segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 10 jun 2023 - 08:24:54
Por intermédio dos profissionais da instituição os atendimentos são realizados em parceria com as secretarias do município na área da saúde, assistência, educação
José Luiz Martins
Mais de 5% da população mundial necessita de reabilitação para lidar com perda auditiva incapacitante e de acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 um em cada dez indivíduos, mais de 700 milhões de pessoas, terão perda auditiva. A prevalência da surdez aumenta com a idade, entre aqueles com mais de 60 anos, mais de 25% são acometidos por perda auditiva incapacitante.
No Brasil há milhões de surdas e surdos e a realidade dessas pessoas vai além da perda auditiva, eles também sofrem por conta da exclusão que impacta e afeta muitos aspectos da vida como comunicação e fala, conhecimento, educação, acesso ao mercado de trabalho, isolamento social, solidão e estigma.
Para enfrentar a exclusão e as barreiras que isolam as pessoas surdas, cada vez mais a Língua Brasileira de Sinais (Libras) tem se tornado popular, é a segunda linguagem oficial do país instituída em 2002 com a Lei nº 10.436.
Em Ourinhos esse enfrentamento nas causas dos surdos tem sido levado adiante pela ASO (Associação Amigos dos Surdos de Ourinhos e Região), uma organização não governamental (ONG) que auxilia pessoas surdas que precisam de acolhimento em diversos serviços, seja na área social, saúde e até mesmo de empregabilidade.
Conforme Clícia Prado, vice-presidente da ASO, que falou à reportagem do Negocião, as principais barreiras de comunicação e informação na vida das pessoas surdas é o oralismo que ainda impera, atrasando a difusão da língua de Libras para integração das pessoas surdas na sociedade.

ORALISMO – O oralismo visa a capacitação da pessoa com surdez para que utilize a língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, como única possibilidade linguística, de modo que seja possível o uso da voz e da leitura labial, tanto na vida social, como na escola. Tem o objetivo de reabilitação a pessoa surda em direção à normalidade.
“A Língua é um fator importante para o desenvolvimento do indivíduo em sua construção de identidade para reconhecimento e pertencimento, nessa reflexão é preciso compreender a importância da ‘Libras’ e favorecer sua aceitação e legitimação para avanços na inclusão” ressaltou Clicia.
Ela aponta que o Brasil tem mais de 10 milhões de pessoas surdas. Em Ourinhos, segundo o censo de 2010, temos 1.362 pessoas com surdez entre severa e profunda. Na Associação Amigos dos Surdos de Ourinhos e Região atualmente 58 pessoas surdas estão cadastradas.
O trabalho desenvolvido pela associação conta com o apoio de 18 funcionários, entre eles dois professores de Libras, quatro intérpretes, duas psicólogas, uma assistente social, dois recepcionistas, quatro administrativos, um orientador, um coordenador geral e um motorista.
Por intermédio dos profissionais da instituição os atendimentos são realizados em parceria com as secretarias do município na área da saúde, assistência, educação. Segundo a presidente da ASO, os atendimentos educacionais objetivam o ensino da ‘Libras’ apoiados em projetos sociais para construção nas vivências.

“As pessoas cadastradas utilizam dos serviços da ASO, assim como as não cadastradas (situações em acolhimento) e não há custos em nenhum atendimento na ASO. A entidade hoje se mantém por doações de amigos e parceiros e um convênio com a prefeitura de Ourinhos. Mais parcerias estão sendo acordadas também com empresas para assessoria à surdez nas vagas PCD”, explicou Clícia.

