sexta, 6 de março de 2026
Publicado em 24 fev 2026 - 11:21:46
Planejamento antecipado, repertório cultural e equilíbrio emocional são fundamentais para conquistar uma vaga
Da redação
Reconhecido pela excelência acadêmica e pela tradição em inovação, o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é um dos mais disputados do Brasil.
Na edição 2026, realizada no final do ano de 2025, foram 61,6 mil inscritos, disputando 2530 vagas em 69 cursos de graduação na universidade pública paulista.
Segundo Fernanda Silveira, coordenadora de escola de Ensino Médio, quem está sonhando com a aprovação no vestibular 2027, que deve ter provas aplicadas entre os meses de outubro e dezembro deste ano, a preparação começa desde já.
“O vestibular da Unicamp tem como principal característica ser um teste de resistência intelectual, bem diferente de outros processos seletivos que focam na simples memorização de conteúdo. A banca organizadora, Comvest, projeta a prova para selecionar candidatos que demonstrem não apenas conhecimento, mas também a capacidade de análise crítica, argumentação e clareza na comunicação”, destaca Fernanda.
COMO É O VESTIBULAR DA UNICAMP? – Em edições anteriores, o vestibular da Unicamp manteve sua tradicional estrutura em três fases. A primeira fase é composta por uma prova objetiva (72 questões de múltipla escolha) que abrange Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
As questões costumam ser interdisciplinares e exigem leitura atenta de textos, gráficos e tabelas. “A primeira etapa é decisiva, porque já elimina muitos candidatos e define a classificação inicial”, alerta Fernanda. Por isso, o estudante deve treinar constantemente essa modalidade de prova com exercícios variados, simulados e revisão ampla dos conteúdos”.
A segunda fase é realizada em dois dias consecutivos de provas dissertativas. No primeiro dia, caem questões de Português, Literatura, Inglês e uma redação (a Unicamp oferece duas propostas de tema em gêneros variados; o candidato escolhe uma). No segundo dia, os exames incluem Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, conforme a carreira escolhida. “Como a segunda fase exige respostas abertas, o candidato deve responder com profundidade, e ter clareza na exposição do raciocínio. Não basta acertar o resultado, é preciso demonstrar domínio do conteúdo e organizar a resposta de forma estruturada, como se fosse um mini ensaio ou relatório”, afirma.
Há ainda uma terceira fase, com provas específicas aplicadas apenas para cursos como Arquitetura, Artes e Música.

A REDAÇÃO DA UNICAMP – Um dos diferenciais do vestibular da Unicamp é a prova de redação. O candidato recebe duas opções de tema, em gêneros como artigo de opinião, carta, manifesto ou resenha, e deve escolher uma para desenvolver.
Fernanda salienta que essa variedade exige não só domínio da norma culta, mas também repertório cultural amplo. Ela recomenda treinar diferentes gêneros textuais e focar na estrutura. “O avaliador busca textos claros, bem estruturados, e que dialoguem com a proposta apresentada. O candidato deve praticar redações abordando temas atuais e aprendendo a organizar o texto com introdução, desenvolvimento e conclusão coesos, além de justificar bem seus argumentos”, completa.
LIVROS OBRIGATÓRIOS – O vestibular cobra todos os anos uma lista de obras literárias obrigatórias. Os livros para 2027 já foram divulgados pela organização com antecedência, permitindo aos candidatos mais tempo para leitura e estudo aprofundado.
Entre os títulos escolhidos estão clássicos e obras contemporâneas que dialogam com diferentes tradições, estilos e gêneros.
“A vida não é útil”, de Ailton Krenak;
“Canções escolhidas”, de Paulo César Pinheiro*;
“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis;
“Morangos mofados” (contos escolhidos), de Caio Fernando Abreu**;
“No seu pescoço”, de Chimamanda Ngozi Adichie;
“Olhos d’água”, de Conceição Evaristo;
“Os funerais da Mamãe Grande”, de Gabriel García Márquez;
“Prosas seguidas de odes mínimas”, de José Paulo Paes;
“Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá”, de Lima Barreto.
* CANÇÕES ESCOLHIDAS: “Canto das três raças” (com Mauro Duarte); “Cordilheira” (com Sueli Costa); “Desenredo” (com Dori Caymmi); “Estrela da terra” (com Dori Caymmi); “Evangelho” (com Dori Caymmi); “Mordaça” (com Eduardo Gudin); “Na volta que o mundo dá” (com Vicente Barreto); “Navio fantasma” (com Francis Hime); “O dia em que o morro descer e não for carnaval” (com Wilson das Neves); “Pesadelo” (com Maurício Tapajós); “Velho arvoredo” (com Hélio Delmiro); “Vento bravo” (com Edu Lobo); “Viagem” (com João de Aquino); “Vontade de chorar” (com Ivor Lancellotti).
** Seis contos escolhidos: “Diálogo”, “Além do Ponto”, “Terça-Feira Gorda”, “Pêra, uva ou maçã?”, “O dia em Júpiter encontrou Saturno”, “Aqueles dois”.
