domingo, 21 de julho de 2024

Contas do início do ano apertam orçamento das famílias ourinhenses

Publicado em 19 dez 2016 - 10:02:36

           

José Luiz Martins

 A chegada de um novo ano traz não somente um marco de um novo ano, mas também uma época de transição de metas e planos para o futuro, entre eles, o financeiro. Diante da atual crise econômica, a preocupação de se planejar é inevitável e imprescindível para não começar o ano no vermelho ou encontrar problemas ao decorrer do ano. Contas como IPTU, IPVA, material e uniforme escolar e viagens estão entre os principais gastos nessa época.

O economista Hector de Moura Luz diz que o segredo para conseguir arcar com esses custos é se planejar. Ourinhense formado e graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, ele explica que além do IPTU, IPVA e as matrículas escolares, existem outras contas que pesam no orçamento todo começo de ano. “Acredito que as principais contas sejam justamente essas. Pode acontecer do cartão de crédito também vir mais elevado, em decorrência dos gastos de final de ano, o ideal é que se mantenha o foco nos gastos básicos, evitando contrair dívidas. Se puder juntar algum dinheiro, aí sim pode ser interessante utilizá-lo para investir”, sugere.

Quanto a prioridade de contas, Hector disse que o ideal é pagar sempre aquela que tem a maior taxa de juros, geralmente o cartão de crédito e o cheque especial, que muitas vezes apresentam taxas de dois dígitos. “Se estiver com dívida em um desses dois, e restar algum dinheiro do 13º salário, o ideal é pagá-la. Depois dessas dívidas, os empréstimos pessoais têm taxas mais caras, portanto, são as próximas candidatas ao pagamento”, destaca.

Sobre o pagamento parcelado de impostos, o economista observa que esses impostos costumam apresentar taxas de juros mais baixas entre 1,5% e 2% ao mês. De modo geral, quem tiver outra dívida (com exceção dos empréstimos consignados, que também costumam apresentar taxas pequenas), é preferível quitá-la ou renegociá-la e parcelar o IPTU e o IPVA. “Mas entre IPTU e o IPVA, vale mais a pena pagar à vista o IPTU, que geralmente apresenta maior desconto. É importante relembrar, no entanto, que o pagamento do IPVA deve ser feito com muita atenção, pois seu atraso pode acarretar elevadas multas”, argumenta Hector dizendo ainda que é bom estar atento ao utilizar o cartão de crédito para o pagamento de contas, o que pode elevar ainda mais o valor das dívidas.

A população se mostra escolada quando o tema é o acúmulo de contas nesse período. O bancário aposentado Rodolfo Wagner Contrucci, 55, diz que para ele, manter as contas na ponta do lápis é uma rotina. Ele revelou que faz uma poupança com parte do seu salário como reserva para essas contas. “Costumo poupar de 10 a 15 % dos meus ganhos juntando um montante suficiente para quando janeiro chegar. Os impostos são os mais pesados então tem que precaver pra não levar um susto, é uma questão de organização e disciplina, se não for assim pode se enrolar”, alertou Wagner.

A auxiliar de limpeza Dulcineia Procópio, 43, diz que essa época do ano as coisas ficam mais difíceis para sua família. “Olha tem vezes que dá pra se programar e outras não. Ultimamente não tem sobrado para guardar e aí tem que se virar porque o IPTU e o IPVA não dá para atrasar senão os juros e a multa deixa tudo mais caro”, lembrou a moradora do Jardim Anchieta. Ela diz que quando não consegue pagar a vista esses impostos a saída é o parcelamento para eliminar a despesa até o final do ano.

 

“Eu vou me prevenindo, brecando e me segurando nos gastos para que quando chega essa época a gente não passe mais apuros do que já temos passado. Já me vi em situações difíceis por conta disso e não posso deixar que isso se repita”, disse a professora Fátima Aparecida, 60. Ela conta que com a crise atual e seu orçamento mais apertado, é forçada a gastar menos dando como exemplo roupas, calçados, enfeites natalinos e até mesmo com as ceias de final de ano. “Este ano está mais difícil, tive que cortar muita coisa tá tudo mais caro e o salário não sobe igual né. A gente tem que tomar muito cuidado para não entrar no ano novo com mais dívidas, tem que rebolar,” brincou a professora moradora em Santa Cruz do Rio Pardo.

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