daldosso e Marcella Alcântara comandam barracas de artigos em couro e também percorrem o Brasil levando os produtos, especialmente jaquetas, que são confeccionadas em Mandaguari (PR). “Seu” Waldemar, de Jandaia do Sul (PR), é pai da proprietária da fábrica e conta que está há três meses sem ir para casa. Marcela, de Londrina, vendedora participa de feira uma vez por mês. Há 10 anos eles participam da Fapi, sempre com três barracas. “Seu” Waldemar dorme numa das barracas no recinto do Parque e Marcela, na barraca que ficaram no pavilhão do comércio.

Eles fazem as refeições nos restaurantes da Feira e também trabalham até de madrugada. “É cansativo, mas é um trabalho como qualquer outro, temos filhos e netos e levamos a vida normalmente como qualquer outra família. A diferença é que nem sempre estamos em casa ou próximos dela, mas faz parte da nossa atividade”, contam.

O tratador de animais Hélio Mariano, casado e pai de seis filhos, está nesta atividade há 40 anos, trabalha atualmente numa Fazenda de Tatuí e veio para Ourinhos tomar conta dos animais junto com outros companheiros. No caso da Fapi, eles ficaram acomodados numa hospedaria, ao lado do pavilhão da pecuária, onde também fizeram as refeições. “Trazemos roupa suficiente para não ter que lavar e ficamos sempre próximos ao pavilhão, nosso local de trabalho”, disse ele.

Um dos maiores estandes de bolsas, chapéus e acessórios do pavilhão do comércio da Fapi era do casal Luiz e Rita, de Leme (SP). Luiz contou que participam da Fapi há 10 anos e que pelo menos duas vezes por mês trabalham em feiras e exposições pelo Brasil. Os dois filhos, um de 6 e outro de 10, ficam com uma das avós. “Participamos das feiras de Londrina, Maringá, Araçatuba entre outras. Dormimos no caminhão que fica no estacionamento da Feira. Também trazemos um funcionário e outro contratamos na própria cidade. Comemos na Feira e dormimos pouco. Sempre aguardamos o público após os shows e começamos a atender no início da tarde, mas vale a pena”, contou Luiz.

O Sorvete Giovanelli que há 25 anos está presente na Fapi é comandado por uma família de japoneses, da cidade de Bauru, e sempre se instala em pontos diferentes do pavilhão do comércio. “Acho que já somos parceiros da Fapi”, brinca Rosemeire Hamada. “Trabalhamos em quatros pessoas, todas da nossa família, não temos funcionários. Trazemos um trailler onde dormimos e comemos”, contou Rosemeire.

Ela contou que fazem as principais exposições do país, entre as quais Londrina e Araçatuba e que só ficam em casa uma semana por mês. “Temos filhos, maridos e casa para cuidar, mas já nos acostumamos com essa rotina de vida. Faz muito tempo que percorremos as Feiras e exposições levando o nosso sorvete”, comemorou.

Divonei e seus colegas de trabalho, Marcella e Waldemar, Hélio Mariano, Luiz e Rita, Rosemeire e sua família têm uma coisa em comum e diferente dos demais trabalhadores. A participação nas feiras e exposições proporciona uma experiência única de viver em muitas cidades, conhecer diversas realidades e conviver sempre com pessoas diferentes de uma rotina normal de trabalho. Essa combinação rende muitas histórias para contar, belas recordações e enriquece a bagagem de vida de cada um.

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