terça, 10 de março de 2026
Publicado em 03 jun 2016 - 05:10:41
É crescente e visível a revolução mundial pela conscientização e defesa da causa animal, muitos países estão a frente nessa luta há anos e no Brasil esse reconhecimento tem avançado sobremaneira. A ciência tem demonstrado que os animais são seres conscientes (sensíveis-cientes) onde tudo que é relevante para humanos é neles também. Quem alerta é o ativista membro da ADAO – Associação de Defesa dos Animais de Ourinhos, Rubens Antônio Manéa, que pontua: “O homem se colocou no topo da hierarquia da existência de onde subjuga, domina, descaracteriza, discrimina e explora os animais como quer. Isto é uma condição milenar passando de uma geração a outra, basta lembrarmos que o escravismo durou séculos explorando seres da mesma espécie levando o racismo as últimas consequências.”
Conforme Manéa, a exploração dos animais está no modo como nos alimentamos, vestimos e no lazer, lembrando que nos alimentamos de carne animal por prazer, já que é possível ser vegetariano. “Não nos alimentamos por necessidade como fazem os animais quando caçam. Sabemos que alterar nosso prato de cada dia não é fácil, mas podemos colaborar não explorando as vestes e o lazer degradante usando animais”, declarou.
Ele destaca que na Constituição existe pelo menos 6 leis, 4 decretos, códigos, portarias e convenções versando sobre o tema e o que falta mesmo é conscientização. Cita uma dessas leis que é bem antiga, de 1934 que proibiu a briga de galo, briga de canários, farra do boi e garraios, mas que até hoje ainda existem clandestinamente. Ele não concorda quando chamam a exploração animal de cultura popular ou tradição, principalmente em eventos onde se pratica a paleteada, rodeio, gineteada, vaquejada e freio de ouro, tão comum no país.
“É um retrocesso ir contra essa revolução. O rodeio tinha uma herança do campo sim, que foi se perdendo com o manuseio inadequado dos animais, além da marcação com ferro quente, castração sem anestesia, corte de chifres com serra e ferro quente e confinamento para o abate. Os touros e equinos de rodeio não são poupados depois de serem maltratados, o matadouro é o destino desses animais após terem sido explorados economicamente pela sua dor. Em 2007 foram exportados mais de 13 milhões de kg de carne de cavalos”, afirmou.
Ele explica que estudos revelam que cavalos sofrem muito nas montarias e que sedém e esporas não fazem parte da lida do dia-a-dia dos pequenos e mesmo dos grandes pecuaristas. Manuais de odontologia equina demonstram que não é nada prazeroso para o animal o uso de ferraduras, freios ou bridões nos cavalos causando graves lesões.
Ainda falando sobre tradição o ativista da ADAO argumenta que “o rodeio no Brasil é totalmente americanizado, além do figurino, até as regras foram copiadas dos americanos”. Ressalta que os maus tratos do rodeio geralmente são realizados durante 4 dias e que esses eventos por si só já não atraem público, eles são levados aos eventos do gênero por conta dos shows musicais movimentando milhões em benefício somente dos organizadores e poucos participantes.
“Rodeio não é tradição e muito menos cultura, os organizadores desses eventos aproveitam do público que quer ver shows e parques de diversão. Eu desafio a fazerem um rodeio sem grade de shows e veremos que será um fracasso. Vejo como uma falácia a suposta ajuda para o hospital do câncer, os organizadores do rodeio de Barretos estão envolvidos no escândalo da CPI dos Rodeios. Levantaram mais de 8 milhões de dinheiro público do Ministério do Esporte e Turismo para usar na estrutura onde realizam o cruel “espetáculo”, criticou.
Conforme Manéa o ativismo em defesa dos animais em todo o país condena a ideia de elevar os rodeios a patrimônio cultural imaterial do Brasil. “O que querem mesmo é buscar mais uma fonte de incentivo financeiro, ou seja dinheiro do povo para uma atividade cruel contra os animais. Evolução e consciência é a palavra chave pois isto não é tradição nem cultura, é retrocesso”.
Manéa está à frente de um abaixo assinado na internet (AVAZ.ORG) contra a proposta do deputado federal Capitão Augusto na Câmara Federal, que visa elevar rodeios a categoria de patrimônio cultural imaterial do país. O protesto será apresentado e registrado em ata de audiência pública sobre a questão, a ser realizada em comissão do Congresso na próxima 2ª feira dia 06.
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