quarta, 18 de março de 2026
Publicado em 18 mar 2026 - 12:23:12
Especialista explica sinais que merecem atenção e alerta para riscos de tratamentos sem indicação médica
Da redação
A estatura das crianças voltou ao centro das conversas entre pais nas últimas semanas, após a cantora Simone Mendes compartilhar nas redes sociais que o filho iniciou um tratamento para estimular o crescimento.
O tema, que rapidamente ganhou repercussão em portais e redes, levanta uma dúvida comum dentro das famílias: afinal, quando o crescimento infantil deve ser investigado?
De acordo com o pediatra Osni Amaro Júnior, a resposta passa menos pela comparação com outras crianças e mais por um acompanhamento contínuo e individualizado. “Nem sempre crescer mais devagar é um problema. O mais importante é observar se a criança mantém seu padrão ao longo do tempo. Quando há uma mudança nesse ritmo, acende-se um sinal de alerta”, explica.
Esse acompanhamento é feito por meio dos chamados percentis de crescimento, utilizados em consultas pediátricas para avaliar se a criança segue sua curva esperada de altura e peso. “A queda ou mudança brusca de percentil é um dos principais indicativos de que algo precisa ser investigado com mais atenção”, reforça o médico.

CRESCER NÃO É SÓ GENÉTICA – Embora a genética tenha papel importante na altura final, ela não atua sozinha. Há fatores do dia a dia que influenciam diretamente o potencial de crescimento e outros que não passam de mito.
“O crescimento saudável depende basicamente de três pilares: alimentação adequada, sem excesso de alimentos ultraprocessados, qualidade do sono e atividade física”, destaca o pediatra. Segundo ele, é durante o sono, especialmente à noite, que ocorre o pico de liberação do hormônio do crescimento. “Uma criança que dorme mal pode ter esse processo prejudicado”.
A vida sedentária e o excesso de telas também entram na conta. “Criança precisa se movimentar. Ela foi feita para correr, brincar, explorar. A falta dessa mobilidade pode impactar diretamente no desenvolvimento”, pontua.
Por outro lado, o especialista faz um alerta importante: não existem soluções rápidas ou milagrosas. “De tempos em tempos surgem promessas de crescimento fácil, como se fosse uma varinha mágica. Isso não existe. O crescimento é resultado de um conjunto de fatores bem acompanhados ao longo dos anos”.
Embora menos comuns, algumas condições de saúde podem interferir na estatura infantil. Doenças respiratórias não controladas, como a asma, alergias alimentares e distúrbios nutricionais, estão entre os fatores que podem comprometer o desenvolvimento.
“Uma criança com problemas de saúde não diagnosticados ou não tratados pode, sim, ter o crescimento afetado. Por isso, o acompanhamento regular com o pediatra é fundamental”, afirma Osni.

TRATAMENTO EXIGE CRITÉRIO – Nos casos em que há indicação clínica, a medicina pode intervir. Nesse cenário, o encaminhamento é feito para o endocrinopediatra, especialista responsável por avaliar e conduzir tratamentos específicos.
“Existem protocolos bem definidos e tratamentos eficazes, inclusive com uso de hormônios, quando necessário. Mas isso deve ser feito com muito critério e sempre com acompanhamento especializado”, explica.
Na prática clínica, o pediatra destaca ainda a importância do acompanhamento preventivo com vitaminas desde os primeiros anos de vida. “A suplementação de vitaminas como A, complexo B, C, D e o controle dos níveis de ferro fazem parte de um cuidado contínuo. Esses elementos são fundamentais para o crescimento saudável e ajudam a criança a atingir seu potencial de desenvolvimento”, afirma.
Ele alerta, contudo, que é justamente nesse ponto que mora um dos maiores riscos atuais, a busca por soluções sem respaldo médico.
“Há um volume muito grande de informações sem base científica circulando, principalmente nas redes sociais. Iniciar qualquer tratamento sem indicação adequada pode trazer consequências negativas para o desenvolvimento da criança”, alerta o pediatra.
“Os pais não precisam entrar em pânico, mas precisam estar atentos. Observar mudanças, manter o acompanhamento regular e buscar orientação médica sempre que houver dúvida são atitudes que fazem toda a diferença”, conclui.
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