quarta, 11 de dezembro de 2019

MAX. º MIM. º
TEMPO:

Moto Fest novamente é motivo de polêmicas e reclamação de moradores

Uma reunião foi realizada a fim de impor regras e garantir o seu cumprimento

Letícia Azevedo

Aconteceu na última quinta-feira (22), na Câmara Municipal de Ourinhos, uma reunião entre vereadores, representante da Delegacia Seccional, Polícia Militar e Civil e organização do Moto Fest, a fim de estabelecer algumas estratégias para a realização do próximo evento, que se realizará entre os dias 6 e 8 de setembro, e que já causa polêmica na cidade devido ao barulho excessivo que produz.
Estiveram presentes os vereadores Sargento Sérgio Pazianoto e Cido do Sindicato, o delegado e coordenador da Central de Polícia Judiciária Dr. Pedro Telles, o secretário de Segurança Pública, Cel. Wagner, o Ten. Coronel Elvis Alessandro Fernando Botega, o Capitão Lucas Viol Franciscon e também o organizador do evento, Reinaldo Gaiquer, o Pica Pau.
Segundo o vereador Sargento Sérgio, através de requerimento novamente apresentado em Sessão Ordinária da Câmara, ele é semanalmente procurado por munícipes que moram no entorno do recinto da FAPI, cobrando soluções para o barulho causado pelo evento, ou seja, o mesmo problema apresentado nos outros anos.
O vereador deixou claro que sugeriu a reunião para que juntos pudessem definir algumas regras para que o evento aconteça sem que haja o aborrecimento da população. “Nós sabemos que uma reunião já aconteceu em 2018 e que algumas normas foram estabelecidas, porém não surtiu o efeito desejado. Volto inclusive a repetir, nós não desejamos o término do Moto Fest, apenas cobramos que haja uma festa que não incomode os munícipes”.
O Jornal Negocião acompanhou na íntegra o desenrolar da reunião, onde o mediador, Sg. Sérgio reconheceu a importância do evento para o município, e o que ele agrega à cidade, no segmento hoteleiro, gastronômico, para o comércio, mas ressaltou que as pessoas não admitem mais passar noites sem dormir. “(…) um terço da população ourinhense mora nos bairros adjacentes a Fapi, são cerca de 40 mil pessoas que são penalizadas com a perturbação que o evento também promove”.
Dr. Pedro Telles – O coordenador da Central de Polícia Judiciária de Ourinhos afirmou que o evento deve ser tratado de forma que seja vantajoso para todos os munícipes, e que não apenas beneficie a organização. Ele frisou que as pessoas que se sentirem lesadas, tanto pelo barulho ou qualquer outra situação causada pelo evento, podem e devem entrar em contato com a polícia militar, pois providências serão tomadas. “Sabemos que o evento pode acontecer, mas prejudicar os munícipes, fazer com que eles sofram por conta disso é inadmissível, e nós vamos intervir. Com essa reunião ficou bem claro ao organizador que nós vamos tomar providências em relação a isso. As pessoas que vêm para assistir ao evento, não vieram para assistir a um show de horrores, queremos um evento legal e é necessário trabalhar por isso” – apontou o delegado.
Além desta problemática, Dr. Pedro também ressaltou que o espaço do Parque Olavo Ferreira de Sá após mudanças na legislação, se tornou uma via pública, ou seja, está sob a fiscalização da Polícia Militar. “Se a PM tiver notícias de que há pessoas dirigindo embriagadas, sem habilitação ou de forma que traga riscos à população, ela é obrigada a intervir, existindo ou não denúncias via COPOM. Eu acho que as pessoas que vierem para o evento não devem achar que estão em uma terra de ninguém, porque não é isso o que vai acontecer”.
O delegado citou também que o local cedido é um espaço público, e deve ser tratado como um bem público, onde há normas e leis que devem ser respeitadas. “Sim há leis e a população não pode ser penalizada por conta desta algazarra. A Prefeitura Municipal inclusive deve se conscientizar de que ela pode sim ser responsabilizada por possíveis problemas gerados pelo evento. Se ela cedeu o espaço público, ela tem responsabilidade por absolutamente tudo. Isso se chama corresponsabilidade. E inclusive o senhor organizador do evento, pode sofrer as penalidades de um funcionário público por estar usando do bem público, que é o Recinto da Fapi”.
Tenente Coronel Botega – Responsável pelo 31º Batalhão de Policia Militar do Interior, o Tenente Coronel deixou clara sua preocupação e alegou que está lidando com a intolerância cada vez maior da população e teme que ações sejam tomadas pelos próprios munícipes. “As pessoas estão no limite, cada vez com o “pavio mais curto”, e a polícia acaba sofrendo as consequências de lidar com a população cada vez mais estressada, e querendo resolver seus problemas com as próprias mãos. E isso é claro, é um grande problema, e não há como prever esse tipo de ação da população, o que muito nos preocupa”.

Capitão Viol – Com base no Código de Trânsito, Capitão Viol enfatizou que todas as normas de trânsito devem ser respeitadas no interior do recinto, e que é sabido que nem todas acatadas. “Dirigir sob o efeito do álcool, realizar manobras que coloquem a vida do próximo em risco e mais algumas infrações que nós temos ciência, é cabível de penalidades de forma civil e criminal. As motocicletas agindo de maneira urbana, não incomodarão a população” -esclareceu.

Cel. Wagner Soares – O Secretário de Segurança Pública se comprometeu em trazer até o evento um Decibelímetro (aparelho utilizado para medir a intensidade do ruído emitido em determinado espaço), para que as medições sejam devidamente realizadas. O nível máximo permitido pela Lei Municipal do Sossego é de apenas 55 decibéis, e será fiscalizada com mais rigor a partir desta edição do evento. “Nossa secretaria não conta com esse aparelho, mas vamos buscar em uma secretaria próxima, para que as devidas aferições sejam realizadas e tenhamos mais dados em mãos para que providências futuras sejam tomadas” – ressaltou.

Reinaldo Gaiquer – Pica Pau, organizador do evento, disse que a cada ano, o número de seguranças é dobrado e que o horário para o término da festa foi estipulado desde o ano passado, a fim de que o barulho fosse amenizado. “Estipulamos desde 2018 o término da festa as 2hh00 da manhã, com uma tolerância de 30 a quarenta minutos, exceto na noite de sábado, que o término está estipulado para as três da manhã, pois é o dia com maior lotação. Nós tentamos de diversas formas melhorar o evento a cada ano, e é impossível um evento de motociclistas que não haja barulho de motores. Isso é impossível, e por conta de todos os benefícios que o evento traz para a cidade, como o movimento trazido pelos turistas, poderia haver uma maior tolerância por parte das pessoas”.
O organizador do evento relatou que aumentou em 50% o número de seguranças, e que o show de funk, que vai acontecer dentro do evento não causará problemas aos munícipes “Optamos por realizar o show dentro do Pavilhão da AIOR, para que o som não prejudique os moradores do entorno. O show não será aberto ao público. Serão 30 seguranças só para fiscalizar os excessos e evitar a ação de “baderneiros”, fora os outros que estão espalhados na portaria e em outros pontos estratégicos. Nós cumprimos o horário que estipulamos para o término do evento em 2018 e neste ano não vai ser diferente” – afirmou o organizador.
Após a reunião ficou acordado que o Prefeito Lucas Pocay tomará ciência dos pontos citados na reunião e também dará a sua contribuição.

© 1990 - 2019 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.