quinta, 3 de setembro de 2026

Câmara Municipal cassa o mandato do prefeito Guilherme Gonçalves por 13 votos a 2 em Ourinhos

Publicado em 03 set 2026 - 17:11:29

           

Decisão histórica foi tomada após sessão de mais de 11 horas de duração

 

Marcília Estefani

 

Em uma sessão que atravessou a noite e entrou para a história política de Ourinhos, a Câmara Municipal cassou o mandato do prefeito Guilherme Gonçalves na madrugada de quinta-feira, 3. A decisão foi tomada por 13 votos favoráveis à cassação e dois contrários, encerrando o julgamento da Comissão Processante (CP) da Saúde.

 

 

Os vereadores a postos para sessão histórica

 

 

A sessão começou pouco depois das 14h00 de quarta-feira, 2, e terminou por volta da 1h20 de quinta-feira, após mais de 11 horas de trabalhos no plenário.

Dos 15 vereadores, apenas Santiago de Lucas Ângelo e João Gonçalves, irmão do prefeito Guilherme Gonçalves, votaram contra a cassação.

Com o resultado, Guilherme deixa definitivamente o mandato por decisão do Legislativo e perde os direitos políticos por oito anos. O vice-prefeito Alexandre Araújo Dauage, “Zóio”, que já exercia o cargo em razão do afastamento cautelar de Guilherme determinado pela Justiça, passa à condição de prefeito.

Segundo o presidente da Câmara, vereador Cícero Investigador (Republicanos), a posse oficial de “Zóio” está prevista para a sessão ordinária de quarta-feira, 9 de setembro.

A cassação representa um episódio sem precedentes na política local: é a primeira vez na história de Ourinhos que um prefeito tem o mandato cassado pela Câmara Municipal.

 

 

Cícero Investigador fala sobre o fato inédito vivido na Câmara (video)

 

 

TRÊS INFRAÇÕES JULGADAS FORAM APROVADAS POR 13 VOTOS A 2 – O julgamento começou com a leitura da denúncia e das peças que integram o processo, incluindo manifestações da defesa que durou cerca de 2 horas, etapas que consumiram várias horas da sessão.

 

 

Dr. Joel de Matos Pereira, advogado de defesa de Guilherme Gonçalves, em pronunciamento de quase duas horas

 

 

Ao final do julgamento, foram submetidas ao plenário três infrações político-administrativas atribuídas a Guilherme Gonçalves.

A primeira tratava da prática de ato contra expressa disposição de lei ou omissão de sua prática, com fundamento no artigo 4º, inciso VII, do Decreto-Lei nº 201/1967.

A segunda dizia respeito à omissão ou negligência na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses do Município, prevista no artigo 4º, inciso VIII, do mesmo decreto.

A terceira correspondia à infração político-administrativa decorrente do conjunto de fatos apresentados na denúncia.

 

 

Placar final da votação

 

 

As três acusações foram aprovadas pelo mesmo placar: 13 votos favoráveis à cassação e dois contrários. Apenas os vereadores Santiago de Lucas Ângelo e João Gonçalves votaram contra nas três.

 

 

Video da última votação que afastou o prefeito Guilherme Gonçalves

 

 

GUILHERME NÃO COMPARECEU AO JULGAMENTO – O prefeito Guilherme Gonçalves não esteve presente no plenário durante a sessão. A defesa técnica foi realizada pelo advogado Dr. Joel de Matos Pereira.

Durante a noite, a sessão teve interrupção em razão do horário destinado à propaganda eleitoral. A retomada dos trabalhos demorou devido à ausência momentânea do advogado de defesa.

Ao retornar ao plenário, Dr. Joel informou que não estava se sentindo bem por problemas de saúde. Posteriormente, os trabalhos prosseguiram.

 

 

A imprensa ourinhense esteve ‘em peso’ nos trabalhos de cobertura desta sessão histórica que durou mais de 11 horas

 

 

ALEGAÇÕES DA DEFESA – Na manifestação da defesa, o advogado sustentou a existência de irregularidades no procedimento e questionou, entre outros pontos, o cumprimento do contraditório e da ampla defesa.

Após o resultado, Joel afirmou que o encerramento do processo político-administrativo na Câmara abre uma nova etapa no Judiciário, que a defesa técnica procurou demonstrar aquilo que considera irregularidades existentes no processo e que cabia aos vereadores decidir sobre a cassação.

 

 

Manifestantes em protesto durante a sessão

 

 

Segundo o advogado, a votação produz efeitos imediatos no âmbito político, mas a defesa buscará judicialmente a reversão da decisão.

