terça, 10 de março de 2026

Incógnita: Comércio de Ourinhos não sabe se fecha ou não as portas

Publicado em 20 mar 2020 - 21:14:25

           

As opiniões se dividem entre os empresários. ACE considera precipitado fechar agora

 

Marcília Estefani

 

Diante do quadro que estamos vivendo, a rotina dos ourinhenses tem mudado um pouco a cada dia. O comércio em geral já sente os reflexos do medo e da instabilidade da economia.

O movimento de venda das lojas do centro da cidade já caiu nesta semana, porém ainda é existe muitas pessoas pelas ruas, nos bancos e supermercados.

Movimento no calçadão vem diminuindo

PREOCUPAÇÃO E MEDO – Na última quinta-feira, 19, nossa equipe de reportagem esteve nas ruas do centro da cidade e ouviu alguns comerciantes que demonstraram muita apreensão.

Sra. Aparecida Rodrigues, proprietária de uma loja na Rua Antônio Carlos Mori, afirmou que a situação está bastante preocupante. “Na realidade todo mundo está com medo, ficando nas suas residências, e nós estamos aqui vamos atendendo pelo WhatsApp, fazendo até um delivery se precisar, estamos tomando todas as medidas necessárias, mas está preocupante”

Empresária ourinhense afirma que o momento está muito preocupante

A empresária trabalha com mais duas colaboradoras, o estabelecimento dispõe de álcool gel para todas e também para as clientes, e afirma que está aguardando alguma orientação dos órgãos competentes sobre fechar ou não a loja.  “Vamos esperar mais um pouco pra ver o que vamos fazer, enquanto está dando prá ficar nós ficamos, mas diante de alguma orientação de parar, vamos ter que negociar com os fornecedores, mas a nossa saúde está em primeiro lugar”.

FECHA OU NÃO FECHA – Um comerciante do calçadão da Rua Paraná, Arnardo Criveli, afirmou que a semana foi boa, mas já começou a perceber os clientes um pouco assustados com a situação. “Esperamos que isso mude, a questão do coronavírus veio assombrar um pouco a gente, acho que a tendência é fechar de vez o comércio ou permanecer e ver o que vai dar, isso vai gerar uma crise mundial”.

Arnaldo pensa que é necessário haver um consenso entre os empresários

O comerciante ainda trabalha com toda sua equipe, mas a partir da semana que vem já não sabe se algo vai mudar. “Isso tudo preocupa a gente, os nossos compromissos continuam, a gente fica inseguro, mas tudo depende também da responsabilidade de cada um, se todos fecharem eu concordo de fechar também, mas penso que tem que ser um acordo em comum. Se houver um consenso de todos, estamos de acordo também, o que for melhor prá todo mundo”.

SURPRESO – Alexandre Mariani, também estabelecido no Calçadão, nos contou que tem conversado com outros amigos e parceiros e pelo que vive na própria loja, é perceptível que o movimento desde segunda-feira vem diminuindo. “É um reflexo da situação que é preocupante, não só para o consumidor, mas para os colaboradores, para a empresa. Nesse momento a melhor palavra é ‘complicado’, não estávamos preparados para esta situação, sabíamos que iria ocorrer, mas não esperávamos que o reflexo fosse tão grave”.

Alexandre Mariani acredita que será necessário fechar mas ainda não é hora

AINDA NÃO VAMOS FECHAR – Questionado sobre a possibilidade do comércio todo fechar as portas, Alexandre afirmou que deve fechar, mas que ainda não é a hora. “Ainda não estamos nesta situação porque na nossa região ainda não temos nenhum caso oficial, apenas possibilidades. Essa doença virá pra nossa região por pessoas que estejam viajando e que tiveram contato com outras pessoas infectadas, mas não é caso ainda de se criar uma situação de paralisia”.

