terça, 30 de junho de 2026

Plano Safra ignora realidade do campo e amplia preocupação com o futuro da produção

Publicado em 30 jun 2026 - 17:40:13

           

Produtores afirmam que crédito não resolve o crescente endividamento e cobram uma política agrícola permanente para garantir previsibilidade ao setor

 

Da redação

 

O anúncio do Plano Safra 2026/2027 voltou a frustrar as expectativas dos produtores rurais paulistas. Na avaliação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), o aumento de apenas R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior está longe de responder aos desafios enfrentados por quem produz alimentos, gera empregos e sustenta uma das principais atividades econômicas do país. O principal problema, segundo a entidade, não é apenas o volume de recursos, mas a falta de medidas concretas para enfrentar o crescente endividamento do setor.

Na prática, muitos produtores vivem uma realidade em que a situação econômica da propriedade não se traduz em saúde financeira. O patrimônio e a capacidade produtiva permanecem sólidos, mas o aumento dos custos, os juros elevados, as perdas climáticas e a dificuldade de acesso ao crédito têm comprometido o fluxo de caixa de milhares de propriedades. Sem uma solução para o passivo acumulado, novos financiamentos deixam de cumprir seu papel de impulsionar investimentos e passam apenas a ampliar as dificuldades financeiras de quem está no campo.

 

 

 

 

Outro ponto que preocupa é a ausência de uma política agrícola estruturante e de longo prazo. A cada safra, produtores aguardam um novo anúncio sem saber quais serão as regras, os juros, os limites de financiamento ou a disponibilidade efetiva de recursos. Essa falta de previsibilidade impede o planejamento de investimentos que, na agricultura, muitas vezes exigem horizontes de cinco, dez ou até mais anos. Para a Faesp, o Brasil precisa substituir a política de anúncios anuais por um verdadeiro projeto de Estado, um Plano Brasil para o agro, capaz de oferecer estabilidade ao setor.

A Federação também defende que a agricultura deve ser tratada de forma integrada. Embora existam características distintas entre os segmentos produtivos, o país precisa de uma política agrícola única, que reconheça a importância de todos os produtores, especialmente os pequenos e médios, responsáveis por mais de 70% das propriedades rurais do estado de São Paulo, por exemplo. Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer que recordes de produção não significam, automaticamente, aumento da renda ou do lucro para quem está na porteira. Grande parte da produção nacional está concentrada em um número reduzido de grandes propriedades, enquanto milhares de pequenos e médios produtores enfrentam margens cada vez mais apertadas.

Para a Faesp, também permanece sem solução um dos maiores gargalos da agropecuária brasileira: a fragilidade da política de seguro rural. Com cobertura limitada a uma pequena parcela da área cultivada, o produtor continua excessivamente exposto aos riscos provocados por secas, enchentes, geadas e incêndios. Sem proteção adequada e convivendo com um ambiente de incerteza, muitos seguem dependendo mais da esperança do que de instrumentos eficientes de gestão de risco.

A entidade conclui que o Plano Safra somente produzirá os efeitos esperados quando vier acompanhado de medidas efetivas para reestruturar o endividamento dos produtores, ampliar o seguro rural, oferecer crédito compatível com a realidade do campo e estabelecer uma política agrícola permanente, com horizonte de médio e longo prazo. O agronegócio brasileiro não precisa apenas de novos anúncios. Precisa de previsibilidade, segurança jurídica e condições para continuar produzindo alimentos, gerando empregos e fortalecendo a economia nacional.

 

FONTE: FAESP / SENAR-SP

 

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