A associação atende hoje casos de deficiência auditivas moderada, severa e profunda. Os casos de surdez estão divididos na ASO em condições para atendimentos de pessoas surdas que conhecem a ‘Libras’ – conseguem ler e escrever, além de pessoas que apresentam outras deficiências, pessoas surdas que adquiriram ao longo da vida a deficiência conseguem oralizar.
ASO EM OURINHOS – A associação promove no município acessibilidade através do canal de comunicação na prestação de serviços de interpretação na Libras e Língua Portuguesa; atendimento psicológico para pessoas surdas e familiares; apoio à assistência social com projetos em parcerias com a faculdade Estácio (fisioterapia e área jurídica); processo Educacional no ensino da Libras; integração ao trabalho com parceria da secretaria de desenvolvimento econômico, trabalho e turismo; diversas atividades com seus associados de modo a buscar uma boa convivência e inclusão da pessoa surda nos diversos ambientes em que pode frequentar.
E mais uma iniciativa, em parceria com a Prefeitura de Ourinhos, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão, deu início à Oficina de Jogos de Tabuleiro para surdos e familiares.
A oficina tem por objetivo a inclusão social, além de possuir efeito terapêutico, proporcionando um espaço de interação entre surdos e ouvintes. O intérprete Hiago Felipe Machado Plácido está à frente a mediação da oficina, que teve início dia 2 de junho e acontecerá todas as sextas-feiras.
A oficina também será destinada ao treinamento para competições, propiciando a inserção social por meio do esporte. Outras modalidades de esporte como futebol e basquete serão ofertadas pela ASO nos próximos meses.
O secretário de Inclusão, Professor Robson Sanches, esteve na ASO acompanhando o primeiro dia da oficina e falou da importância de mais esta ação inclusiva. “Quero agradecer a ASO pela parceria desta oficina, que é muito importante para as pessoas surdas desenvolverem suas potencialidades além de contribuir para superarem cada vez mais seus limites”.
As oficinas estão sendo realizadas na sede da ASO, à Rua Euclides da Cunha, 836. Outras informações sobre a associação, as atividades oferecidas e como participar, podem ser obtidas através do Whatsapp (14) 99779-5812 para atendimento com a interpretação.
Sede da ASO Rua Euclides da Cunha , 836 CentroAcompanhe as redes sociais da ASO e fique por dentro de tudo o que a entidade promove
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Causas da perda auditiva e surdez: Embora esses fatores possam ser encontrados em diferentes períodos ao longo da vida, os indivíduos são mais suscetíveis a seus efeitos durante os períodos críticos da vida.
No período pré-natal: fatores genéticos, incluindo perda auditiva hereditária e não hereditária, infecções intrauterinas – como rubéola e infecção por citomegalovírus.
No período perinatal: asfixia de nascimento (falta de oxigênio no momento do nascimento, hiperbilirrubinemia (icterícia grave no período neonatal), baixo peso de nascimento, outras morbidades perinatais e seu manejo.
Infância e adolescência: infecções crônicas do ouvido (otite média supurativa crônica), acúmulo de líquido no ouvido (otite média não supurativa crônica), meningite e outras infecções
Maioridade e velhice: doenças crônicas, fumar, otosclerose, degeneração neurossensorial relacionada à idade, perda auditiva neurossensorial súbita.
Fatores ao longo da vida: Impactação de cerume (cera de ouvido impactada), trauma no ouvido ou na cabeça, ruído alto/sons altos, medicamentos ototóxicos, produtos químicos ototóxicos relacionados ao trabalho, deficiências nutricionais, infecções virais e outras condições de ouvido, início tardio ou perda auditiva genética progressiva.
Prevenção: Muitas das causas que levam à perda auditiva podem ser evitadas por meio de estratégias de saúde pública e intervenções clínicas implementadas ao longo da vida. A prevenção da perda auditiva é essencial ao longo da vida, desde os períodos pré-natal e perinatal até a velhice. Em crianças, quase 60% das perdas auditivas são causadas por causas que podem ser evitadas por meio da implementação de medidas de saúde pública. Da mesma forma, as causas mais comuns de perda auditiva em adultos, como exposição a sons altos e medicamentos ototóxicos, são evitáveis.

Fonte: Relatório mundial da OMS sobre audição (2021)
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