segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 24 fev 2024 - 13:00:25
ARTIGO DE OPINIÃO
Desabafo de um Deputado e Policial Militar: A polícia sozinha não vai acabar com a criminalidade
Por Capitão Augusto
A polícia sozinha não conseguirá acabar com a criminalidade, as facções criminosas e o tráfico. Sem o apoio político, judicial, da imprensa e da sociedade, estaremos apenas colocando policiais em ações suicidas, e o crime continuará.
Sem demonstrar aos criminosos que o crime não compensa e que a justiça é rigorosa, não conseguiremos conter a criminalidade nem o fortalecimento das facções criminosas.
O endurecimento da legislação penal é o caminho mais curto e que parece eficaz para demonstrar aos criminosos que o crime não compensa e que a justiça pode ser rigorosa. Sem essas mudanças, conter a criminalidade e o avanço das facções criminosas parece uma tarefa distante.
Neste contexto, questionamos a validade de expor nossos irmãos de farda a uma guerra desigual, marcada pelo excesso de rigor contra as ações policiais e pela leniência judicial com os criminosos. Os policiais, obrigados a tomar decisões em frações de segundo, enfrentam o risco de severas consequências por suas condutas, que podem leva-los ao presídio Romão Gomes, ao abandono de suas famílias à precariedade financeira.
Diante dessas circunstâncias, é justificável sacrificar a vida de policiais, deixando para trás amigos e famílias desoladas? Como consolar pais, filhos e cônjuges enlutados, quando a vida de um policial é vista como sem preço?
Os confrontos com criminosos colocam os policiais em desvantagem constante: o elemento surpresa, a superioridade armamentista e numérica dos criminosos, e a ausência de regras para eles contrastam com a realidade policial, onde a lei é um fardo e o crime parece mais vantajoso.
Assim, é hora de ponderar se vale a pena continuar perdendo vidas policiais sem o devido apoio político, jurídico, jornalístico e social. Devemos refletir se esta é a hora de uma guerra sem suporte, ou se devemos nos resguardar, cumprindo nossa missão, mas sem nos submetemos a riscos desmedidos.
Nossas condições de trabalho são precárias: falta de veículos blindados, equipamento e armamento inferiores, fardas desconfortáveis, jornadas exaustivas que prejudicam nossa prontidão, salários que limitam nossas opções de deslocamento à paisana, fiscalização rigorosa por câmeras corporais e processos de demissão sumários.
Comprometemo-nos a defender a sociedade, mas não a sacrificar-nos sem limites. Portanto, não enfrentem riscos desmedidos: evitem abordagens solitárias ou quando em desvantagem numérica, não transitem sozinhos fardados, e sejam especialmente cautelosos em áreas de risco.
É tempo de cessar o luto por nossos irmãos de farda e o sofrimento de seus entes queridos. Limitemos nossas ações ao estritamente imposto pela lei.
CAPITÃO AUGUSTO – Deputado Federal
De Soldado (com orgulho) a Deputado
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