quinta, 23 de maio de 2024

Comerciantes e população observam uma diminuição de pessoas em situação de indigência andando pelas ruas

Alexandre Mansinho

No ano de 2016 e no início do ano de 2017 o problema do crescimento do número de pessoas em situação de rua era acentuado – moradores de algumas regiões da cidade e comerciantes pressionaram o governo municipal para que fosse tomada uma atitude.

Com o início da nova gestão, medidas foram tomadas que, em um prazo médio, cerca de 9 meses, obtiveram resultados positivos. “Aqui na praça havia uma grande concentração de moradores de rua, eles ficavam aqui assediando as pessoas e brigando (…) o problema diminuiu bastante”, afirmou Rosângela Maria da Silva, comerciária, que trabalha próximo à praça do Terminal Rodoviário.

Nivaldo Fernandes de Andrade Filho, comerciante, que trabalha próximo ao Centro POP, acredita que a melhora foi grande nos últimos meses: “era comum ver pessoas dormindo na praça, brigando e até usando drogas (…) o problema diminuiu bastante, mas, eventualmente, ainda há ocorrências”.

Para obter esses resultados, a assessoria de comunicação da prefeitura divulgou que foi necessário intensificar o trabalho de abordagem realizado pela equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social.

“É possível observar que os moradores de rua que antes faziam uso da Concha Acústica para dormir e passar o dia não ocupam mais o espaço. Também foi realizado uma ação de revitalização da Praça Miguel Mofarrej (Praça do Caló) que contribuiu para aumentar a segurança do local (…) todos os dias, a equipe de abordagem da Secretaria de Assistência Social visita diversos pontos da cidade para fazer uma triagem com as pessoas que vivem em situação de rua (…) essa equipe identifica se o morador de rua é de Ourinhos e precisa de ajuda para tratar o vício de álcool ou drogas, por exemplo. Se a pessoa for de fora a equipe oferece o devido encaminhamento para que retorne à cidade de origem”.

Há quem discorde – Denilson Bonato, profissional liberal e morador da Vila Perino, diz que a quantidade de pessoas em situação de rua permanece quase a mesma: “foram muito poucas as mudanças, na minha opinião (…) os moradores de rua continuam assediando as pessoas e vivendo de esmolas nas ruas próximas ao Terminal Rodoviário (…) não sei se criar esses centros de acolhimento são uma boa ideia”.

Aparecida Alexandrina, moradora das proximidades do Centro POP, denuncia que não tem mais direito de ir e vir na sua própria casa: “eu sou assediada pelos moradores de rua quase todos os dias (…) o Felipe (secretário de bem estar social) já me deu até seu telefone pessoal para que eu possa falar direto com ele (…) quando eu ligo alguém vem, aí passam dois ou três dias e o problema volta”.

A palavra do secretário – Em entrevista exclusiva ao Jornal Negocião, Felipe Pereira Ramos, atual secretário da Secretaria de Bem Estar Social, revela que a intervenção com os moradores de rua é algo muito complexo: “cada um tem um problema, uma história e um motivo para estarem nessa situação (…) alguns aceitam ajuda e até acabam conseguindo um emprego e retomando as rédeas da própria vida, no entanto há aqueles que têm problemas com drogas e até problemas psicológicos graves”.

Felipe reitera que a estratégia de abordagem com pessoas em situação de rua deve ser humanizada: “por décadas as políticas públicas para essas populações eram: colocar todos em um ônibus e “desovar” em outras cidades como se eles não fossem humanos (…) precisamos compreender que são seres humanos que, em algum momento da vida, sofreram uma ruptura com a família ou foram abandonados pelos mais variados motivos (…) nossa abordagem é humanizada e o atendimento do Centro POP tem sido considerado referência para cidades da região”.

Projeto Reação – Hoje os moradores de rua de Ourinhos são encaminhados ao Centro Pop, onde uma equipe presta auxílio para regularização de documentos pessoais, além de banhos e demais cuidados com a higiene e refeições. O atendimento é passageiro e busca a reinserção dessas pessoas na sociedade. O projeto Reação promove esta reinserção social através de diversas ações que tem como principal intuito ensiná-los a desenvolver atividades que possam servir futuramente para que consigam um emprego no mercado de trabalho.

No Centro Pop, as pessoas atendidas colaboram com os cuidados com a horta e o galinheiro. Os alimentos colhidos compõem o cardápio das refeições. Os atendidos também participam de palestras que os orientam sobre cuidados com a saúde, comportamento, mercado de trabalho, além de oficinas artísticas.

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