terça, 10 de março de 2026
Publicado em 11 jul 2020 - 21:18:20
Comerciante teve exame pago pelos patrões
Letícia Azevedo
A auxiliar de produção Jéssica Ap. dos Reis Almeida, de 29 anos, fez uma denúncia, através de suas redes sociais, após passar por um período turbulento no fim do mês de junho. Jéssica testou positivo para o Covid-19, mas até chegar ao diagnóstico, teve diversas dificuldades no atendimento.
Jéssica publicou o fato na última segunda-feira (6), o que chamou a atenção de diversos munícipes. A reportagem do Jornal Negocião, entrou em contato com a moça, que relatou em detalhes a possível negligência do atendimento da UBS.

Apresentando diversos sintomas como infecção de garganta, coriza, perda de paladar, perda de olfato e muita dor de cabeça, a auxiliar de produção decidiu procurar pela Unidade de Pronto Atendimento (o que não é o indicado). “Quando comecei a apresentar os sintomas eu fui à UPA, mais precisamente no dia 6 de junho, e lá o médico que me atendeu me receitou alguns medicamentos para infecção de garganta. Eu cheguei a questionar se o exame do Covid seria realizado, mas o médico disse que não era necessário, pois eu não apresentava febre nem falta de ar. Me deram apenas um atestado para que eu pudesse me cuidar em casa”.
Jéssica relatou que mesmo tomando o medicamento prescrito pelo médico da UPA, os sintomas não cessaram, e três dias depois ela decidiu procurar pela UBS do bairro em que reside, onde também não conseguiu realizar o teste rápido. “Quando procurei a UBS, eu não apresentava febre, mas ainda tinha muita dor de garganta, diarréia, perdi totalmente o paladar e o olfato, sentia muita canseira e muita dor de cabeça. Mesmo apresentando todos esses sintomas, a enfermeira se negou a realizar o teste, afirmando que eu não apresentava nem febre alta e nem falta de ar. Ela ainda insistiu questionando se eu havia tido contato com alguma pessoa infectada. Eu disse que não sabia, porque eu continuei trabalhando na quarentena, então não tinha certeza. Mesmo assim, a enfermeira me disse que não era necessário realizar o teste e me recomendou continuar tomando o remédio pra garganta”.
Treze dias depois, retornando ao trabalho, Jéssica comentou com os patrões que ela ainda não tinha realizado o teste para o Covid-19, mesmo depois de todos esses dias. “Deus foi tão maravilhoso, tocou no coração dos meus patrões, e eles pagaram um exame particular para saber se realmente era o vírus ou apenas uma infecção. Depois de três dias saiu o resultado e infelizmente eu tinha mesmo contraído o vírus. Assim que testei positivo, a UBS decidiu realizar o teste em meu esposo e meu filho, que já havia contraído a doença. Ficamos indignados” – lamentou Jéssica.

Ela e o filho foram internados no hospital Covid por quatro dias, mas depois da alta Jéssica teve outra surpresa. “Fomos muito bem atendidos no hospital. Quero inclusive deixar meu agradecimento pelo atendimento. Profissionais carinhosos e humanos. Mas depois da alta, de toda a quarentena, eu retornei a UBS para realizar o exame, para saber se eu não tinha mais o vírus, porém descobri que não podia realizar o teste, pois a Prefeitura não arca com o teste final, pelo que me passaram na UBS. E eu mais uma vez tive que recorrer à empresa onde trabalho para realizar o teste de forma particular. Fiquei indignada. Quer dizer que se não fosse meu patrão até agora, eu nunca saberia se eu tinha ou não o coronavírus? E se a empresa onde eu trabalho não tivesse pago um teste para mim? Não sei de quem é a culpa, nem estou aqui pra julgar ninguém. Só fico muito chateada e revoltada em saber que não sou a única e nem serei a última pessoa a depender do SUS” – finalizou.
SECRETARIA DE SAÚDE
De acordo com a Secretaria de Saúde, há um protocolo único a ser seguido para a realização dos testes para o Covid-19. É recomendado que o teste rápido seja realizado apenas de 10 a 14 dias após o paciente identificar os primeiros sintomas, como síndrome gripal.
Outro exame ofertado pelo SUS é o Swab Nasal, realizado apenas sob indicação médica. Esse procedimento é realizado apenas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Ainda segundo a Secretaria de Saúde, há diversas situações consideradas para a testagem. No caso de um paciente que teve contato com alguma pessoa diagnosticada com com Covid-19, mesmo que assintomático, o teste é realizado no ato, ou se o paciente apresentar algum dos sintomas gripais (característicos do coronavírus), mas não teve contato com o vírus, é necessário que ele aguarde de 10 a 14 dias para realizar o teste.
Sobre o protocolo para a realização do teste através da UBS após os dias de isolamento da pessoa identificada com a doença, para que a mesma possa ser liberada para suas atividades, a prefeitura não enviou resposta, não esclarecendo o fato.
TESTES REALIZADOS
Até dia o 5 de junho, foram testadas 5.872 pessoas, sendo 5.450 com testes rápidos e 422 PCR (SWAB). Esses 5450 são testes adquiridos pela Secretaria de Saúde e pelo Governo do Estado.
DESCASO COM PACIENTES COM SUSPEITA DE COVID-19
Durante a 23ª Sessão Ordinária, realizada na última segunda-feira (06) o vereador “Flavinho do Açougue” apresentou um requerimento pedindo providências para que uma sala da USF do Jardim Flórida seja adequada para o atendimento dos pacientes com suspeita de COVID-19.
O vereador mostrou fotos do local e contou ter sido procurado por uma munícipe que realizou a denúncia. “Recebi na semana passada uma mensagem de uma moradora da região da USF do Jardim Flórida, mostrando sua indignação e insatisfação com o atendimento recebido. É um descaso, a sala de atendimento para o paciente com suspeita de COVID-19 é um depósito do posto de saúde. Tem até freezer apoiado com pneus. Isso demonstra como a população está sendo tratada na área da saúde. Cadê a humanização?”.
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