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Ourinhense participou da Marcha para a Liberdade de São Paulo à Campinas

Hernani Corrêa

Cerca de 40 pessoas iniciaram uma caminhada rumo à Brasília denominada ‘Marcha para a Liberdade’ na sexta-feira, 24, às 12 hs. O objetivo é chegar a pé na capital nacional em 27 de Maio para pedir o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

A Marcha começou em São Paulo, na Praça Panamericana e o ourinhense Filipe Alberto Fierek participou de parte do trajeto, segundo ele, cerca de 120 km. O restante do grupo prosseguiu a Marcha.

Filipe chegou na terça-feira, 28, em Ourinhos. Ainda se recompondo do cansaço, mas feliz por ter conseguido atingir seu objetivo, o líder das manifestações em Ourinhos concedeu entrevista exclusiva ao Novo Negocião.

Quem são os líderes desta Marcha?

Ela foi organizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), um dos que arrastou as pessoas de São Paulo. São quatro jovens que conheci pessoalmente agora, caminharam junto com a gente, inclusive a mãe de um deles também caminhou dois dias conosco. Trocamos informações muito interessantes e o crescimento como pessoa foi o que mais importante aconteceu.

Qual foi o trajeto percorrido?

Saímos de São Paulo, passamos em Jundiaí, Vinhedo, Valinhos e Campinas até onde eu fui. Caminhei durante quatro dias no sol quente, no asfalto, mas valeu a pena.

Quais foram os fatos mais marcantes nessa caminhada para você?

Logo na saída, observei que muitas pessoas acenavam nas janelas com bandeiras, aplaudiam, carros faziam buzinaço nos faróis e tivemos um grande apoio da polícia militar na cidade e nas rodovias, apesar de não poderem se manifestar.

De onde eram os integrantes do grupo?

Tivemos pessoas do Brasil inteiro, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e até do Piauí.

Como era a reação das pessoas quando vocês passavam?

As pessoas paravam os carros até na estrada, desciam, abraçavam a todos nós, tiravam fotos, desejavam força, caminhoneiros buzinavam gritando “Fora Dilma” também.

Que tipo de apoio e solidariedade tiveram?

Quando parávamos para tomar água, por exemplo, as pessoas ofereciam ajuda, perguntavam do que estávamos precisando, médicos, como em Valinhos, que sabiam da Marcha, vinham até nós com maleta de primeiros socorros, examinavam, chegaram até a levar um de nós em sua clínica para tomar injeção, recebemos remédios, restaurantes doavam marmitas, academias de ginástica, suplementos. Num bairro em Campinas, um cara de uma lanchonete que nos viu passando, perguntou ao último da fila o que estava acontecendo e pegou dois fardos de água geladinha e correu atrás para nos servir. Conosco tinha o tempo todo uma ambulância e um carro de apoio com água, cereais e remédios. Também tivemos pessoas que nos doaram pouso em hotel.

Que outros tipos de apoio à manifestação aconteceu?

Também em Campinas, todos os alunos de uma escola saíram nas janelas e gritaram conosco “Fora Dilma”. O importante é vermos que as pessoas estão sensibilizadas. Mesmo com a diminuição nas manifestações, a insatisfação dos brasileiros continua.

Quais as pessoas que mais marcaram você nessa caminhada?

Teve um exemplo de dois jovens que emprestaram dinheiro, que não tinham a disponibilidade de caminhar porque estavam fazendo Faculdade. Um deles me disse: “Vou levar bomba, mas se eu não fizer isso hoje, amanhã talvez eu nem tenha futuro mais”. 

Faça suas considerações finais:

Todos que participaram não são um idealista qualquer, que quer um “oba, oba”. Todos entendem que estamos passando por um problema crítico. Muitos passaram por nós e xingaram, isso é normal. Mas aí eu questiono: as pessoas xingam, mas não apresentam nada melhor pra você fazer. É fácil você jogar pedra nessas pessoas que estão na estrada, no conforto de suas casas, é fácil jogar pedra. Nós só estamos fazendo isso hoje, porque aqueles que nos antecederam não fizeram nada, senão o país estava uma maravilha. Se essas pessoas que nos criticam, criticam a marcha, sabem realmente como a coisa funciona e acha que isso não vai dar nada, deveriam não ter deixado que o país chegasse a esse ponto. Nos chamam de “jovens irresponsáveis” que estamos fazendo uma marcha que não vai dar em nada. Nos consideramos “jovens responsáveis” que estamos tentando melhorar alguma coisa. 

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