domingo, 14 de abril de 2024

15 de Outubro e o Brasil comemora mais um dia dos professores

Da Educação Infantil, no Ensino Fundamental, no Ensino Médio ou no Ensino Superior, o papel do professor em todas essas etapas é crucial para o desenvolvimento humano

 

Marcília Estefani

 

O dia 15 de outubro é marcado pelas comemorações do Dia do Professor, data criada com o intuito de homenagear esse profissional de tão grande importância no desenvolvimento de todos os seres humanos, responsável pela alfabetização e que ensina as principais áreas do conhecimento às pessoas, durante sua formação escolar.

É fato, que todos os profissionais passaram um dia pelas mãos destes profissionais, seja de qualquer área, em qualquer lugar do mundo, apesar de toda tecnologia e progresso, os professores continuam a desempenhar sua missão.

 

 

Da Educação Infantil, no Ensino Fundamental, no Ensino Médio ou no Ensino Superior, o papel do professor em todas essas etapas é crucial para o desenvolvimento humano.

 

UM POUCO DA HISTÓRIA – A data é celebrada em 15 de outubro em referência a D. Pedro I, que nesta data em 1827, emitiu uma lei sobre o Ensino Elementar. No que se refere ao desenvolvimento da educação no Brasil, essa lei foi considerada um passo muito importante porque tratou dos objetos de estudo dos alunos, definiu que todas as cidades do Brasil deveriam ter Escolas de Primeiras Letras (Ensino Fundamental), e até estipulou o salário dos professores.

 

SONHOS E DESAFIOS DA PROFISSÃO – O grande problema com relação ao exercício do professorado ainda é a desvalorização da profissão. Embora seja uma das atividades mais admiradas pela sociedade, os profissionais da área sofrem, em boa parte dos casos, com baixos salários, precárias condições para desenvolver suas atividades e trabalho excessivo.

Porém, nem as mais duras realidades e desafios tiram destes profissionais o prazer pelo ensino. O Jornal Negocião conversou com alguns profissionais das diversas fases da educação, e algo neles é comum: O amor pela profissão e por fazer a diferença na vida das pessoas que passam pelas suas próprias vidas.

Para a professora Leda Ferrer, 45 anos, 23 deles dedicado ao magistério, o amor das crianças e seus olhos brilhando com as novidades que leva pra sala de aula, são o combustível para seguir sempre em frente.

Leda conta que nunca se imaginou em outra profissão. “Desde criança minhas brincadeiras era “escolinha” sempre amei ensinar”.

 

Profa Leda Ferrer disse que nunca se imaginou em outra profissão

 

Apesar de tantos anos de profissão a professora ainda encontra desafios principalmente em relação às crianças com alguma “Dificuldade ou Transtorno”, que não encontram na saúde os laudos adequados para que a educação possa fazer melhor a parte dela. No entanto, a profissional segue com esperança de tempos melhores.

“Sonho com uma escola inclusiva de verdade, onde todas as crianças tenham suas especificidades respeitadas. Um sistema de ensino que realmente foque nas habilidades essenciais para a vida respeitando os saberes e competências de cada indivíduo. Sendo a criatividade, a diversidade, respeito ao próximo e a competência emocional focos para direcionar o processo ensino aprendizagem, permitindo os alunos aprenderem a pensar e transformar nossa sociedade”, finaliza Leda, que trabalha hoje com crianças de 5 e 6 anos de idade em uma das escolas da prefeitura municipal.

Lucia Helena Araújo tem 51 anos e 30 de profissão. Já atuou na educação pública e na privada, e hoje é coordenadora do Colégio Santo Agostinho em Ourinhos. Ela justifica sua escolha profissional com o amor em poder ajudar e ensinar as crianças a ler e a escrever.

Sobre os desafios de sua profissão, cita a falta de interesse dos alunos, dificuldade de comunicação com os responsáveis e existência de indisciplina, o que é superado pelo prazer em fazer a diferença na vida do outro, assim como muitos de seus professores fizeram a diferença em sua vida.