“Encerra-se uma etapa na Câmara e abre-se uma no Judiciário. O que se vai discutir na Justiça é a legalidade do ato, o cumprimento do devido processo legal”, afirmou.

A eventual reversão da cassação, entretanto, dependerá de decisão judicial. Até que exista determinação nesse sentido, permanece válido o resultado proclamado pela Câmara Municipal.

 

 

Auditório da Câmara teve as dependências tomadas

 

 

PRESIDENTE DA CÂMARA REBATE DEFESA – O presidente do Legislativo, Cícero Investigador, em entrevista, rebateu os questionamentos apresentados pela defesa e afirmou que a Câmara tomou cuidados para cumprir todas as etapas previstas no processo.

“Nós cumprimos todos os ritos. Me debrucei junto com os procuradores jurídicos e a comissão para que não houvesse nenhuma irregularidade ou risco de nulidade. O julgamento reflete o sentimento de cobrança e insatisfação da população de Ourinhos”, declarou.

 

POSSE OFICIAL – Cícero informou ainda que a posse oficial de Alexandre “Zóio” deverá ocorrer na próxima sessão ordinária, marcada para 9 de setembro, quarta-feira, em decorrência do feriado de 7 de setembro.

“Zóio” já vinha exercendo a atividade de prefeito, desde 1º de julho, quando Guilherme Gonçalves foi afastado por 90 dias por decisão da justiça. E já havia encaminhando ao Legislativo projetos relacionados à reorganização administrativa municipal, com redução de cargos comissionados e medidas de contenção de despesas.

 

REDES SOCIAIS ESQUENTARAM BASTIDORES DURANTE JULGAMENTO – Enquanto os vereadores cumpriam as etapas do julgamento no plenário, o prefeito agora afastado, Guilherme Gonçalves, utilizou as redes sociais para se manifestar.

Durante a sessão, publicou vídeos, críticas e áudios que atribuiu a vereadores. Entre os parlamentares mencionados estavam Vadinho (Podemos) e Marcinho (MDB), além de críticas direcionadas à vereadora Raquel Spada (PSD), Anísio Felicetti e Gil Carvalho.

 

 

Guilherme Gonçalves disparou críticas aos vereadores em seus Stories e anunciou que pretende divulgar outros conteúdos sobre todos que “fizeram injustiça”

 

 

Em uma das gravações divulgadas, Guilherme afirmou que o conteúdo estaria relacionado a pedidos ou indicações para funções na Prefeitura. Em outro áudio, atribuído a Marcinho, há uma conversa envolvendo uma situação relacionada a um motorista ligado ao programa Melhor em Casa.

Guilherme afirmou que recebeu os materiais de terceiros e anunciou que pretende divulgar outros conteúdos.

As gravações e as interpretações apresentadas pelo prefeito afastado, por si só, não comprovam eventual prática de irregularidade ou crime, o que dependeria da análise do contexto integral e, eventualmente, da apuração pelos órgãos competentes.

Questionado após o julgamento sobre essas publicações, Dr. Joel de Matos Pereira afirmou que não acompanhava as movimentações políticas nas redes sociais e que seu escritório concentrou a atuação exclusivamente na defesa técnica.

 

“FARIA TUDO DE NOVO”, DIZ GUILHERME APÓS CASSAÇÃO – Depois de decretada a perda do mandato, Guilherme Gonçalves voltou a se manifestar pelas redes sociais.

Ele afirmou que não cometeu crime, disse acreditar que conseguirá retornar ao cargo por decisão judicial e voltou a classificar o processo como uma perseguição contra seu mandato.

 

 

Guilherme Gonçalves em manifestação por suas redes sociais, minutos após ter o mandato cassado

 

 

Declarou estar tranquilo com o resultado e afirmou que enfrentou o que chamou de “sistema”, situação que, segundo ele, lhe trouxe consequências, mas que “faria tudo de novo”.

O agora ex-prefeito também disse ter se decepcionado com vereadores que votaram pela cassação e anunciou que pretende fazer novas publicações ao longo dos próximos dias sobre parlamentares.

 

APENAS DOIS VEREADORES SE PRONUNCIARAM NA TRIBUNA – Após a leitura da denúncia e das peças que integram o processo, das conclusões, os vereadores teriam o direito de se manifestarem por 15 minutos cada um. Apenas Santiago e João Gonçalves não abriram mão do espaço. De acordo com o vereador Vadinho, ele e os outros nobre decidiram não fazer uso da tribuna em razão do avançado da hora e em respeito ao advogado de defesa, que teve problemas de saúde e para que a Sessão fosse concluída o mais breve possível.

 

 

Parte do pronunciamento na Tribuna do Vereador Santiago (video)

 

 

João Gonçalves expressa sua tristeza pelo momento vivido (video)

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