terça, 10 de março de 2026
Publicado em 06 nov 2017 - 11:34:42
Eduarda Schuh
As edições realizadas até o Enem 2017 contavam apenas com o auxílio de um intérprete de Libras para os participantes com deficiência auditiva. Entretanto, este recurso em todos os anos que esteve presente no exame se apresentou altamente limitado, não permitindo que o participante conseguisse entender por completo o contexto das questões da prova.
A prova do Enem é escrita na linguagem oficial vigente no território brasileiro, a Língua Portuguesa. Entretanto, a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) é diferente da Língua Portuguesa. Por exemplo, em Libras não existe o uso de preposições. Assim, a contextualização das questões não têm sentido se apenas as palavras forem traduzidas, porque ficam “soltas” e dificilmente formam um conceito.
O Inep, nesta edição acertou em cheio na hora de trazer uma nova discussão para o âmbito educacional. O problema da formação de deficientes auditivos no Brasil é estrutural e é resultado do formato da educação brasileira. O próprio Enem em outras edições não conseguiu encontrar uma solução efetiva para equiparar os estudantes surdos dos demais.
Nesta última edição que, por meio da redação, trouxe este assunto a tona. Foi divulgado pelo MEC (Ministério da Educação) que o exame também inovou com o oferecimento de um novo recurso que auxiliou os participantes com surdez ou deficiência auditiva nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na edição de 2017. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) passou a oferecer uma terceira opção de auxílio para esses participantes: a prova em videolibras.
Videolibras – A novidade teve caráter experimental. Os estudantes surdos que optaram por este recurso resolveram a prova com apoio de um vídeo, que apresenta as questões traduzidas para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Assim, a tradução literal, contextualizando as questões para a Linguagem Brasileira de Sinais, foi realizada da mesma maneira para todos os alunos que optaram pelo recurso. As salas especiais para este recurso comportavam até 20 estudantes.
Os participantes com surdez ou deficiência auditiva também puderam optar por dois recursos tradicionalmente oferecidos pelo Inep: o tradutor-intérprete de libras e a leitura labial. Quem optar pelo tradutor-intérprete terá orientação de profissional capacitado para dúvidas específicas de compreensão da língua portuguesa escrita, sem fazer a tradução integral da prova. Já o participante que solicitar esse recurso fará as provas em salas com até seis pessoas e com dois tradutores.
Junto com a redação, o Enem deste ano usou a Videolibras, como recurso para aproximar ainda mais a possibilidade de educação e formação igualitária para deficientes auditivos. Até o resultado do exame, em 2018, a espera é otimista para uma boa resposta da aplicação do novo recurso.
Fontes: Ministério da Educação
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