sábado, 26 de setembro de 2026
Publicado em 26 set 2026 - 14:15:51
Homem encontrado com o veículo afirma ter pago R$ 3 mil em espécie e nega entrega de droga; ninguém foi preso e Polícia Civil abriu investigação
Da redação
Uma motocicleta com apontamento de furto no sistema utilizado pela Polícia Militar foi localizada na tarde de quinta-feira (24), em Ourinhos, e acabou levando a Polícia Civil a abrir uma investigação sobre uma possível negociação envolvendo dinheiro e cocaína. As versões apresentadas pelos envolvidos, no entanto, são conflitantes e nenhuma droga foi apreendida durante a ocorrência.
A Honda CG 125 Titan, ano 2004, foi localizada depois que a Polícia Militar recebeu, via Copom, a informação de que o veículo havia passado por um radar instalado no trevo da Rodovia Mello Peixoto, nas proximidades do Ville de France, seguindo em direção a Ipaussu.
Os policiais iniciaram buscas e encontraram a motocicleta na altura do km 374 da Rodovia Raposo Tavares, em Ourinhos. O condutor obedeceu à ordem de parada e não tentou fugir. Durante a consulta, os policiais confirmaram a existência do apontamento de furto, embora naquele momento não tivessem localizado o boletim correspondente nos sistemas consultados da Polícia Civil.
O proprietário registral da motocicleta foi localizado e compareceu ao Plantão Policial. A partir daí, as diferentes versões sobre o que teria ocorrido com o veículo passaram a chamar a atenção.

PROPRIETÁRIO MUDOU VERSÃO SOBRE DESAPARECIMENTO – Inicialmente, o proprietário afirmou que havia permanecido por aproximadamente três dias na casa de um amigo, no bairro CDHU, e que, enquanto organizava seus pertences para deixar o imóvel, deixou a motocicleta do lado de fora e depois percebeu que ela havia desaparecido.
Durante os esclarecimentos, entretanto, ele apresentou uma versão diferente. Segundo o boletim, já no Plantão Policial, afirmou que na realidade havia negociado e entregado voluntariamente a motocicleta a outra pessoa.
Ainda de acordo com essa versão, ele teria recebido pela moto R$ 1 mil em dinheiro e aproximadamente 5 a 10 gramas de cocaína para consumo próprio.
HOMEM QUE ESTAVA COM A MOTO NEGA PAGAMENTO COM COCAÍNA – O homem abordado com a motocicleta apresentou outra versão. Ele afirmou ter comprado diretamente do proprietário o veículo por R$ 3 mil, pagos integralmente em dinheiro.
Segundo declarou à polícia, antes de fechar o negócio teria questionado o vendedor sobre a procedência e a regularidade da moto e recebido a informação de que o veículo estava regular e poderia ser utilizado normalmente.
Ele disse ainda que, após receber o dinheiro, o proprietário deixou de ser localizado, o que teria impedido a transferência da motocicleta. Também afirmou ter realizado reparos e comprado peças porque o veículo estava em condições precárias quando foi adquirido.
Questionado especificamente sobre a cocaína, negou ter fornecido qualquer entorpecente como parte do pagamento.
Uma testemunha que compareceu voluntariamente à delegacia afirmou ter presenciado a negociação. Embora não tenha se lembrado do valor exato, disse ter visto o pagamento em dinheiro e declarou que, segundo o que presenciou, não houve entrega de droga como parte do negócio.
POLÍCIA ABRE INVESTIGAÇÃO – Diante das versões conflitantes, a Polícia Civil decidiu não realizar prisão em flagrante. A motocicleta foi apreendida para que sejam esclarecidas sua situação e a origem do apontamento de furto existente no sistema policial.
A autoridade policial considerou ainda que, diante da própria declaração do proprietário de que teria vendido e entregue voluntariamente a motocicleta, não havia naquele momento elementos suficientes para caracterizar o crime de receptação.
Por outro lado, a afirmação de que cocaína teria sido entregue como parte do pagamento levou à determinação de abertura de procedimento investigativo para apurar uma possível prática de tráfico de drogas.
O homem encontrado com a motocicleta figura inicialmente como investigado. O próprio boletim ressalta, porém, que nenhuma substância entorpecente foi apreendida com ele e que existem versões divergentes sobre a forma como a negociação ocorreu.
ALEGAÇÃO DE AMEAÇA DENTRO DA DELEGACIA TAMBÉM SERÁ APURADA – A ocorrência ganhou ainda outro desdobramento enquanto os envolvidos estavam no Plantão Policial.
O proprietário da motocicleta afirmou ter sido ameaçado de morte pela testemunha que declarou ter presenciado a negociação. Segundo sua versão, o homem teria dito que buscaria um facão que estava em seu veículo.
A TESTEMUNHA NEGOU TER FEITO A AMEAÇA – A autoridade policial determinou que o episódio seja registrado e apurado separadamente, inclusive com a identificação de eventuais testemunhas e preservação de imagens do sistema de monitoramento da delegacia, caso existam.
Também deverá ser investigada a divergência entre a primeira versão apresentada pelo proprietário — de que a motocicleta teria desaparecido — e a declaração posterior de que o veículo havia sido negociado e entregue voluntariamente.
Ao final do registro, a autoridade policial determinou a abertura de investigação para esclarecer a possível entrega de cocaína na negociação e decidiu que nenhum dos envolvidos seria preso em flagrante naquele momento.
© 1990 - 2026 Jornal Negocião - Seu melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.