domingo, 19 de maio de 2024

Baixa adesão da população à campanha de vacinação contra a gripe preocupa os profissionais de saúde

Alexandre Mansinho

Há pouco mais de uma década o serviço público de saúde iniciou a campanha de vacinação contra a gripe. No início apenas os idosos eram imunizados, mas, com o passar do tempo, esse público foi sendo ampliado e passou a incluir doentes crônicos, gestantes, crianças e alguns grupos profissionais.

Especialistas dizem que, por causa do sucesso de campanhas anteriores, os indivíduos acreditam que a revacinação, ou a renovação da dose, não é tão necessária. Quando a pessoa não fica doente ou tem apenas gripes leves, não atribui a vacina esse fator positivo. A bióloga Célia Fátima Silva Exposto, coordenadora de vigilância em saúde de Ourinhos, revela números preliminares que são muito negativos: “nossa meta era vacinar 90% da população dos grupos prioritários, somando um total de 23.432 pessoas, no entanto pouco mais de 50% compareceu aos postos de saúde”.

Riscos – Dr. Jadir Grilo, diretor clínico do Centro de Saúde I de Ourinhos (Postão), adverte para os riscos a longo prazo dessa baixa adesão da população à vacinação contra a gripe: “a população foi esclarecida conforme deveria sobre os benefícios dessa vacina, a propaganda foi intensa, mas alguns fatores culturais acabam tornando a ida ao posto de saúde uma grande dificuldade. Precisamos nos conscientizar que os grupos populacionais que têm a vacina recomendada pelas autoridades de saúde (idosos, crianças, profissionais de saúde, professores, carteiros e doentes crônicos), são os mais prejudicados quando adoecem. Idosos, por exemplo, por terem uma imunidade mais baixa, correm mais riscos de vida quando pegam uma gripe. A gripe é a principal causa de faltas ao trabalho, internações e gastos com a saúde pública”.

Crianças e Idosos – Dra. Célia Exposto diz que a Secretaria de Saúde, nessa reta final da campanha nacional de vacinação, irá tomar medidas mais enérgicas para incentivar as pessoas a se imunizar: “Já entramos em contato com a Secretaria de Educação para que as escolas incentivem as crianças a irem aos postos de saúde. Se for necessário até colaremos bilhetinho nos cadernos”. De fato, o grupo das crianças de 6 meses a 4 anos é o que menos aderiu à campanha: apenas 31% foi imunizado. Os idosos, grupo que tradicionalmente costuma procurar os serviços de saúde, também tiveram uma baixa adesão – cerca de 61% apenas compareceram.

Prorrogação da campanha – “Tradicionalmente nós sempre continuamos a vacinação para além do prazo estabelecido. Enquanto houver vacinas nos postos a população poderá ser imunizada. Porém, com a baixíssima adesão que está acorrendo esse ano, há a possibilidade de haver uma ampliação da divulgação e, nacionalmente, uma prorrogação do período da campanha”, afirma Dra. Célia: “convém lembrar que devem procurar a imunização em todos as Unidades Básicas de Saúde (UBS) pela cidade os idosos, as crianças de 6 meses a 4 anos, os trabalhadores de saúde, as gestantes, os professores, os policiais, os carteiros e os doentes crônicos. Os trabalhadores que não puderem ir durante o dia às UBS poderão comparecer ao Postão até às 22 horas”.

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