segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 13 nov 2024 - 11:15:38
Cidade paulista é um elo vital para a captação e transporte de órgãos, com a Santa Casa de Ourinhos desempenhando papel fundamental no sistema nacional de transplantes.
Alexandre Mansinho
O Brasil tem se consolidado como um dos líderes mundiais na realização de transplantes de órgãos sólidos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Essa posição é resultado de uma rede de logística altamente eficiente, coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), em parceria com o Ministério da Saúde e a Força Aérea Brasileira (FAB). Em meio a esse sistema, a cidade de Ourinhos, localizada no sudoeste do estado de São Paulo, se destaca como um ponto estratégico crucial para a captação e transporte de órgãos.
A Santa Casa de Ourinhos tem sido uma referência no processo de captação de órgãos no Brasil. A unidade hospitalar, com sua Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), tem um papel ativo na realização de captações que salvam vidas em várias regiões do país. Em 2023, foram captados 15 órgãos e 23 córneas, com o apoio fundamental da FAB, que atua no transporte das partes do corpo humano para as diferentes regiões do Brasil.
A Enfermeira Marta Gonçalves, responsável pela CIHDOTT da Santa Casa de Ourinhos, destaca a importância da parceria com a Força Aérea Brasileira, que realiza o transporte gratuito dos órgãos: “a FAB é uma grande parceira no recolhimento e encaminhamento desses órgãos, mas, quando necessário, o Sistema Nacional de Transplantes também envia aviões particulares para garantir que os órgãos cheguem a tempo”, comentou Marta.

O Delicado Processo de Transporte — A logística de transporte aéreo é uma das chaves para o sucesso do sistema de transplantes no Brasil. A FAB disponibiliza suas aeronaves de forma permanente para atender às demandas do SNT, garantindo que os órgãos sejam entregues rapidamente aos pacientes que aguardam por um transplante. Desde 2016, a Força Aérea Brasileira já transportou mais de 1.783 órgãos em 1.569 missões, com destaque para o fígado e o coração, que são os órgãos mais transportados.
Esse sistema de transporte gratuito é essencial, pois assegura que os órgãos cheguem ao destino final dentro da janela de tempo necessária para o sucesso do transplante. A integração entre hospitais como a Santa Casa de Ourinhos, o SNT e a FAB tem sido fundamental para salvar vidas e melhorar as taxas de sucesso dos transplantes no país.
Desafios do Sistema de Transplantes — Apesar dos avanços e da grande capacidade do Brasil em realizar transplantes, o sistema ainda enfrenta desafios significativos. No primeiro semestre de 2024, 1.793 pessoas morreram enquanto aguardavam um transplante de órgão. Esse número representa 7,8% dos pacientes que estavam na lista de espera, mostrando que, mesmo com uma alta taxa de realização de transplantes, a demanda continua sendo muito maior do que a oferta.
A Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) informou que nem todas as mortes registradas estão diretamente relacionadas à falta de um órgão, mas sim a complicações que surgem enquanto o paciente aguarda. Esses dados ressaltam a necessidade de melhorar ainda mais o sistema de captação e distribuição de órgãos, além de promover uma maior conscientização pública sobre a importância da doação de órgãos.
Conscientização: O Desafio da Doação de Órgãos — Embora o Brasil tenha realizado 9.255 transplantes em 2023, a fila de espera para um órgão continua a crescer. No momento, cerca de 44.827 pessoas aguardam por um transplante, sendo o rim o órgão mais requisitado, com mais de 41 mil pacientes na lista de espera. Em seguida, estão o fígado, com aproximadamente 2,3 mil pacientes, e o coração, com 436.
A conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos é um dos maiores desafios enfrentados pelo sistema de transplantes no Brasil. Segundo Marta Gonçalves, a educação e o incentivo à doação são fundamentais: “em 2023 a Santa Casa de Ourinhos realizou 38 captações de órgãos, mas o número de famílias que disseram ‘não’ foi mais do que o dobro”, lamentou a enfermeira. Isso reflete a necessidade de intensificar campanhas educativas que mostrem à população o impacto positivo da doação de órgãos na vida de quem está à espera.
A Santa Casa de Ourinhos e o Futuro dos Transplantes — A Santa Casa de Ourinhos, embora tenha um papel crucial na captação de órgãos, ainda não é um hospital referência para a realização de transplantes, mas esse é um objetivo futuro. Marta Gonçalves explicou que o foco da instituição, no momento, é melhorar a conscientização sobre a doação de órgãos: “estamos trabalhando para salvar mais vidas, e nossa principal missão agora é conscientizar as famílias sobre a importância da doação”, afirmou.

O Sistema de Transplantes Brasileiro: Avanços e Desafios — O Sistema Nacional de Transplantes do Brasil é uma das maiores redes de captação e distribuição de órgãos do mundo. Com uma estrutura logística robusta e parcerias eficazes, como as estabelecidas com hospitais de cidades estratégicas como Ourinhos, o Brasil se destaca na quantidade de transplantes realizados. No entanto, os números da fila de espera e a mortalidade dos pacientes que não recebem um transplante a tempo mostram que ainda há um longo caminho a percorrer.
Com 44.827 pacientes aguardando por transplantes no Brasil, o país precisa urgentemente investir em campanhas de conscientização e na melhoria contínua da logística de captação e transporte de órgãos. O trabalho conjunto de instituições como a Santa Casa de Ourinhos, o SNT e a FAB têm mostrado resultados positivos, mas a luta pela vida continua e exige o esforço de toda a sociedade para garantir que mais pessoas possam ser beneficiadas com a doação de órgãos.

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