quinta, 13 de junho de 2024

Amigos no trabalho e no futebol se encontram depois de mais de 30 anos

Hernani Corrêa

As redes sociais afastam cada vez mais as pessoas que conversam e trocam fotos através do Facebook, WhatsApp e outros meios. Mas nem todos de mais idade tem esse costume.

Baseado nisso e conhecedor de um grupo de amigos que, além de trabalhar, jogavam bola juntos praticamente todos os dias, o diretor do NovoNegocião, jornalista Hernani Corrêa, resolveu reunir novamente esse grupo.

Os amigos trabalhavam na extinta MC Construtora, de Mário Cury, empresa que levantou diversos edifícios na cidade. Depois, alguns foram para a Brasimac, montaram seus negócios próprios e outros continuam no ramo de construção até hoje.

O encontro aconteceu no último sábado, 17, onde dois que moram em Bauru/SP e Itajaí/SC se deslocaram de suas cidades para reencontrar os parceiros de tantas jornadas. Foram cinco horas conversando e relembrando os velhos tempos.

“Estou muito satisfeito de rever esses amigos que passamos bons momentos juntos, o Tião hoje com 77 anos, não mudou nada em sua fisionomia, seus filhos que também jogamos juntos. O importante é que não só jogávamos bola juntos, mas também éramos amigos, disse Luiz Roberto Estefani, que mora em Bauru e tem duas lojas de móveis em Agudos.

“Onde eu e o Tião íamos, tinha um jogo de camisa, bola de campo e de salão, chuteira e tênis no porta malas do carro. A noite a gente sempre ia jogar bola. Aí marquei um jogo lá em Maringá, nós tínhamos um jogo de camisa branco. Nós só íamos em cinco, porque ninguém admitia sair, não tínhamos reservas. Quando entramos na quadra, os outros começaram a caçoar do Tião, gritando, ô fazendeiro, gordão! Ele olhou pra mim e disse: no fim será nós que vamos dar risada. Não é que o cara saiu aplaudido da quadra. Era só jogar pra ele que ele estufava a rede, pois batia bem com os dois pés”, conta Estefani.

“Uma certa ocasião, eu e o Tião estávamos a 200 km, em Penápolis e viemos jogar bola num torneio pela Brasimac. Chegamos aqui, tinha um técnico, o “Toninho”, que deixou o Tião na reserva, o Tião ficou louco da vida. A gente viajava toda essa distância, jogava e voltava, porque no outro dia tínhamos que trabalhar cedo”, relembra Luiz, hoje com 58 anos.

Outro que também participou do encontro foi Sebastião da Silva, 77 anos, que tinha o apelido de ‘Tião Branco’. “Adorei reencontrar esse amigos, pude ajudar quando o Luiz entrou na Brasimac. E deu certo pra ele e pra mim também”, comentou ‘Tião’.

O terceiro integrante do grupo veio de mais longe. Mário da Silva (Marinho), 52 anos, é filho de ‘Tião e hoje tem loja de móveis em Itajaí/SC.

“Lembro muito dele, (Estefani), pena que machucou o joelho e parou, pois era um zagueirão, batia em todo mundo.  Ainda jogo bola com amigos de 26 anos, e coloca em prática o que aprendi naquela época. Se colocar bem no campo, distribuir o jogo e ficar ali na banheira para fazer os gols”, comenta Marinho, que jogava no meio de campo.

O mais novo de todos, Sebastião Roberto da Silva, ‘Beto’, como é chamado ainda trabalha no ramo de construção. ‘Beto’ é o filho caçula de Tião, que o ensinou a trabalhar e dirigir desde os 14 anos.

“Eu era muito novo, tinha 14 ou 15 anos de idade, meu pai já levava, mas eu ainda não trabalhava com ele. Ele dirigia, se cansava e passava o carro pra mim. Estávamos numa obra em Maringá, na 3ª ou 4ª laje, e resolvemos jogar bola. Mas onde, se não tinha quadra nenhuma para alugar?. Aí jogamos na laje do prédio mesmo, fizemos dois golzinhos com uniforme e tudo, há mais de 30 anos atrás. Eu era o goleiro do time, e só parei porque a barriga cresceu muito”, afirma orgulhoso de ter sido um grande goleiro.

Um outro amigo foi convidado, o Ernesto Kurt Franze, que trabalhou na Brasimac, Ponto Frio, atualmente está aposentado e mora em Artur Nogueira/SP. Por problemas particulares, não pode comparecer.

A história não acaba aqui, segundo eles, porque tem outros que pretendem localizar e marcar um novo encontro.

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