terça, 10 de março de 2026

Morre o ex piloto, Mário César de Camargo Filho, o estimado “Marinho”

Publicado em 04 jan 2020 - 11:39:59

           

Ele viveu em uma época áurea como piloto de carro (DKW) no período de 1957 a 1967, sendo campeão por vários anos, segundo o filho Alexandre

 

Hernani Corrêa e Rose Pimentel Mader

 

Faleceu na tarde de ontem o ex piloto Mário César de Camargo Filho. “Marinho”, como foi mais conhecido, abriu a Concessionária Dodge Chrysler em Ourinhos, depois a Ford nas décadas de 70 e 80 se tornou o “Rei do Dodginho no Brasil” na época por ser campeão de vendas do Dodge Polara.

O Jornal Negocião publicou em 2018 e 2019 uma série de três livros por ocasião dos 100 anos de Ourinhos. Na época, foram publicadas 300 histórias de empresas, pessoas e famílias que participaram ativamente do desenvolvimento de nossa cidade.

Como homenagem ao pai, o filho Alexandre, hoje proprietário do Posto Marinho, contou a história do pai na 1ª Edição do Livro “Ourinhos 100 anos, 100 Histórias de Ouro.

Segue a publicação na íntegra.

 

POSTO MARINHO

“Buscamos a excelência para atender plenamente as expectativas de nossos clientes”, afirma Alexandre Sá

 

O Posto Marinho está completando – em novembro – 20 anos de atividades. Duas décadas de sucesso construídas com muito trabalho e dedicação do empreendedor Mário César de Camargo Filho, o estimado Marinho, e de seu filho o empresário Alexandre Sá César de Camargo.

Localizado, desde o início, na avenida Miguel Cury, o Posto Marinho é uma referência no ramo de prestação de serviços de combustíveis que conquistou uma vasta clientela em Ourinhos e região.

A denominação do Posto faz menção ao nome comercial que Mário César de Camargo Filho utiliza desde a época das corridas de carro, na década de 60.

Quem conta essa história de sucesso é o filho Alexandre, atualmente no comando dos negócios em decorrência do afastamento do pai, por problemas de saúde.

 

HISTÓRIA DO PAI – “Meu pai nasceu em Ribeirão Claro e alcançou muito sucesso no automobilismo, vivendo uma época áurea como piloto de carro (DKW) no período de 1957 a 1967, sendo campeão por vários anos. Como a família da minha mãe Suzana é de Ourinhos, em 1972 ele decidiu sair de São Paulo e criar os 4 filhos – Rodrigo, Cláudia, Alexandre e Flávia no interior. Na época, foram oferecidas duas concessionárias para o meu pai, a Chevrolet em Bauru e a Dodge Chrysler em Ourinhos. Como ele tinha muita amizade com o Emerson Fittipaldi, que na época morava na Inglaterra, ele orientou meu pai a pegar a Chrysler porque o Dodge Polara era um sucesso na Europa. Em 72 ele abriu a concessionária e teve uma participação muito ativa na Dodge, chegou a ser conhecido como o rei do Doginho no Brasil, foi a concessionária que mais vendia no país. Com a Dodge trabalhou de 72 a 81, participando efetivamente no Lançamento do Dodge Polara, praticamente desenvolvido na concessionária em Ourinhos.  Em 1981 a Chrysler foi vendida para a Volkswagem Caminhões. Logo após adquiriu a Ford Automóveis e Caminhões e ficou com duas concessionárias – a Marinho Veículos e a Auto Marin Veículos, que era Ford. Trabalhou com as duas concessionárias de 1982 a 1994”.

“Quando saiu do ramo das concessionárias, onde ficou durante 22 anos, decidiu abrir um Posto de Gasolina. Meu pai sempre foi uma pessoa muito ativa, sempre buscando ser uma referência como pessoa e empresário. Na época em que estava negociando um Posto de Gasolina, um diretor comercial da Texaco, Wagner Samara, que por coincidência, além de ter sido um torcedor do meu pai no período das corridas, foi cliente também em São Paulo, ficou sabendo do seu interesse em ingressar num novo ramo de atividade. Graças à amizade e admiração pelo meu pai como pessoa e como comerciante, resolveu investir no Marinho. Construiu o Posto completo com loja de conveniência e entregou as chaves em nossas mãos. Acredito que foi um prêmio pela trajetória comercial do meu pai. Inauguramos o Posto como Texaco em novembro de 1998 e, em 2007, a Ipiranga adquiriu e incorporou toda a rede de postos Texaco no Brasil e passamos a representar a bandeira Ipiranga, há 10 anos”, conta.

Alexandre conta que começou a trabalhar com o pai em 1983, quando ingressou na concessionária Auto Marin Veículos como recepcionista, onde trabalhava com jaleco, recebia os carros e abria as ordens de serviços. “Passei por todos os setores na concessionária. Foi um grande aprendizado, aprendi a dar valor ao trabalho e crescer por méritos.”

