quarta, 21 de fevereiro de 2024

Com condenação de 13 anos, Estuprador da Moto Preta aguarda julgamento pela maioria dos crimes

 Alexandre Q. Mansinho

A cena era a seguinte: uma mulher sozinha, nas primeiras horas da manhã, executando uma tarefa normal e cotidiana. Aparece um homem, de moto, bem articulado e sem ter atitude suspeita, perguntando sobre um pedreiro, um carpinteiro ou um eletricista qualquer: “Oi, é aqui que mora o eletricista fulano?” Diante da negativa da mulher, Elton perguntava se não havia mais alguém na casa que pudesse dar essa informação; inocentemente a mulher dizia: “não, estou sozinha”. Essa era a senha para o ataque.

Segundo a polícia, a série de ataques do Estuprador da Moto Preta começara em 2012. No entanto, Elton Alexandre Martins da Silva já havia, no início dos anos 2000, sido condenado e cumprido pena de 6 anos também por ataques sexuais. Esse fato é prova de que a política de reinserção de criminosos sexuais precisa ser urgentemente revista, há quem defenda, por exemplo, a castração química para que esses criminosos possam ser postos em liberdade ou até que esses criminosos sejam obrigados, por um determinado tempo após sua soltura, a ter que se apresentar à justiça e manter seu endereço sempre atualizado.

Segundo a Dra. Ana Rute de Castro Bertolaso, delegada da Delegacia de Defesa da Mulher de Ourinhos, o problema é muito mais profundo, apenas medidas pontuais como castração química ou uma obrigatoriedade de cadastro ou apresentação às autoridades pouco vai resolver: “o problema do estupro se deve a uma cultura machista, problemas culturais são resolvidos com políticas públicas de educação e campanhas de conscientização”, afirma Dra. Ana Rute. “Essa cultura do machismo, que inclusive culpabiliza a vítima pela violência, dificulta inclusive a apuração dos crimes – mulheres em situação de fragilidade tendem a ter dificuldades em identificar o agressor e, até, medo de continuar a denúncia por ter vergonha do julgamento popular”, completa.

Elton Alexandre, sem sombra de dúvidas, se beneficiou da cultura do machismo e da falta de medidas mais efetivas do poder judiciário, foram 4 anos colecionando vítimas e espalhando nas ruas de Ourinhos um clima de terror até que de fato fosse preso. Hoje ele cumpre pena no Presídio de Iaras/SP, unidade prisional destinada a criminosos sexuais – é o que os presos costumam chamar de “seguro”. Dos mais de 8 estupros dos quais ele era suspeito, apenas 3 se configuraram em processos: “aqui na DIG nós investigamos 2 casos, para essas duas investigações não há dúvidas – Elton é o autor”, afirma Dr. João Beffa, delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

A realidade é triste – apenas 3 das supostas 8 acusações se transformaram em processos. Desses 3 processos, um já se transformou em condenação – Elton cumprirá 13 anos de prisão enquanto aguarda o resultado dos outros dois processos. No entanto, com base em tudo que se verificou nesse caso, não é exagero acreditar que o Estuprador da Moto Preta pode ter feito muitas outras vítimas, a vergonha, o medo e o machismo foram, por todos esses anos, parceiros fiéis do maníaco. Além dos estupros em que foi acusado, Elton também foi condenado por ameaça e aguarda julgamento por roubo.

 

 

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