quinta, 18 de abril de 2024

Apesar das iniciativas públicas cães sem teto ainda sofrem consequências de abandono e maus tratos

Problema nacional, em qualquer que seja a cidade, é muito comum se deparar com cachorros de rua revirando o lixo comendo o que encontram pela frente

 

José Luiz Martins

 

Notícia divulgada no site da Prefeitura de Ourinhos na última semana trouxe a informação de que mais de 50 casinhas para abrigar cães moradores de rua foram instaladas em vários pontos da cidade. Os primeiros abrigos com cobertores para animais sem teto foram instalados em maio no calçadão, ocasião quando o Fundo Social de Solidariedade anunciou a ação em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente na campanha “Cachorro Quente”.

Na época, a presidente do Fundo Social Luana Alves, afirmou que “Os animais também são prioridades dentro das ações do fundo, com a queda nas temperaturas, os animais sofrem tanto quanto as pessoas e, com essa ação iremos minimizar os efeitos das baixas temperaturas, oferecendo abrigo aos cãezinhos que ainda não contam com um lar”. Os valores dispendidos com a campanha e a compra não foram mencionados.

Problema nacional, em qualquer que seja a cidade, é muito comum se deparar com cachorros de rua revirando o lixo comendo o que encontram pela frente, são animais obrigados a acharem alternativas para se alimentar e abrigarem-se de frio e chuva. Podem ter chegado a esse ponto por razões diferentes, talvez por se perderem dos locais onde viviam com suas famílias, mas na maioria das vezes foram abandonados por seus tutores ou mesmo se tratarem de cães que nunca chegaram a ter um lar.

É complicado determinar quantos cães e mesmo gatos que estão a vagar pela cidade, como também o é, fazer com que esses animais soltos se habituem ao acolhimento dos abrigos voluntariamente disponibilizados em locais públicos.

 

Iniciativas são válidas, mas ainda não minimizam os números de animais nas ruas

Transeuntes que prestarem atenção a qualquer hora do dia, seja pelo calçadão ou bairros, vão perceber que apesar de esforços tanto da iniciativa pública quanto privada, das campanhas de cuidadores de animais, falta muito para proteger de vez esses animais, que acostumados a viverem perambulando pelas ruas, demoram a tomar posse do benefício oferecido, por exemplo, com as instalações das casinhas, organizada pela prefeitura.

Na última segunda-feira, 31, e terça, 1º/11, quando as temperaturas caíram drasticamente devido a frente fria em que a mínima caiu a 10 graus e as máximas não passaram dos 20, logo pela manhã, em pelo menos dez casinhas chumbadas a frente de lojas no calçadão e outras ruas do centro não havia cães usufruindo do abrigo e tão pouco dos cobertores.

De acordo com alguns lojistas e pessoas que trabalham no calçadão e adjacências, que falaram à reportagem do Negocião, as casinhas não estão tendo a utilidade desejada, mesmo que comida e água sejam colocadas próximas aos abrigos. Um dos lojistas ouvidos pela reportagem, que preferiu não se identificar, vê a iniciativa como uma preocupação muito válida, mas diz que, desde que foram instalados os abrigos é raro ver algum animal se utilizado da proteção.

Para o comerciante, na prática, é difícil que funcione, pois os animais talvez poderão se abrigar se sempre houver em algum momento o estímulo das pessoas: “É complicado, os cachorros não vão olhar pra isso e entender pra que serve, senão tiver alguém por perto que de alguma forma os acomodem em um dia frio por exemplo. A gente põe ração e água, eles comem e vão embora sozinhos, não irão se acomodar. Não funciona, eles estão acostumados a viver nas ruas de lá pra cá sempre buscando comida” observou.

