segunda, 9 de março de 2026

Concessão de trecho da SP-270 e instalação de pedágios geram protestos e preocupações na região de Ourinhos

Publicado em 08 fev 2025 - 09:19:44

           

Autoridades municipais, empresários e representantes da sociedade civil criticam a medida do governo estadual, apontando impactos negativos na economia local e no direito de ir e vir.

 

Alexandre Mansinho

A publicação do edital para a concessão do trecho Itapetininga/Ourinhos da Rodovia Raposo Tavares (SP-270) e a instalação de quatro praças de pedágio até 2026 têm gerado intenso debate na região. Enquanto o governo do Estado de São Paulo defende a medida como necessária para melhorias na infraestrutura, autoridades municipais, empresários e representantes da sociedade civil organizada veem a iniciativa com preocupação, destacando possíveis prejuízos econômicos e sociais.

O projeto, que integra o Lote do Paranapanema, prevê a privatização de cinco rodovias e a instalação de pedágios automáticos em pontos estratégicos, como Angatuba, Itaí, Piraju/Tejupá, Ipaussu/Bernardino de Campos e Canitar/Chavantes. As tarifas estimadas variam entre R$ 4,80 e R$ 11,94, dependendo do trecho.

Impactos na classe trabalhadora e no comércio local

Ednilson Ribeiro da Silva, conhecido como Biguá, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais e Autárquicos de Ourinhos e região (SINSERPO), foi um dos primeiros a criticar a medida. “Essa concessão vai afetar diretamente os trabalhadores que dependem da Raposo Tavares para se deslocar diariamente. Muitos terão que arcar com custos adicionais, o que só trará prejuízos para a classe trabalhadora”, afirmou.

 Ednilson Ribeiro da Silva, Biguá, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais e Autárquicos de Ourinhos e região (SINSERPO) – Foto: Reprodução

 

O prefeito de Ibirarema, José Benedito Camacho, conhecido como Camachinho, também se manifestou contra a instalação dos pedágios. “Todos os prefeitos da região estão preocupados. O aumento nos custos de transporte será repassado para produtos e serviços, o que pode levar a uma queda na arrecadação e no movimento comercial”, disse.

José Benedito Camacho, Camachinho, prefeito da cidade de Ibirarema – Foto: Reprodução

 

Empresários temem queda nos negócios

Alexandre Mariani, membro da Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos (ACE), destacou os impactos negativos para o setor empresarial. “Ourinhos corre o risco de perder sua atratividade como polo industrial e comercial. Com a cidade ilhada por pedágios, o custo para instalação de empresas e o deslocamento de clientes será um grande desincentivo”, afirmou.

Mariani também ressaltou que o comércio local depende significativamente de consumidores de cidades vizinhas, que podem deixar de frequentar Ourinhos devido aos custos adicionais com pedágios.

Alexandre Mariani, membro da Associação Comercial e Empresarial de Ourinhos (ACE) – Foto: Arquivo Pessoal

 

Prefeitos buscam negociar com o governo estadual

Filipe de Paula, prefeito de Chavantes, revelou que está articulando com outros prefeitos da região a formação de um grupo para negociar com o governo estadual. “Estamos em contato com deputados e frequentando a Assembleia Legislativa para buscar apoio e reverter essa decisão”, explicou.

 Filipe de Paula, prefeito de Chavantes – Foto: Reprodução

 

O vereador ourinhense Abel Diniz Fiel também lidera uma campanha contra a instalação dos pedágios, especialmente no trecho Canitar/Chavantes. “A Raposo Tavares sempre foi uma alternativa mais barata para o transporte de mercadorias e deslocamento de pessoas. Com os pedágios, essa vantagem desaparece”, afirmou.

 

Abel Diniz Fiel, vereador de Ourinhos – Foto: Arquivo Pessoal

 

ARTESP defende projeto e cita participação popular

Em nota enviada ao EM DIA Negocião por meio da Lei de Acesso a Informação, a ARTESP afirmou que o projeto do Lote Paranapanema contou com a participação da população em audiências públicas e consultas. “As propostas de localização dos pórticos free flow foram apresentadas e revisadas com base nas sugestões recebidas. As contribuições poderão ser incorporadas à versão final do projeto e edital”, disse a agência. 

A ARTESP também destacou que as melhorias prometidas incluem postos de atendimento, wifi, monitoramento, ambulâncias e guinchos, visando maior segurança e conforto para os usuários da rodovia. 

 

Deputados criticam medida e alertam para impactos sociais

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) enviou um ofício à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) destacando os “graves impactos sociais e econômicos” da medida. “A implementação desse pedágio seria uma afronta ao direito de ir e vir. Trabalhadores, pequenos comerciantes e pais de família seriam fortemente prejudicados, muitos forçados a optar entre arcar com custos absurdos de transporte ou garantir seu sustento”, alertou. 

 

Eduardo Suplicy, deputado estadual – Foto: Reprodução

 

A deputada estadual Thainara Faria (PT) também se manifestou contra a medida, classificando-a como “irresponsável”. “A justificativa do governo estadual é mais uma prova de incapacidade de gestão. Não é possível que um dos governos com maior orçamento do país não possa arcar com a manutenção dessas estradas”, criticou. Ela ainda destacou que os custos adicionais devem ser repassados aos preços de mercadorias essenciais, como alimentos e medicamentos. 

Thainara Faria, deputada estadual – Foto: Reprodução

 

Próximos passos

Com o lançamento do edital previsto para abril de 2025 e o leilão marcado para julho do mesmo ano, a discussão sobre a concessão do trecho Itapetininga/Ourinhos da SP-270 promete se intensificar. Enquanto o governo estadual defende a iniciativa como necessária para a modernização das rodovias, a resistência local ganha força, com prefeitos, vereadores e representantes da sociedade civil buscando alternativas para evitar ou adiar a instalação dos pedágios.

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