sábado, 20 de julho de 2024

Crescem número de golpes envolvendo instituições bancárias e seus usuários

Publicado em 19 fev 2022 - 08:05:56

           

Preocupados com a situação os bancos se uniram e lançaram a campanha “Pare e pense, pode ser golpe”, com a criação liderada pela Febraban, mas assinada também pela Polícia Federal e pelo Banco Central.

 

Marcília Estefani

 

Desde o começo da pandemia da Covid-19, criminosos têm aproveitado a maior permanência das pessoas em casa e o crescimento de transações digitais para aplicar golpes na população. Destacam-se os crimes que usam a engenharia social, que consiste na manipulação psicológica do usuário para que ele lhe forneça informações confidenciais, como senhas e números de cartões para os criminosos, ou faça transações em favor das quadrilhas.

Levantamento feito pela FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) mostra o crescimento de 165% deste tipo de golpes no primeiro semestre de 2021 em comparação com o semestre anterior (2º de 2020).

No período analisado:

– A incidência do golpe do falso motoboy, fraude muito comum durante a pandemia, se mantém como uma das principais investidas dos criminosos e registrou aumento de 271%

– O volume de ocorrências do golpe da falsa central telefônica e do falso funcionário, aumentou 62%.

– Os ataques de phishing (golpe eletrônico que visa obter dados pessoais do usuário, como mensagens e e-mails falsos que induzem o usuário a clicar em links suspeitos ou ainda páginas falsas na internet que induzem a pessoa a revelar dados pessoais) cresceram 26%.

 

 

A FEBRABAN afirma que seus bancos associados investem constantemente e de maneira massiva em campanhas e ações de conscientização em seus canais de comunicação com os clientes para orientar a população a se prevenir de golpes e a ter segurança em suas transações no ambiente digital, para assim contribuir para o desenvolvimento da consciência digital no Brasil.

A Federação também apoiou o processo de tramitação da lei 14.155, sancionada em maio, que prevê punições severas para fraudes e golpes cometidos em meios eletrônicos. O texto alterou o Código Penal brasileiro para agravar penas como invasão de dispositivo, furto qualificado e estelionato praticados em meio digital, além de crimes cometidos com o uso de informação fornecidas por alguém induzido ao erro pelas redes sociais, contatos telefônicos, mensagem ou e-mail fraudulento.

Em Ourinhos, a Central de Polícia Judiciária tem registrado muitos boletins de ocorrência relativos a estes tipos de golpes. Porém, segundo o delegado de polícia Dr Pedro Telles já afirmou em entrevista ao Negocião, que muitas pessoas ainda têm vergonha de registrar as ocorrências e acabam se calando.

 

 

O delegado afirma “Nós, da Polícia Civil, estamos à disposição para orientar a população (…) a maior e melhor dica é antiga, mas ainda é muito válida – se estiver em dúvida sobre a legalidade do negócio, não faça nenhum pagamento (…) procure alguém com mais experiência ou até, em último caso, pode vir à delegacia que haverá sempre alguém para dar esclarecimentos”.

 

Levantamento feito pelo Negocião constatou que a maioria dos usuários lesados, são pessoas com mais idade, aposentados (as), mas que o preparo dos criminosos é tanto, que conseguem correntistas de todas as idades, pessoas mais esclarecidas, que estão mais acostumadas com as novas tecnologias. Entre os golpes mais comuns estão:

 

GOLPE DA FALSA CENTRAL DE ATENDIMENTO – O fraudador entra em contato com a vítima se passando por um falso funcionário do banco ou empresa com a qual ela tem um relacionamento ativo. Informa que sua conta foi invadida, clonada ou outro problema e, a partir daí, solicita os dados pessoais e financeiros da vítima. Diante da desconfiança de alguns usuários o golpista até mesmo pede para que a vítima ligue na central do banco, no número que aparece atrás do seu cartão, momento em que o fraudador continua na linha para simular o atendimento da central e pedir os dados da sua conta, dos seus cartões e, principalmente, a sua senha quando você a digitar.

COMO EVITAR – Se receber esse tipo de contato, desconfie na hora. Desligue e entre em contato com a instituição através dos canais oficiais, de preferência usando o celular ou aplicativos móveis, para saber se algo aconteceu mesmo com sua conta.

GOLPE DO FALSO MOTOBOY – O golpe começa quando o cliente recebe uma ligação do golpista que se passa por funcionário do banco, dizendo que o cartão foi fraudado. O falso funcionário solicita a senha e pede que o cartão seja cortado, mas que o chip não seja danificado. Em seguida, diz que o cartão será retirado na casa do cliente. O outro golpista aparece onde a vítima está e retira o cartão. Mesmo com o cartão cortado, o chip está intacto e os fraudadores podem utilizá-lo para fazer transações e roubar o dinheiro da vítima.

LEMBRE-SE SEMPRE:

– Os bancos nunca pedem o cartão de volta nem mandam portadores até a sua casa para buscá-lo.

– O banco nunca liga para o cliente pedindo senha nem o número do cartão e também nunca liga para pedir para realizar uma transferência ou qualquer tipo de pagamento.

– Se receber esse tipo de ligação ou visita, não entregue nada para ninguém e ligue imediatamente para o seu banco, de preferência de um celular, para saber se existe algum problema com a sua conta.

 

 

CAMPANHA EDUCATIVA – O crescimento da preocupação com o cibercrime é evidente no Brasil e no mundo. Diferentes atores sociais estão unindo forças para combater uma rede global cada vez mais sofisticada de crimes. A ação ilegal visa em uma ponta atacar os sistemas de segurança de grandes players econômicos (bancos, varejistas, área da saúde) e na outra ponta vitimar os clientes por meio de golpes digitais. É neste contexto que os bancos se uniram e lançaram a campanha “Pare e pense, pode ser golpe”, com a criação liderada pela Febraban, mas assinada também pela Polícia Federal e pelo Banco Central.

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