terça, 16 de junho de 2026
Publicado em 16 jun 2026 - 12:00:20
Presente em diferentes indústrias, o EPS passou a integrar também a fabricação de colchões no Brasil
Assessoria de Comunicação
O consumidor deita, testa a firmeza, avalia o preço e decide. Em poucos minutos, escolhe um produto que vai acompanhar anos de rotina, sono e desgaste. O que raramente entra nessa equação é a composição interna do colchão, e é justamente aí que um material tem ganhado espaço e levantado questionamentos no setor: o EPS, o poliestireno expandido, mais conhecido popularmente como isopor.
Presente em diferentes indústrias, o EPS passou a integrar também a fabricação de colchões no Brasil, principalmente como base estrutural em modelos classificados como mistos. Segundo levantamento do portal Móveis de Valor, mais de 80% da indústria colchoeira já utiliza o material em seus processos produtivos.
O uso é permitido e regulamentado. A Portaria nº 35/2021 do Inmetro exige que a composição esteja descrita na etiqueta do produto. Ainda assim, a discussão que cresce no setor não é sobre legalidade, mas sobre compreensão.
Na prática, o consumidor raramente associa o termo “poliestireno expandido” ao isopor, e muitas vezes, sequer percebe sua presença. Embora ler a etiqueta seja uma etapa necessária, compreender o impacto real daqueles componentes é um desafio distinto.
“Estamos falando de um material permitido, mas que ainda não é plenamente compreendido por quem compra. O consumidor precisa saber o que está dentro do colchão e como isso pode impactar o uso ao longo do tempo”, afirma Cleriane Lopes Denipoti, diretora-executiva do Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER).
O Instituto, que é criador do selo Pró-Espuma, passou a tratar o tema de forma mais direta com o público. O objetivo é esclarecer não apenas a presença dos materiais, mas como eles são avaliados dentro dos critérios de desempenho.

“Hoje, conseguimos certificar tecnicamente as espumas porque existem ensaios específicos que medem comportamento ao longo do tempo, como deformação, resiliência e fadiga. Materiais como o EPS não atende aos requisitos técnicos que consideramos adequados, como suporte ao corpo, a adaptação anatômica, a distribuição de pressão, a estabilidade e a manutenção do conforto ao longo do tempo”, defende Cleriane.
A certificação não é obrigatória, trata-se de uma adesão voluntária das indústrias, mas ajuda a entender uma diferença: nem tudo o que compõe o colchão é avaliado sob os mesmos critérios. Enquanto espumas são projetadas para adaptação ao corpo e absorção de impacto, o EPS atua como base estrutural. Ele contribui para a sustentação e para o custo final do produto, mas não tem a mesma resposta dinâmica ao uso contínuo. É uma diferença que dificilmente aparece na loja.
Na experiência de compra, o que pesa é a sensação imediata. O comportamento ao longo do tempo, quando o colchão é submetido a peso, movimento e uso repetitivo, só se revela depois.
“Dependendo da composição, podem surgir alterações como menor adaptação ao corpo, sensação de rigidez mais acentuada, retenção de calor e até apoio desigual ao longo do uso. Também pode acontecer perda de estabilidade e percepção de “quebra” na estrutura interna, resultado da diferença de comportamento entre os materiais”, acrescenta Guilherme, especialista do INER.
Para fabricantes que optam por não utilizar EPS, o ponto principal está na previsibilidade do desempenho.
Para a Colchões Castor, tradicional no setor e com mais de 60 anos de história, o EPS não é uma opção, eles consideram que compromete a qualidade da entrega.
“Preço baixo pode ser um fator de decisão, mas o colchão precisa continuar entregando desempenho ao longo dos anos. Quando falamos de saúde, postura e qualidade do sono, o critério precisa ir além da primeira impressão. E o principal, o consumidor precisa saber”, afirma Hélio Silva.
Outra fábrica, a Luckspuma, considera o material nada adequado para produção.
“Nós fabricamos produtos que atendam as normas técnicas do setor colchoeiro, e não usamos o EPS (poliestireno expandido). É um material rígido usado na composição dos colchões pra reduzir custos de produção. O problema é que este material compromete o suporte, o conforto e o alinhamento do corpo. O que vai dentro do colchão importa tanto quanto o que aparece por fora.”, diz Anilton Flávio Ribeiro, gestor de negócios.
O avanço do EPS no setor está ligado a fatores industriais como redução de custo, leveza e viabilidade produtiva. Em um mercado competitivo, essas características ajudam a ampliar o acesso ao produto.
Mas o colchão, diferente de outros bens, não se esgota na compra. Ele é testado diariamente, ao longo de anos.
E é nesse tempo que a composição interna deixa de ser detalhe técnico e passa a influenciar diretamente a experiência. O consumidor sabe identificar sua presença e entender o que isso significa no uso real?
A resposta, por enquanto, ainda está sendo construída entre etiquetas, testes técnicos e um mercado que começa a falar mais abertamente sobre o que, até pouco tempo, ficava escondido dentro do colchão.
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