quinta, 05 de dezembro de 2019

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UPA de Ourinhos: atendimento na unidade divide opinião da população

Todos os dias, principalmente à noite, pacientes esperam por um demorado atendimento médico

 

Juliana Neves

Nesta semana, nossa reportagem esteve durante três horas na UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Ourinhos. O objetivo foi verificar junto aos pacientes, o processo de um atendimento rápido ou não e a opinião da população em relação à saúde em nossa cidade.

Em uma noite fria e chuvosa, a entrada da UPA já previa que teríamos uma noite longa com muitos atendimentos a adultos, idosos e crianças.

As expressões faciais daqueles que ali estavam aguardando uma consulta refletiam o quanto era ruim estar ali, pela demora em ouvir o seu nome ser chamado.

Entre diferentes experimentos de posições na cadeira, com a sensação de cansaço e vontade de estar em casa, tomar um banho e relaxar, a maioria das pessoas nos informou que o atendimento é lento. “Os pacientes esperam por muito tempo e isso pode atrapalhar a melhora de saúde daqueles que precisam de uma consulta ou outro procedimento”, reclamou uma jovem que acompanhava sua mãe e já aguardava por duas horas.

DESESPERO – Em meio a tantas pessoas que aguardavam uma solução médica durante a noite, uma paciente que não estava mais aguentando estar ali por tanto tempo, começou a clamar por atendimento aos gritos. Seu pedido foi atendido de forma instantânea, finalmente foi permitida a sua entrada pela porta que dá acesso ao corredor de consultas.

Outra situação constrangedora: um pai pediu para sua filha ser atendida com urgência por estar ardendo em febre. Ele não aceitava mais ficar na UPA há tanto tempo e a menina ainda não ter sido atendida.

CRIANÇAS E IDOSOS SÃO A MAIORIA – Naquele local, crianças e idosos doentes eram a maioria. Alguns estavam ali para acompanhar amigos e falaram que não possuem outra opção. “Se a gente fica doente tem que ir para a UPA e encarar todos os desafios e ter paciência até ser atendido”, reclamou um morador do Jardim São Carlos.

Inclusive há moradores de cidades da região que vêm para a unidade de Ourinhos. Nesta noite pudemos constatar pacientes de Marques dos Reis e Canitar, por exemplo.

DISTÂNCIA DIFICULTA – Outra reclamação dos pacientes é que poderiam ter outras unidades semelhantes em Ourinhos. “Muitas vezes nós precisamos nos deslocar de muito longe em busca de um médico, e o paciente não pode demorar tanto para receber um atendimento”, reclamou uma senhora que mora no Recanto dos Pássaros 3.

OPINIÃO CONTRÁRIA – Entretanto, há quem goste e elogia a UPA. Uma senhora, mãe de três filhos e avó de muitas crianças, estava lá desde às 15h00 e saiu somente às 21h30. Ela nos contou que foi até aquela unidade por causa de uma dor na perna e descobriu também que sua pressão estava alta.

“A médica aqui é muito atenciosa, me liberou somente depois que teve a certeza que eu estava melhor. Eu acho este lugar muito bom, tem outras unidades de saúde que vamos buscar consulta médica e as pessoas nem olham na nossa cara. E a ambulância ainda vai me levar até a minha casa”, afirmou a idosa.

SEM CADEIRA PRA SENTAR – A cada minuto chegam pessoas desejando um atendimento rápido para uma simples dor de garanta ou até algo mais grave, como uma torção do pé em um jogo de futebol. Por isso, os atendimentos se acumulam e criam uma lotação na sala de espera, até chegar ao ponto onde não há mais nem cadeira para sentar.

A única certeza é que, em algum momento, o paciente receberá o atendimento, mesmo que demore. Mas é preciso ter paciência para conseguir a tão sonhada consulta médica.

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