O ideal, segundo a educadora, é adotar uma leitura ativa e contínua dos livros obrigatórios, distribuída ao longo do ano. O estudante deve começar com uma primeira leitura integral, sem preocupação excessiva com análise, apenas para compreender enredo, personagens, temas centrais e o tom da obra.
Em um segundo momento, vale retomar os textos com foco mais analítico, observando contexto histórico e social, características de estilo, narrador, linguagem e possíveis diálogos com questões contemporâneas, aspecto muito valorizado pela Unicamp. “Fazer anotações próprias, fichamentos ou mapas mentais ajuda a consolidar ideias, assim como relacionar as obras entre si e com outros textos, filmes ou notícias”, recomenda.
PLANEJAMENTO DOS ESTUDOS – A coordenadora afirma que é fundamental elaborar um cronograma de estudos distribuído ao longo de 2026, com revisões periódicas e simulados cronometrados. “Organizar o tempo entre as disciplinas, alternando estudo e descanso, ajuda a evitar acúmulo de conteúdo e a manter o rendimento”.
A docente também orienta aos candidatos investirem em repertório sociocultural: ampliar o conjunto de conhecimentos e referências pessoais, lendo jornais, revistas e livros, assistir filmes e documentários, e acompanhar debates atuais – tudo isso ajuda a construir bons argumentos para as perguntas discursivas e a redação.
A SEGUIR, A DOCENTE SUGERE UM PLANO DE ESTUDOS PRÁTICO.
COMO ORGANIZAR MÊS A MÊS?
Fevereiro a abril: a sugestão é compreender o conteúdo principal do Ensino Médio cobrado na prova.
– Estude a teoria, realizando exercícios logo após cada tema;
– Comece a escrever redações curtas, produzindo um texto a cada 15 dias;
– Leitura semanal de atualidades (jornais, revistas, artigos).
Maio a julho: esse é o período de consolidação, buscando aprofundar conteúdos e ganhar ritmo nos estudos.
– Aumente a quantidade de exercícios;
– Escreva uma redação por semana;
– Comece a fazer simulados por área do conhecimento;
– Comece a treinar respostas discursivas curtas.
Agosto a setembro: com uma boa bagagem de conteúdo, é hora de adaptar o estudo ao estilo de prova da Unicamp.
– Faça simulados completos quinzenais da 1ª fase;
– Analise erros e acertos;
– Faça uma redação por semana com tempo cronometrado semelhante à aplicação real de prova;
– Faça revisões focadas nos conteúdos mais cobrados.
Outubro: ao final da preparação, o foco é manter desempenho e equilíbrio emocional.
– Invista em revisões direcionadas dos conteúdos dos quais têm mais dificuldade;
– Faça um treino intensivo de respostas discursivas e da redação;
– Na reta final, reduza a carga de estudos nos últimos dias para preservar energia para o dia da prova.
COMO ORGANIZAR SEMANALMENTE? – Uma organização regular de três horas diárias é um cronograma que assegura uma preparação equilibrada, que pode ser dividido da seguinte forma: revisão rápida de 20 minutos da matéria estudada no dia anterior, para fixação do conteúdo; 75 minutos de estudo de teoria seguidos de exercícios; 10 minutos de descanso mental e pausa para um lanche; mais 75 minutos de estudo de teoria seguidos de exercícios.
Ao longo da semana, é fundamental que a rotina de estudos garanta a distribuição das disciplinas das diferentes áreas de conhecimento, evitando que o estudante fique sobrecarregado com conteúdos de uma mesma área em um mesmo dia. Algumas combinações possíveis são: História e Química; Matemática e Geografia; Língua Portuguesa e Biologia.
Também é importante que um tempo específico seja reservado para a Redação, assegurando a prática da escrita semanalmente, com tempo controlado e com recurso próprio, isto é, sem consultas a fontes e materiais externos, simulando a condição real do vestibular.
SAÚDE EMOCIONAL E BEM-ESTAR – Preparar-se para um vestibular tão concorrido envolve também cuidar da saúde mental. Fernanda reforça que é natural sentir pressão em situações assim, mas é importante manter o equilíbrio. “É comum que o candidato sinta a pressão diante de uma prova com alto nível de concorrência. Técnicas de respiração, organização de rotina de estudos e simulados em condições semelhantes às do exame ajudam a diminuir a ansiedade e aumentar a autoconfiança”, orienta.
Alternar sessões de estudo com pausas regulares, praticar atividades físicas e manter um bom sono são medidas simples que fazem a diferença. Segundo Fernanda, “quem encara a preparação com seriedade percebe que o processo vai além da aprovação; independentemente do resultado, o candidato amadurece intelectualmente e adquire habilidades que o acompanharão em toda a trajetória acadêmica e profissional”, finaliza.
A ESPECIALISTA – Fernanda Silveira é pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).
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