 

Lúcia Helena Araújo é professora há 40 anos e já atuou na educação pública e privada

 

Olhando para o futuro, a professora Lúcia ainda sonha com melhorias na educação, em prol a uma sociedade mais justa, igualitária onde o professor seja mais valorizado.

“Melhorar a educação, especialmente do ensino básico, no nosso país é um desafio que muitos acreditam competir apenas ao governo. No entanto, essa crença está longe da verdade, e é um desserviço à nossa sociedade. Acredito que cada cidadão pode cumprir seu papel na construção de uma sociedade justa, na qual todas as crianças tenham igualdade de condições por meio do conhecimento, prestigiando também a figura do professor. Essa é a atitude número 1, porque é a mais fundamental de todas. O professor é a pessoa que está na linha de frente, intermediando todas as etapas de aprendizagem. Ele é a peça-chave, o coração da engrenagem da educação”, reflete a professora.

Já o professor Roberto Costa, 47 anos, afirma não ter escolhido a profissão. Porém, “a vida ofereceu-me a opção para o magistério e descobri-me um professor pelo caminho. Tinha outros planos, mas o tempo e a graça de Deus mostraram que fiz a escolha certa”.

Roberto leciona atualmente na PEI E.E Prof. José Augusto de Oliveira, no Jardim América, tem 23 anos de profissão e partilhou com o Negocião que recentemente ele e sua esposa foram convidados a partilhar com a comunidade da qual fazem parte, sobre “Educar para os valores essenciais da vida”. Numa breve reflexão, Roberto concluiu que o ‘ser professor’ vai muito além de ensinar conceitos e conteúdos de um currículo.

 

Professor Roberto Costa leciona atualmente na PEI E.E Prof. José Augusto de Oliveira no Jardim América

 

“A nossa presença, postura e a convivência com o estudante já ensina. Neste sentido, sinto-me desafiado a todo momento, estando presente, sendo companheiro, mediando os conflitos que a vida vai nos impondo, buscando formar cidadãos de bem antes que bons profissionais”, relata o professor.

Sobre sua motivação para a longa caminhada da educação, o mestre cita fatos diários, simples, mas que alimentam sua jornada. “Acreditar que posso fazer a diferença na vida de ao menos um dos adolescentes e jovens com quem convivo grande parte do meu dia, encontrá-los pela vida, no trabalho, com suas famílias já formadas e ouvir “saudades das suas aulas”, “lembra tal situação, professor?”, ou ainda “você já deu aula pra mim” alegra o dia de qualquer professor.

Do futuro, Roberto também espera mais valorização para a categoria e melhorias em vários aspectos. “Sem sombra de dúvida a valorização dos profissionais da educação por aqueles que têm responsabilidade sobre isso, em qualquer esfera – municipal, estadual ou federal – e não só na remuneração, mas nas condições de trabalho, recursos pedagógicos, estrutura das escolas, entre outras coisas. Embora meu local de trabalho seja um ambiente que favorece a aprendizagem – e em constante adequação, não podemos fechar os olhos e negar que existem tantas outras realidades”, finaliza o profissional.

A professora aposentada Maria Rosalinda Correa de Moraes já está afastada das salas de aula, mas afirma sentir falta das crianças. Ela lembra com carinho de momentos vividos durante sua trajetória.

 

Professora aposentada, Maria Rosalinda relembra de momentos vividos em sua profissão

 

“Tive um aluninho que me recordo bem, chamava-se Henrique. Tinha os olhinhos azuis como céu, sentava-se na primeira carteira. Quando eu dizia pra eles que tinham que aprender a escrever e ler com a entonação correta como um jornalista, ele olhou pra mim e disse que não iria ler porque não queria ser jornalista quando crescesse kkkkk. Outros marcaram pela disciplina, obediência, compromisso com os estudos e outros que me desafiaram enquanto profissional quando não obedeciam às regras do grupo ou porque demorou pra responder as expectativas da alfabetização, por muitas dificuldades na aprendizagem”.

