sexta, 24 de maio de 2024

Aumento da criminalidade se deve à falta de policiamento, acredita população

Renata Tibúrcio

             Em se tratando de criminalidade, o ano de 2016 foi bastante violento. Os reflexos de inúmeras deficiências na administração em suas esferas refletem não somente no contexto geral do Brasil, criando o perfil de um país cada vez mais perigoso para se viver, mas também atingem cidades interioranas que sofrem, em uma escala ainda maior, com o cenário político decadente. Embora os dados da Segurança Pública apresentem uma oscilação mês a mês quanto a quantidade de crimes que são cometidos, ao se questionar um cidadão sobre o quanto ele se sente seguro na cidade em que vive a resposta é imediata: não me sinto seguro. A maioria pensa que a cidade não possui o número suficiente de policiais para oferecer uma segurança de qualidade para seus moradores.

            Sendo assim, registros de furtos, roubos, homicídios, acidentes de trânsito, violência doméstica e o tráfico de drogas, não diferente de outras cidades e decorrente de vários fatores sociais e culturais, formam o cotidiano comum também de Ourinhos. No ano de 2016, fatos inusitados estamparam a capa de jornais da cidade e mostraram que ao passo que a cidade cresce, a criminalidade, não bem vinda, acompanha este avanço. Um roubo cinematográfico em outubro passado chamou a atenção até da mídia nacional quando bandidos fortemente armados em um crime arquitetado roubaram malotes que somaram mais de R$ 20 milhões no aeroporto de Ourinhos. A polícia investiga o caso, mas até o momento os bandidos que utilizaram fuzis e carros de luxo para praticar o crime não foram presos.

Ao mesmo tempo que falta segurança, a população também questiona a preparação dos policiais que atuam nas ruas diariamente. O caso do menino Bryan que morreu com um disparo de arma de fogo de um policial em plena noite de Fapi (Feira Agropecuária e Industrial) também colocou em pauta a preparação desses profissionais e, em meio as medidas que se querem adotar economicamente, a preocupação fica cada vez maior. A Polícia Civil do Estado de São Paulo nos últimos anos vem trabalhando com o número bem abaixo do quadro de funcionários e a população já sente na pele e cobra uma resposta. O delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais de Ourinhos) Dr. João Ildes Beffa falou que assim como os munícipes o delegado também diz que a falta de policiais civis é preocupante, pois o pouco que tem estão prestes a aposentar. “A Polícia Civil precisa urgentemente de funcionários para dar continuidade nos trabalhos, seja ele de investigação, combate ao tráfico e até mesmo o registro de um Boletim de Ocorrência”, concluiu o delegado.

A cabeleireira Tatiane Laís percebe que falta policiamento nos bairros inclusive nas portas das escolas, favorece para que os traficantes e até mesmo os marginais ajam livremente. “O aumento de uso de drogas esse ano foi assustador e temendo que isso aumente ainda mais, temos que ter mais policiais nas ruas e lógico que os pais também devem cuidar de seus filhos”, relata Tatiane. A artesão Cleia Regina Purcini de Assis, sente falta de policiamento na Base da Polícia Militar na Praça Melo Peixoto. “O policiamento em nossa cidade é muito fraco eu mesma já acionei várias vezes uma viatura e não veio, ficamos aqui na praça vendendo nossos artesanatos e vemos o tanto de pessoas suspeitas que circulam pelos arredores da praça. Agora até tráfico de drogas está sendo realizado aqui, acredito eu que é por falta de policiamento, pois temos uma Base da Polícia na Praça, mas que não tem policiais”, opinou a artesã.

Rogério José Fernandes possui um açougue na Cohab há alguns anos e segundo ele a falta de patrulhamento no bairro e a iluminação precária favorecem para o aumento da criminalidade. “Todas as quintas-feiras ocorre a Feira da Lua na Cohab e neste dia o bairro vem recebendo grande número de adolescentes (que não são do bairro) e nos últimos dias sem a presença da Polícia que foi cortada pela prefeita, esses jovens vem provocando algazarra, brigas e até mesmo o uso constante de bebidas e drogas, o que acaba espantando a população que vem para prestigiar a feira e até mesmo o meu comércio”, desabafou Rogerio. Rogerio contou que instalou o sistema de monitoramento no interior e exterior de seu açougue tudo como medida de segurança, porém a precariedade da iluminação pública deixa a desejar, “antes de fechar as portas do açougue eu saio, olho para cima e para baixo para ver se não tem ninguém olhando e quando vejo uma moto se aproximando já fico esperto, pois minha esposa já foi assaltada aqui”, finalizou.

Janete Almeida acredita que a cidade deveria investir mais em projetos sociais para a garotada e na segurança em toda a cidade. “Eu acho que tem que aumentar a segurança da cidade para evitar essa roubalheira inclusive na Feira da Lua, depois que acaba a feira é terrível, só quem mora próximo sabe o que estou falando. As escolas também deveriam investir mais em projetos, assim ocupariam o tempo dos jovens evitando que entrem para o mundo da marginalidade. E por ai é o começo, bom eu acho”, sugeriu Janete.

 

 

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