“Desde a época das corridas, quando alcançou sucesso no Brasil e fama internacional, meu pai sempre buscou algo a mais, a perfeição. Quando abriu o posto ficamos preocupados se ia dar certo, pelos desafios que tínhamos que enfrentar, mas ele falou: não se preocupe filho nosso negócio é movido a gente, temos que oferecer atendimento diferenciado, qualidade e variedade de produtos e nos dedicar diariamente para alcançar a excelência. Acredito que o sucesso foi resultado dessa busca incansável de cada dia fazer o melhor. Há dois anos ele se afastou um pouco por motivos de saúde, mas sempre teve uma grande atuação, é um conselheiro, que me norteou e, talvez, a pessoa que eu tenha mais orgulho na minha vida, com quem aprendi tudo”.

“Como um bom corredor, meu pai não consegue disputar o segundo lugar. Ele sempre buscou a primeira posição e lutou para vencer e trouxe essa filosofia para os negócios. Ele andou muito pelo Brasil para conhecer o que havia de melhor nos postos e o diferencial para o sucesso em relação aos concorrentes e com isso, sempre procurou inovar para oferecer o melhor aos clientes”.

“Nós tivemos em Ourinhos, entre 2012 e 2013, o preço mais barato de combustível do Brasil e foi nessa época que batemos um recorde de vendas de posto urbano. O Posto Marinho ficou em primeiro lugar em vendas na Regional Ribeirão Preto, que mais vendia combustível – gasolina e álcool – como posto urbano”.

Quanto ao futuro, Alexandre explica que em 2014 o Posto passou por uma reforma e agora está iniciando uma nova etapa, com um amplo projeto de remodelação que já está em andamento. “Estamos desenvolvendo um projeto na área de alimentação, para ampliar os serviços e pretendemos fazer um empreendimento que venha somar ao Posto de Gasolina, oferecendo algo mais. O cliente busca hoje comodidade, um lugar onde possa parar, e atenda todas suas necessidades e expectativas. Antigamente o posto de combustível, no máximo, fazia uma troca de óleo, uma lavagem, hoje não, porque o perfil do consumidor mudou, o conceito é outro, precisamos ter um posto completo, para o cliente fazer suas refeições rápidas, tomar seu café da manhã, curtir um happy hour. A previsão é que o projeto seja concluído no final de 2019”.

“Nossa mensagem para o consumidor e o que aprendi do sucesso é que o Posto Marinho busca o atendimento diferenciado e a excelência em tudo que faz, mesmo atualmente devido às dificuldades econômicas e a redução da margem de lucro, o que nos motiva diariamente, é oferecer o que temos de melhor em termos de serviços e atendimento, priorizando a qualidade, valorizando o cliente e procurando atender as suas expectativas. Para isso, contamos com uma equipe de colaboradores treinada e motivada, comprometida com nossa filosofia de trabalho. Nossos clientes são nossos parceiros e nosso desejo é que o Posto Marinho seja uma extensão de suas casas”.

 

SAIBA MAIS

por Marcos Júnior Micheletti

Mario Cesar de Camargo Filho, o Marinho, um dos principais pilotos brasileiros de todos os tempos, mito nas corridas de rua e também em estradas e autódromos, morreu em 3 de janeiro de 2019, aos 82 anos.

Marinho residia na cidade de Ourinhos, interior de São Paulo, onde era proprietário de um posto de combustíveis, o “Posto Marinho”, com bandeira Ipiranga.

Casado com Suzana, com quem teve quatro filhos (Rodrigo, Alexandre, Flávia e Cláudia), Marinho nasceu em Ribeirão Claro-PR no dia 15 de janeiro de 1937, e fez sua estreia oficial como piloto aos 20 anos, em 1957, em uma prova de Subida de Montanha, na Estrada Velha de Santos, com um Volks, terminando em terceiro lugar em sua categoria, para carros de até 1.3 litros.

Depois, a convite de Jorge Lettry, chefe da equipe de competições da Vemag, marcou época nos carros de tração dianteira e motor dois tempos

Com uma pilotagem refinada, Marinho competiu pela DKW entre 1958 e 1967, vencendo inúmeras provas, tornando-se o “Rei de Piracicaba”, vencendo as cinco provas que disputou na cidade do interior paulista, em 1960, 1961, 1964, 1965 e 1966, com DKW Vemag, exceto em 1965, quando competiu com DKW Malzoni.

Em dez anos de carreira somou 34 vitórias, correndo sozinho ou em dupla. Bird Clemente, contemporâneo de Marinho, foi um de seus parceiros nas pistas, além de grande amigo fora delas.

Quando deixou o automobilismo manteve-se ligado aos carros, inicialmente como dono de concessionária GM e depois Chrysler, em Ourinhos.

Ajudou a Chrysler nas melhorias do Dodge 1800 (apelidado de “Dodge 1800 Defeitos”), rebatizado de Polara, na tentativa da montadora em concorrer com a Ford, GM e Volks no mercado dos carros médios e mais econômicos, na esteira das duas grandes crises do petróleo, em 1973 e 1979.

O Polara, de fato, melhorou com a ajuda de Marinho, mas a Chrysler encerrou suas atividades no Brasil, após ser adquirida pela Volks, interessada na produção de caminhões da montadora norte-americana.

Marinho ainda trabalhou com caminhões, participando do projeto do modelo da Volkswagen e do motor MWM.

 

 

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