 

VICE-PREFEITO E SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE OURINHOS TRAZ A MARCA DA EDUCAÇÃO EM SUA CARREIRA PROFISSIONAL

Recentemente em Ourinhos, o vice-prefeito Lucas Shoiti Pinheiro Suzuki, 40 anos, professor há 16, que vive seu primeiro mandato político, foi nomeado Secretário da Educação do município. Profissional dedicado à área da educação, ele afirma que recebeu o convite com muita surpresa, mas de coração aberto e muito entusiasmo.

“Representar os meus colegas e proporcionar a reflexão coletiva no que se refere às políticas da Educação municipal é uma grande honra. Aceitei porque faço parte desse sistema de ensino, conheço nossos alunos e os anseios dos professores e funcionários. Aceitei porque acredito que a Gestão do Prefeito Lucas Pocay prioriza a educação em suas principais ações.

 

Lucas Suzuki é professor há 16 anos, e atualmente vice-prefeito e secretário da educação em Ourinhos

 

Lucas conta que mesmo não estando como Secretário, mas desempenhando o seu papel como Vice-Prefeito, sempre esteve muito próximo da educação e de tudo que a envolve, participando de decisões importantes que mudaram a educação no município, como a correção do valor da hora aula, o aumento de quase 36 porcento respeitando o Piso Nacional, a aquisição de aparelhos televisores de 65 polegadas, sendo 200 tvs já encaminhadas às escolas, bônus inédito concedido a todos os envolvidos no processo da educação em comemoração aos índices atingidos – IDEB, a conversão de licença-prêmio em pecúnia, a compra de notebooks para as escolas e tantas outras conquistas.

Como educador, ele afirma que o que mais o realiza é saber que o agir do professor é transformador.

“Realizo-me com o fato de reencontrar meus ex alunos bem empregados ou cursando boas universidades. Realizo-me vendo a educação caminhar, alcançando aquele aluno que mais precisa. Não há como não se emocionar quando um aluno nos reconhece e diz que se recorda de nós. “Plantar sementes que continuarão a crescer por muito tempo”, metaforicamente dizendo. O incentivo e o entusiasmo no meu caso e na maioria dos meus certamente vem do fato de contribuirmos efetivamente para a formação cidadã de nossas crianças”.

Perguntado sobre o que gostaria de dizer aos professores hoje, olhando ao redor, para seus colegas de trabalho, e hoje como Secretário de Educação, Suzuki declara:

“Certamente que tenho muito orgulho deles. A grande maioria que conheço ama o que faz e sabe que é determinante na vida de muitos. Que jamais percam o brilho dos olhos e a esperança que nos acompanha todos os dias. Sabemos que ainda temos e podemos melhorar muito, mas nenhum recurso tecnológico supera o agir do homem de boa vontade”.

 

GRATIDÃO DAS CRIANÇAS – Em nome de todas as crianças, perguntamos também a dois seres muito conhecidos nossos, que fazem parte de todo este universo do professorado, o que gostariam de dizer aos professores neste momento de comemoração.

 

Luiz Guilherme tem 9 anos e deseja que todos os professores sejam muito felizes

 

“Obrigada a todos os professores deste mundo, a todos eles que ensinam a gente, que eles possam ter uma vida muito feliz, porque o trabalho deles é muito bom e importante, sem eles a gente não seria o que a gente é hoje em dia”, disse de pronto Luiz Guilherme Estefani Oliveira, que tem 9 anos e está no 3º ano.

 

Gabriela diz que os professores são muito legais proque ensinam muito as crianças

 

A pequena Gabriela Estefani, de 8 anos, que cursa o 2º ano, começou dizendo que “os professores são muito legais, fazem a gente aprender bastante pra ser um adulto muito inteligente, por isso merecem parabéns e um abraço bem apertado”.

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