Daiana Cristina Luciano, auxiliar administrativa, moradora no Jd Itamaraty que trabalha no Calçadão, disse à reportagem que existem mais cachorros soltos nos bairros; “Lá na minha rua mesmo ficam vários durante o dia, não sei se eles têm casa, no centro tem menos que nos bairros. Ultimamente eu não vejo, mas quando instalou estava fazendo frio e cheguei a ver cachorrinhos nas casinhas, mas não tenho visto já faz um tempo”.

Ela acredita ser difícil fazer com que os cães se sintam seguros porque eles estão acostumados na rua, “eu não sei se fica cheiro de outro cachorro e eles não entram por isso. Algumas lojas têm o hábito de comprar a ração e colocar um potinho de comida e um potinho de água para fora das lojas, mas eles comem e vão embora”.

Ana Paula Martins, diarista, residente no Itajubi, trabalha na área central e disse: “Por enquanto não vi ainda cachorro nessas casinhas, eu passo todo dia aqui várias vezes, tem bastante casinha por esses lados, mas parece que não tá servindo de nada. Tem que por nas vilas que tem bastante animal largado”.

Para o montador ótico Altieres Antônio Nogueira, a ideia é válida porque se os cães precisarem de um abrigo eles terão onde se esconder. “Olha eu durante o dia não vejo os cachorros, mas sei que tem, à noite eu também não posso te dizer, mas eu acho que o problema é eles entenderem isso por vontade própria. Eu vejo a grande maioria das lojas colocar ração, o que é um atrativo para os cachorros e uma ou outra casinha pode ser utilizada. Mas é complicado, porque o cachorro de rua está acostumado a ficar no relento, aí coloca uma casinha ele não sabe que é para ele, e os cachorros marcam território se ele sentir o cheiro de outro cão ali ele não vai aceitar”.

Segundo a auxiliar de escritório Nicole Costa do Jd. Itamaraty, as casinhas são bem pouco utilizadas e às vezes vê um ou outro cão por perto, mas não nunca viu entrarem nos abrigos. “Eu acho que é difícil eles se adaptarem por eles morarem na rua e reconhecer que é para eles, tem que ter ação de alguém nisso. Não adianta você colocar o alimento ali, e a maioria dos que eu vejo por aqui são um pouco maiores e não cabem nas casinhas”.

Cícera Souza de Assis, operadora de caixa, residente no Jardim Matilde, afirma que “vejo sim na porta das lojas que colocam ração e água, eles veem só para comer, beber e saem. A maioria é cachorro grande, eles passam pela casinha e nem tentam entrar, eles já convivem no dia a dia por aqui, mas parece que gosta mesmo é da rua. É complicado, mas a gente faz a nossa parte coloca água e comida, mas dentro da casinha não vejo”.

Para ela é difícil uma forma que poderia os fazer usarem dizendo ainda que encontra muitos cachorros circulando de manhã e a tarde quando sai do trabalho. “Mas eles passam pelas casinhas como se fosse algum objeto qualquer, eles não têm noção que aquela casinha ali pode ser para eles, quando chove eles vão correndo pra frente das lojas se projetem debaixo dos toldos”.

 

MORADORES PODEM FAZER SOLICITAÇÕES – Postagem da prefeitura informou que as casinhas estão sendo instaladas em pontos específicos da cidade, e também atendendo a solicitações de moradores. Recentemente mais 10 abrigos foram instalados, no bairro Pacaembu, no Calipeiro, Praça da Vila Odilon, CDHU, Cohab, Praça da Kennedy, CEU, Praça da Cohab, AME, Praça SAE.

 

ABANDONAR ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO É CRIME

O abandono é considerado uma das formas de maus-tratos a animais, para as quais a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/98) estabelece pena de três meses a um ano de detenção e multa. Além disso, a Lei Federal nº 14.064/2020 ampliou, com reclusão de dois a cinco anos e proibição da guarda, as penalidades para quem comete maus-tratos contra cães e gastos. Caso o animal venha a falecer, a pena é aumentada de um sexto a um terço.

 

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