terça, 10 de março de 2026

Donos de academias e estúdios vivem momentos difíceis com o isolamento

Publicado em 04 maio 2020 - 13:54:04

           

Apesar de investirem em aulas on-line profissionais afirmam que o futuro é incerto

 

Juliana Neves

 

Em meados de março, antes de ser decretada a quarentena no estado, as academias e estúdios de Ourinhos começaram a adotar medidas preventivas para cuidar da segurança de todos, mas incentivando os clientes em condições normais e fora das zonas de risco a continuarem com suas atividades, considerando que a mesma colabora com o aumento da imunidade e auxilia no bem estar.

Porém, com o decreto do governo e do município, também foram obrigados a fechar as suas portas e tiveram que se reinventar buscando alternativas para continuar lado a lado à clientela, unindo as necessidades de clientes e empreendedores.

CENTRO DE TREINAMENTO ACTIVE – Gabriela Campiom de Oliveira Basseto, afirma que a solução foi realizar vídeo aulas para os alunos continuarem com seus treinos em casa, com o objetivo de fortalecimento muscular e uma vida mais saudável prevenindo obesidade e ansiedade.

“No começo percebi um empenho dos clientes para a realização dos treinos em casa, aos poucos começaram a não querer fazer, porque precisam dos profissionais qualificados para dar motivação, aplicar e corrigir, socializar”, explica Gabriela.

 

Segundo Gabriela, alguns clientes fizeram questão de ajudar neste momento

 

Em termos de renda, a profissional afirma que trabalha com valores mensais, apenas alguns fazem pacotes por tempo maior, mas contou com a colaboração de clientes que fizeram questão de ajudar nesse momento. “Porém se estender a longo prazo a quarentena podemos não reabrir mais”, diz a proprietária.

CEAFF’S ACADEMIA E FISIOTERAPIA SUPERVISIONADA – Juliano P. do Nascimento conta que dez dias antes de fechar já havia adotado medidas rígidas de higiene, ventilação e álcool em gel, pois notou que o número de faltas estava aumentando. Começaram então a preparar conteúdo on-line para os idosos pois eram os que mais estavam ausentes.

 

“As pessoas aumentaram seus problemas de saúde com o sedentarismo, houve descompensação das patologias e aumento dos casos de dores”, explica Juliano

 

“Como havíamos preparado conteúdo on-line preventivamente, nós aproveitamos a mesma estrutura e preparamos aulas para todos os objetivos. A procura continuou a mesma e com o passar dos dias até aumentou, pois as pessoas aumentaram seus problemas de saúde com o sedentarismo, houve descompensação das patologias e aumento dos casos de dores. O on-line é uma alternativa para dar assistência ao cliente, mas nem se compara com o trabalho que realizamos, e ainda aumenta o risco do cliente ter uma lesão”.

IMPACTO – Rogério Tadeu Leme, proprietário, conta que ficou sem saída. “Não estamos trabalhando com aulas on-line e os nossos pacotes são 90% mensal, isto é, a academia fechou e fiquei sem renda. Com 38 dias fechado não tem como pagar aluguel, água, luz e professores”, afirma emocionado.

 

Emocionado, Rogério afirma que ficou sem renda

 

MOOVIT – “Criamos o MOOVIT VIP ON LINE que é o atendimento personalizado aos clientes, via vídeo. Além disso, temos as aulas coletivas via aplicativos de vídeo e fazemos live de conteúdo de segunda, quarta, quinta e sexta-feira às 18:30. Fora isso estamos alugando acessórios e os equipamentos. Tive que desligar quatro pessoas e duas cumpriram férias, o restante continua trabalhando e recebendo normalmente. Como fiz vários acordos com meus fornecedores e parceiros estamos conseguindo nos manter até agora. O futuro é incerto”, sintetiza Carolina Moura, proprietária e professora de Jiu Jitsu.

 

Carolina Moura afirma que estão conseguindo se manter até agora, mas o futuro é incerto

 

MEGA ACADEMIA – Renildo Ferraz também investiu nos treinos on-line para os alunos todos os dias desde o seu fechamento, deu férias coletivas aos colaboradores e agora mantém os contratos suspensos, porém vinculados à empresa. “Algumas pessoas ficaram sabendo do formato dos treinos e entraram em contato para receber o material e realizar os exercícios em casa, entretanto, alguns já desistiram. A receita obtida nesse período foi insuficiente para pagar as despesas. Grande parte de nossos clientes realizam pagamento mensal de suas matrículas”, finaliza Renildo.

 

Renildo conta que apesar das aulas on-line a receita neste período foi insuficiente

 

PERSONAL TRAINER – Thaynara Campezoni, personal, optou por parar com as aulas e esperar a liberação da reabertura das academias e afirma que seus alunos sentem muita falta das aulas. “O que completa minha renda é meu serviço formal, mas vários colegas estão passando por um momento muito delicado, sem poder exercer sua função, sem salário para manter sua família”, pondera a personal.

Thaynara optou por parar com as aulas, mas afirma que os clientes sentem muita falta

 

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