terça, 10 de março de 2026
Publicado em 05 out 2018 - 03:57:19
Letícia Azevedo
A partir das 14h00 da quinta-feira, 4, o Conselho de Sentença se reuniu no Fórum de Ourinhos, para decidir o futuro do policial reformado Wellington Aparecido da Silva, acusado de homicídio triplamente qualificado – Motivo Fútil, Feminicídio e Impossibilidade de Defesa. Após nove horas de julgamento, Wellington foi condenado a 30 anos de reclusão.
O advogado de defesa apelou por um júri formado apenas por homens, na intenção de aliviar a pena do acusado, e ainda tentou argumentar e defender a tese de que Josiane vinha provocando o réu com suas atitudes, que mantinha falsas esperanças em reatar o relacionamento e acabava o frustrando. Por isso o advogado defendeu que o motivo fútil, deveria ser descartado pelo júri, pois se houve as “provocações” deixaria de ser um motivo fútil.
Em seu depoimento, o réu se considerou inocente, afirmando que estava nervoso, mas não efetuou os disparos com intenção de acertar e matar Josiane. Após o crime, segundo Wellington, ele se dirigiu para a cidade de Andirá, no Paraná. Afirmou também que a arma foi jogada em um rio.
Foram várias as contradições das testemunhas de defesa, inclusive uma das testemunhas mudou completamente o depoimento que deu na delegacia, e depois no fórum. Isso causou estranheza ao júri, e ao promotor público que questionou a conduta da testemunha.
A mãe de Josiane também foi convocada a dar seu depoimento, e acabou narrando vários episódios de uma “tragédia anunciada”, onde ocorreram várias agressões e ameaças. Inclusive uma medida protetiva chegou a ser expedida contra Wellington, porém não foi mais levada em conta, tendo em vista que a própria Josiane teria voltado atrás e voltado a se relacionar com o réu.
Em decorrência de todos os fatos, prevaleceu por fim a tese da acusação, que defendeu que por mais que houvesse a “provocação” o réu não teria direito de tirar a vida da ex-esposa. A juíza acabou por sentenciar a Wellington a pena de 30 anos de reclusão em regime fechado.
RELEMBRE O CASO – No dia 12 de agosto de 2017, perto das 4h da manhã, na Rua Vitório Christoni, Jardim Santa Fé, após um desentendimento, Wellington Aparecido Silva, 51 anos, policial reformado, estudante de Direito, deu três tiros na ex-esposa, Josiane Cristina Calistro, 37 anos, universitária. A moça estava dirigindo um carro, na companhia de um amigo para o qual estava dando carona após sair de uma casa noturna. O motivo do crime teria sido ciúmes.
Josiane ainda dirigiu por alguns metros e acabou colidindo em um poste, o amigo nada sofreu. Mesmo sendo socorrida, ela não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo na Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos. O autor confesso, Wellington, ficou foragido, mas se entregou poucos dias depois.
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