quarta, 16 de setembro de 2026
Publicado em 15 set 2026 - 10:43:25
Suspeitos alegaram que agressões teriam relação com outro caso ocorrido em Salto Grande, que ainda é investigado; vítima nega acusação e diz não conhecer os envolvidos
Da redação
Um homem foi sequestrado, colocado no porta-malas de um carro e levado até uma área de canavial, onde foi violentamente agredido, na manhã de segunda-feira (14), em Ourinhos. Três homens, de 19, 26 e 37 anos, foram identificados e presos em flagrante pelo Setor de Investigações Gerais (SIG), com apoio da DIG de Ourinhos.
Segundo a apuração policial, a vítima foi abordada por volta das 9h40, na Rua Manoel Vieira Pinto, no Jardim Ouro Verde. Dois homens teriam colocado o homem no porta-malas de um GM/Classic e seguido até uma área próxima à FAPI, nos fundos do bairro Nova Alcântara.
No canavial, ele foi agredido com socos, chutes e golpes, inclusive com objetos. Uma barra metálica com a inscrição “respeito” foi apreendida durante as diligências e passou a integrar a investigação.
População denunciou e imagens ajudaram o SIG
De acordo com o delegado Marcelo de Assis Aliceda Filho, responsável pelo SIG, informações repassadas pela população contribuíram para que a Polícia Civil tomasse conhecimento do caso.
A partir daí, os investigadores analisaram imagens de sistemas de monitoramento e identificaram o GM/Classic utilizado na ação.
O acompanhamento do trajeto e o cruzamento das informações permitiram chegar aos três suspeitos, todos moradores de Salto Grande e trabalhadores em Ourinhos.
Os homens foram encontrados posteriormente, fora do local do crime, enquanto cumpriam seus horários de trabalho. Um deles, de 19 anos, foi detido diretamente no local onde trabalhava.
Segundo o delegado, nenhum dos três possuía antecedentes criminais
Em interrogatório, os três investigados admitiram participação nos fatos, segundo a Polícia Civil, embora tenham apresentado divergências entre suas versões.
O homem de 37 anos afirmou que sua filha teria sido vítima de abuso praticado pelo homem sequestrado alguns meses antes. Conforme seu relato, ao ser informado de que o suposto autor havia sido localizado, orientou que ele fosse levado para as proximidades da FAPI. Ele também admitiu ter participado das agressões com socos e chutes.
Outro investigado, de 26 anos, também confessou participação e relatou que ele e o terceiro envolvido teriam reconhecido o homem e ido atrás dele.
Já o jovem de 19 anos confirmou que ajudou a colocar a vítima no veículo, participou das agressões e avisou o pai da criança sobre a localização do homem.
Suposta motivação ainda é investigada
A Polícia Civil, entretanto, ressalta que a acusação apresentada pelos investigados não está sendo tratada como fato comprovado, e é objeto de investigação da Polícia Civil.
A vítima, por sua vez, nega envolvimento com a criança e afirmou à polícia não conhecer os três investigados.
Portanto, as circunstâncias do suposto episódio anterior e as divergências existentes entre as versões ainda deverão ser esclarecidas pelas investigações.
Vítima foi ameaçada e abandonada ferida
A vítima foi posteriormente encontrada pela Polícia Militar em uma área de canavial, apresentando diversos ferimentos, hipotermia, queda da pressão arterial, hemorragia no braço direito e suspeita de fratura, além de lesões nas costas e no quadril.
Como o local era de difícil acesso, policiais militares auxiliaram na retirada do homem. O Samu realizou os primeiros socorros e o encaminhou para atendimento médico.
Segundo relato da vítima à polícia, durante as agressões os envolvidos diziam que ela teria “mexido” com uma menina, mas ele nega as acisações. Ele contou ainda ter sido atingido inclusive com a parte lateral de um facão.
Ele também relatou que foi ameaçado de morte caso contasse o que havia acontecido ou revelasse a identidade dos participantes.
O crime continua em investigação
O delegado Marcelo Aliceda destacou que a Polícia Civil continuará investigando tanto as circunstâncias do sequestro quanto o episódio anterior apontado pelos investigados como motivação.
Ele ressaltou que, independentemente da apuração do outro caso, não cabe à população fazer justiça com as próprias mãos. “Um crime não justifica o outro”, afirmou.
Os três homens foram presos em flagrante e o caso foi registrado, em tese, como sequestro qualificado, nos termos do artigo 148, parágrafo 2º, do Código Penal.
Eles permaneceram à disposição da Justiça e devem passar por audiência de custódia na manhã desta terça-feira (15).
As investigações prosseguem para esclarecer completamente a dinâmica do crime, as divergências entre os depoimentos e a possível motivação.
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