quarta, 08 de abril de 2020

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O sucesso do empreendedorismo feminino em Ourinhos

Conheça o poder da mulher ourinhense para conquistar seu espaço no mercado de trabalho

 

Juliana Neves / Marcília Estefani

 

Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, que foi criado após muitas lutas e reinvindicações que envolviam o público feminino. Desde 1975, época em que a ONU (Organização das Nações Unidas) diversas situações mudaram.

As conquistas obtidas ao longo dos anos já começam a produzir frutos, inclusive no campo dos negócios, não só colocando a mulher em uma situação de igualdade com os homens, mas até acima deles.

Em Ourinhos muitos são os casos de mulheres empreendedoras que conquistaram sucesso profissional, além de serem ótimas mães, filhas, esposas. Se possuem hoje a vida que gostariam de ter, é pelo fato de terem se esforçado, enfrentado obstáculos, preconceitos, até chegar ao nível desejado.

CASO DE SUCESSO – Dentro desta perspectiva, vemos o caso de Rosemara Favaro, comerciante do ramo de confecções. Para ela, ser uma mulher empreendedora é explorar um caminho de oportunidades.

“A força vem como de uma dona de casa, pois temos que ser organizadas, motivadas para que tudo ocorra bem no lar e na criação dos filhos. Nós mulheres temos o dom e a capacidade de dupla jornada, de pensar e fazer várias atividades ao mesmo tempo, e tudo isso não é só para complemento de renda salarial e sim realização pessoal”, fala a empreendedora.

Rosemara Favaro avalia sua trajetória como positiva pois com ela cresceu e aprendeu muito

Mara conta que a sua experiência com o empreendedorismo vem de sua mãe, que vendia roupas e ela a acompanhava. Recordação que guarda com muito carinho por ter aprendido muita coisa e ali ter nascido a sua inspiração para começar o seu empreendimento.

“Avalio a minha história como positiva, porque cresci e aprendi muito nessa vida, com altos e baixos e estou sobrevivendo do meu próprio negócio. Acho que tudo isso é devido a minha persistência e vontade de conquistar e buscar algo mais, e de ser exemplo para várias mulheres (…) o preconceito sempre irá existir, muitas vezes temos que trabalhar com homens e eles têm que entender que a mulher pode sim ser uma líder empresarial, não podemos desistir dos nossos objetivos, temos que seguir com muita paciência e inteligência”, explica Rosemara.

UM PASSO GRANDE – História de luta também tem Lilian Victor de Oliveira Gobetti, 33 anos, que se tornou empreendedora no ano de 2011, quando ficou desempregada. “Trabalhava em um emprego fixo como secretária e quando fui dispensada me vi com uma filha de 2 anos, sem saber o que fazer! Decidi então com meu acerto fazer por nós e me tornar minha própria patroa”.

Lilian conta que o começo foi muito difícil, pois nunca tinha trabalhado no comércio e os gastos eram maiores do que ela pensava. “Com a ajuda da minha irmã, consegui alugar uma última lojinha na antiga galeria, em frente à praça Melo Peixoto, ficava o tempo todo na loja, tentando e fazendo de tudo para ser percebida pelas pessoas e conquistar clientes”.

Segundo a empresária, em 2011, os resultados foram aparecendo e após 1 ano de loja o espaço já era pequeno. “Foi nesta época que apareceu a oportunidade de abrir uma loja na rua 9 de julho. O passo era grande, mas peguei como desafio e trabalhei muito pra que tudo desse certo… e graças a Deus deu!!”

Lilian Victor de Oliveira Gobetti, ao meio, com  sua atual equipe de colaboradoras

Esse ano Lilian comemora 9 anos de empreendedorismo. “A grande dificuldade é se superar e aprender com cada erro! Aprender a caminhar e prosseguir diante da instabilidade que é o comércio e as vendas mês a mês”.

DESAFIOS E PRECONCEITO – Emanoela Baroni Ronchi, 35 anos, trabalhava como vendedora de motocicletas e há 3 anos resolveu trabalhar com o marido, no ramo de manutenção automotiva.

Com pouco tempo de empresa, Manu conta que o marido sofreu um acidente e precisou se afastar da empresa. Nesse momento veio o grande desafio: assumir os negócios dentro de uma realidade ainda não muito conhecida, com funcionários, clientes, num território masculino, o que gera um certo preconceito.

“Os homens não se sentem muito à vontade em tratar esses assuntos com mulheres por achar que elas não entendem de mecânica, acham que a gente não sabe o que está falando, então tive esta experiência amarga que me exigiu muita paciência para aprender a lidar com essa masculinidade e mostrar que eu sabia o que estava falando, pois tinha muita ajuda do meu marido e dos funcionários que me ensinavam muito”, conta a profissional.

Ela afirma que neste ramo existe sim muito preconceito, principalmente com os homens mais velhos. “Uma vez fui conversar com um cliente, passar a ele o que estava acontecendo com o carro e ele não quis falar comigo, queria falar só com o meu marido. E isto acontece muito, até com funcionários que não admitem receber ordem de uma mulher e simplesmente ignoram e se dirigem ao meu marido”.

Emanoela Baroni Ronchi com o marido e as filhas

Emanoela conclui dizendo que contorna estas situações pois é movida pelos desafios diários, que ‘temperam’ sua vida profissional e a fazem gostar ainda mais da profissão.

GERÊNCIA FEMININA – Débora Adriana de Andrade, 47 anos, atua em instituição financeira há 27 anos. Uma das dificuldades que enfrenta é a concorrência, que hoje é vencida pelo bom atendimento. O relacionamento faz toda a diferença na sua área, seja para conquistar ou reconquistar clientes.

Débora conta que em sua trajetória, sempre foi muito dedicada, atuou durante 18 anos em uma instituição e há 9 trabalha em uma outra, onde conquistou cargo na gerência, desempenhado com muita responsabilidade e respeito, seja para com os clientes ou demais colaboradores com quem convive.

“É muito gratificante quando encontro um cliente antigo ou associado, e eles me agradecem pela atuação que tive junto a eles, porque sempre procurei fazer algo mais e hoje tenho esta gratidão nestas pessoas que sempre se lembram da época em que eu os atendia”.

Débora Adriana de Andrade durante evento de aniversário da instituição onde trabalha

Porém, a caminhada não é só de flores, e a profissional lembra que o preconceito ainda existe sim, tanto da parte do cliente quanto de colaboradores. “Já ouvi cliente dizer que não faz negócio com mulheres, que querem falar com um superior, também no relacionamento com os colaboradores, sempre tem um caso de homens que afirmam que não aceitam ordem de mulher”.

Mas tudo isto, a gerente contorna com toda sua ‘firmeza feminina’, fazendo sempre questão de viver o respeito às diferenças e a harmonia por onde passa, vencendo e enfrentando com muita coragem e entusiasmo os desafios. “Eu gosto de desafios, eles não me assustam, mas me fazem crescer”.

 

 

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