sbado, 14 de dezembro de 2019

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Pessoas autistas são valorizadas em Ourinhos

Há um ano existe uma lei municipal que preza pelo atendimento preferencial a pessoas autistas

 

Juliana Neves

 

Autismo é um transtorno de desenvolvimento que afeta habilidades de comunicação e interação social em diversos contextos. Perante o Manual de Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais (DSM-V) é reconhecido como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A doença possui três tipologias e também pode ser classificada de acordo com o nível de gravidade.

É definida como uma forma mais branda do autismo a Síndrome de Asperger e o paciente possui dificuldades com habilidades sociais, comportamentos repetitivos e alta inteligência acompanhada de um determinado talento em específico. O Transtorno autista é o clássico com apresentação de deficiência intelectual e atrasos linguísticos, por exemplo. Já o Transtorno invasivo de desenvolvimento, o paciente apresenta sintomas mais leves em relação as outras classificações.

Em questão de níveis, a definição é a partir da dificuldade de comunicação social verbal e não verbal por meio de comportamentos, interações, organizações e no ato de realizar planejamentos. Os níveis recebem os nomes de um, dois e três.

Segundo Mayara Labs, psicóloga clínica especialista em terapia de família e casal, os sintomas podem ter uma variação de graves a moderados. “Visão, audição, tato, olfato ou paladar sensíveis; movimentos corporais repetitivos; apego anormal a objetos; alteração emocional anormal quando há alguma mudança na rotina; dificuldade em iniciar ou manter uma conversa; comunicam-se mais com gestos do que com palavras; repetir palavras ou trechos memorizados”, explica.

Criança com sintoma de autismo (Fonte: Internet – Ilustrativo).

A psicóloga também afirma que, geralmente, o autismo é identificado com mais facilidade em crianças com menos de três anos, devido algumas atitudes em relação ao comportamento social: “dificuldade de interação social (não faz amigos, retraído, muitas vezes fica sozinho, não responde a sorrisos ou contato visual), sensibilidade prejudicada ou aumentada (não se assusta com sons altos, sentidos ampliados ou diminuídos, esfrega as superfícies, pões a boca nos objeto ou lambe), brincadeiras limitadas, comportamentos anormais (acessos de raiva intensos, baixa capacidade de atenção, poucos interesses, ou é hiperativo ou passivo, comportamentos repetitivos, agressividade consigo ou com outras pessoas)”.

Sem causas conhecidas para o desenvolvimento da doença, mas há pesquisas relacionadas ao tema. Conforme a Associação Médica América, as chances de uma criança desenvolver TEA por herança genética é de 50%, e os outros 50% pode corresponder a fatores exógenos, como o ambiente de criação, poluição do ar, complicações durante a gravidez, entre outros.

Símbolo Internacional do Transtorno de Espectro Autista (TEA) (Fonte: Internet – Ilustrativa).

O diagnóstico é feito na criança antes dos três anos de idade e o médico irá avaliar o atraso de desenvolvimento do paciente, baseado nos critérios e orientações prescritas no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-V) da Associação Americana de Psiquiatria. Além da realização de exames de rotina com pediatra: audição, chumbo no sangue, triagem para autismo, físico e neurológico. “O ideal seria um diagnóstico multidisciplinar para avaliar comunicação, linguagem, habilidades motoras, fala, êxito escolar entre outros”, explica Mayara.

Psicóloga Mayara Labs em sua clínica (Arquivo pessoal).

Não há cura para o autismo, mas o tratamento pode amenizar os sintomas e proporcionar um maior suporte para o desenvolvimento do paciente e na questão do aprendizado. Lembrando que o tratamento varia de pessoa por pessoa, não tendo nada igual ou comum para todos.

E “normalmente, a primeira reação dos pais é de susto, alguns apresentam raiva, inconformismo, outros até confirmam o que esperavam e sentem-se aliviados por haver um diagnóstico”, diz a psicóloga. Ainda resslva que é o momento para o casal fazer um acompanhamento psicoterápico para uma melhor aceitação e aprender como lidar com a criança no cotidiano. A criança também deve fazer terapias, em paralelo a um tratamento médico, para ajudar a se aceitar, aprendendo a viver com o transtorno e lidar com as situações rotineiras da vida tendo o autismo.

Na visão da psicóloga, o que deveria ser feito para uma maior inclusão social das pessoas com autismo na nossa sociedade são “são campanhas educativas sobre a doença, o papel e responsabilização de cada um na sociedade, a divulgação da importância de se viver com as diferenças, capacitação de profissionais, além da formulação pelos governos e inclusão em nossa legislação de normas e princípios norteadores da transição para a educação inclusiva”, fala.

E é por este caminho, da inclusão social governamental, em busca de uma maior valorização com as pessoas que possuem autismo, é que a Prefeitura de Ourinhos, há um ano, instituiu o atendimento preferencial a pessoas autistas em lugares de atendimento ao público.

A lei municipal de autoria dos vereadores Abel Diniz Fiel, Alexandre Araujo Dauge e Anísio Aparecido Felicetti, assinada por Lucas Pocay e Joaquim Vassoler, Secretário de Administração, diz que fica instituído o atendimento preferencial a pessoas autistas que apresentarem um laudo médico para comprovar a doença, ou outra identificação legal.

Imagem da Lei Municipal (Ilustrativo).

Esta lei é válida para supermercados, farmácias, agências bancárias, correios, lotéricas, hospitais, restaurantes, hotéis, postos de saúde e qualquer outro estabelecimento de atendimento à população. Desta forma, os estabelecimentos devem ter em suas dependências o símbolo Internacional do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Aqueles que não acarretará a aplicação da lei receberá advertências e multas.

Imagem de sugestão de como deve ser a placa de atendimento preferencial dos estabelecimentos (Fonte: Internet – Ilustrativo).

Por isso, que a população ourinhense deve prestar atenção aos locais que frequenta e exigir o cumprimento da lei como é exercida para um idoso ou gestante, por exemplo, ao invés de reclamar quando alguém recebe um atendimento preferencial.

“A chave para uma boa convivência em sociedade seja com autista, seja com outras doenças, é aprendermos a conviver com as diferenças e respeitá-las, estar aberto para o novo, para o que é diferente da minha realidade, além de precisarmos aprender a ouvir o outro sem suposições e julgamentos’, finaliza a psicóloga Mayara Labs.

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