COMPROMISSOS ASSUMIDOS – Segundo Mariani, não se sabe por quanto tempo o comércio teria que ficar parado e as empresas não têm estruturas financeiras para suportar um período talvez de 15 a 90 dias. “Temos contas pra pagar, colaboradores, mercadorias que já foram compradas, isso vai acontecer, não se sabe quando nem quanto tempo, mas a partir do momento que a doença esteja na nossa cidade e seja uma responsabilidade nossa de tomar conta das vidas, mais do que tomar conta do financeiro, nós vamos optar pela vida, isso é muito importante. A Santa Casa se compromete com isso, a Associação Comercial se compromete com isso, e nós como empresários nos comprometemos com os nossos colaboradores, a vida das pessoas é muito mais importante do que os prédios, do que tudo, e nós temos muita ciência disso”.

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL – Como vice-presidente da Associação Comercial da cidade, Alexandre Mariani afirma que providências já estão sendo tomadas, mas não há necessidade de pânico, de parar tudo agora, enquanto a doença ainda não está aqui. “Parar agora não aumenta e não diminui o risco, por isso estamos acompanhando tudo muito de perto”.

POR CONTA PRÓPRIA – Algumas empresas da cidade estão optando pelo fechamento voluntário, a princípio até o dia 31 de março. Prestadores de serviços, trabalhadores da área de vendas, MEI’s, estão adotando o trabalho home-office, o que permite desempenhar suas atividades dentro de casa.

SETOR INDUSTRIAL – Uma indústria já declarou férias coletivas e as que ainda necessitam de cumprir prazos de entregas de produtos estão revezando a equipe de trabalho e reforçando técnicas de higiene e limpeza, oferecendo álcool gel e EPI’s adequados.

Os colaboradores com idade a partir de 60 anos e aqueles que conseguem trabalhar home office também foram enviados para casa.

SHOPPING – O Ourinhos Plaza Shopping mudou seu horário de funcionamento, abrindo de segunda-feira a domingo, das 12h às 20h, até o dia 01/04/2020, porém supermercado irá operar em horário normal: de segunda-feira a sábado, das 08h às 22h e, no domingo, das 8h às 20h.

A Lojas Americanas também manterá seu horário normal de atendimento ao público: segunda-feira a sábado das 10h às 22h e, aos domingos, das 12h às 20h.

BANCOS – As instituições bancárias da cidade também estão revezando as equipes de trabalho para diminuir a quantidade de pessoas dentro de suas instalações, e estão limitando a entrada de usuários dentro das agências.

Porém o que tem se observado é uma grande quantidade de pessoas nas longas filas que se formam e ganham as calçadas, onde se observa muitas pessoas idosas e crianças.

SUPERMERCADOS – Os supermercados da cidade têm redobrado as questões de limpeza e tiveram de liberar os colaboradores jovens aprendizes, mas continuam operando em horário normal. Apenas o Supermercado Bom Jesus de Ourinhos, que estabeleceu um horário especial para receber os idosos, das 7h00 às 8h00 da manhã.

Todos os supermercados pedem que as pessoas façam comprar conscientes, pois não há necessidade de estocar produtos.

ACADEMIAS – As academias da cidade, em sua maioria, também acataram as orientações do governo e da municipalidade e fecharam até que tudo se normalize.

COMERCIANTES NAS REDES SOCIAIS – Um grupo de empresários de diversos segmentos da cidade se reuniu através do WhatsApp e desde a noite de quinta-feira, tentam planejar suas vidas para a próxima semana.

Foi proposto no grupo o fechamento das respectivas empresas e até as 17h00 da sexta-feira, 52 representantes aderiram ao fechamento.

PREFEITURA – Na tarde desta sexta-feira, prefeito Lucas Pocay esteve reunido em seu gabinete com o Secretário de Desenvolvimento Econômico Trabalho e Turismo, Frednês Corrêa Leite e o Presidente da ACE Robson Martuchi.

A opinião transmitida aos ourinhenses através de uma live é de que todos têm que agir com muita ponderação neste momento, que não há necessidade de se fechar agora o comércio. Porém, os comerciantes que tiverem condições de fechar sem causar um impacto negativo aos funcionários e à própria empresa, que feche, mas não é possível obrigar a todos agirem da mesma forma. “Quem fechar tem que estar preparado para ficar fechado durante 1, 2 meses, não se sabe ainda”, disse o prefeito.

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