terça, 10 de março de 2026
Publicado em 25 maio 2020 - 16:58:32
“Antes fosse jogada política. Todo cuidado é pouco com o covid-19”, diz a dona de casa que contraiu a doença pelo marido que ainda está internado na Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos
Letícia Azevedo
Apesar de muitos munícipes assumirem um comportamento de incredulidade diante dos riscos do novo coronavírus, o número de casos de covid-19 vem crescendo expressivamente. Até o momento, Ourinhos registra 52 casos positivos da doença.
Paralelo ao aumento de casos, também está a queda no índice de isolamento que passou de 55% para 38% entre os meses de abril e maio.
A equipe de reportagem do Jornal Negocião entrou em contato com a dona de casa Vânia Maria Dutra Reis de Melo, 51 anos, que contraiu a doença após contato com o marido Carlos Alberto, de 55 anos, infectado com o novo vírus em uma viagem a trabalho para São Paulo em abril. Ela relata momentos de angústia e sofrimento na luta pela recuperação.
CONTAMINAÇÃO – Vânia, que sofre de bronquite asmática, começou a apresentar sintomas da doença no dia 14 de abril, dois dias depois de seu marido retornar de uma viagem a São Paulo já com sintomas de covid-19. “Começou com uma dor de garanta. Parecia sintomas de gripe. Senti dores de cabeça, coriza e depois tive diarréia”, lembra. “Ele ainda teve sintomas mais fortes, como falta de ar, febre alta, não comia e estava muito fraco.”, lembra.
ISOLAMENTO SOCIAL E INTERNAÇÃO – O casal passou 12 dias em isolamento social, mas precisaram de internação no dia 26 de abril, sendo encaminhados para o Hospital de Campanha. Vânia permaneceu ali por 4 dias por apresentar sintomas leves, mas Carlos precisou de internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e foi transferido para a Santa Casa de Misericórdia. Quatorze dias depois teve o estado de saúde estabilizado e foi levado para um quarto no setor da enfermaria, onde se encontra isolado e em observação. “Passamos por um processo doloroso. Muita gente não dá importância, mas o isolamento social nesta hora é fundamental e faz toda a diferença. Muita gente diz que é jogada política, quem dera eu pudesse dizer que eu não fiquei doente”, lamenta.

GRATIDÃO – Vânia relatou que o atendimento prestado tanto a ela, quanto ao seu esposo Carlos foi de grande importância na recuperação de ambos. “Além da saúde, os profissionais envolvidos no nosso tratamento tiveram bastante cuidado também com nosso lado psicológico. Todos extremamente preparados, médicos e enfermeiros, até mesmo os profissionais da limpeza. Só tenho que agradecer pois fui bem atendida e meu esposo também, embora ele ainda esteja na Santa Casa, pois passou 14 dias entubado, o tratamento dado a ele é plenamente satisfatório. Tenho muita gratidão a todos os profissionais envolvidos”.
ALTA MÉDICA E ANGÚSTIA – A paciente recebeu alta médica no dia 30 de abril. Apesar da boa notícia, ela diz que a angústia de ver o marido internado ainda a preocupa muito. “Eu estou bem agora, mas ele está internado e a gente não sabe como vai ser o nosso dia de amanhã. É um sentimento que só passando para dizer como é.”
SISTEMA DE SAÚDE E CONSCIENTIZAÇÃO – Temendo o colapso do Sistema Único de Saúde, Vânia ressalta a importância da população se conscientizar sobre seu papel cumprindo com as medidas protetivas para evitar o contágio e não sobrecarregar os hospitais do município. “O coronavírus é uma doença imprevisível. Não podemos prever como cada organismo vai reagir. Se todos reagirem como o Carlos, como ficarão os hospitais? Eles não estarão preparados para atender a todos. Não é só Ourinhos, é o Brasil. As pessoas precisam cumprir a quarentena, porque isso sinaliza a responsabilidade social de cada um. Se cuidem, como eu disse: Todo cuidado é pouco!”, finalizou.
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