terça, 10 de março de 2026

Descaso e irresponsabilidade podem atrasar ainda mais a entrega das casa do Recanto dos Pássaros III

Publicado em 01 jul 2017 - 11:55:42

           

Alexandre Mansinho

Notícias da retomada, no dia 15 de julho, das obras do Conjunto Habitacional Recanto dos Pássaros III reacende a esperança das famílias que esperam há anos a liberação das mais de 400 casas. No entanto, de acordo com o apurado pelo Negocião, alguns milhões de reais precisarão ser gastos apenas para restaurar aquilo que havia sido construído antes da interrupção das obras.

Hoje o local é o retrato do abandono: no último dia 21, a representante da RG3 Empreendimentos, empresa que era responsável pela construção, compareceu na delegacia para registrar o furto de 257 aquecedores solares das 448 casas, bem como 200 luminárias, duas caixas d’água (uma de 5 mil litros e outra de 8 mil litros), dois vasos sanitários, 80 tanques de louça, 800 canos de PVC, cinco torneiras e 1000 telhas – além desses itens furtados, convém ressaltar que há centenas de portas, janelas, vidros e inúmeros outros bens do conjunto habitacional que foram destruídos e vandalizados nesse período de obras paradas.

O governo Lucas Pocay anunciou, há poucos dias, que as obras seriam retomadas, dessa vez pela Construtora CP Construplan, com sede em Ribeirão Preto. No entanto, ainda não se sabe exatamente quem irá arcar com todos os prejuízos materiais e as dívidas trabalhistas que crescem exponencialmente – tais entraves jurídico/trabalhistas e contratuais podem atrasar mais um pouco os planos das 448 famílias.

Irresponsabilidade da construtora? – As obras foram interrompidas sob a alegação de que o banco havia atrasado os repasses agendados, no meio desse “jogo de empurra”, o governo municipal da época disse que não tinha responsabilidade no problema, visto que se tratava de dinheiro federal do Programa Minha Casa Minha Vida.

A representante da RG3 Empreendimentos disse, com exclusividade para o Negocião, que a situação está muito grave e, aparentemente, bem distante de uma resolução rápida. Todos os funcionários que estavam envolvidos com a obra, desde operários até engenheiros, estão sem receber salários desde 2015 – até a própria representante está sem receber há tempos. A falta de repasses afetou o contrato que a RG3 tinha com a empresa que fazia a segurança do empreendimento – com a saída dos vigilantes deu-se início ao vandalismo nas casas e na estrutura que servia como escritório.

As depredações resultaram, inclusive, na destruição de todos os documentos pessoais dos funcionários e nos registros da obra – fato que poderá resultar em intermináveis processos trabalhistas e inúmeras outras inconsistências que irão afetar o repasse do banco para a retomada das construções.

Ainda segundo a representante da RG3, foram destruídos também todos os estudos, registros e também as medições que servem como base para os posicionamentos contratuais – o boletim de ocorrência lavrado pela RG3 é uma forma de se mensurar todos os aditivos que deverão ser incrementados no orçamento da obra para que a retomada seja possível.

448 sonhos interrompidos – Há um ano a reportagem do Negocião foi até um conjunto de habitações improvisadas que ficam às margens do Córrego Christoni – naquela ocasião uma moradora questionou a equipe sobre a entrega das “casinhas”: “eu não estaria aqui se as casinhas já tivessem sido entregues – é uma palhaçada (…) tem até um grupo de pessoas que foram sorteadas que estavam combinando de invadir e passar a viver lá do jeito que está mesmo”.

A posição da prefeitura – De acordo com Lucas Pocay, agora o caso foi repassado para a Caixa Econômica Federal junto ao Ministério das Cidades para aprovação na CEFUS (Centralizadora Nacional de Operações de Fundos Garantidores e Sociais), para que as obras sejam retomadas: “estamos toda semana cobrando sobre essa situação que nos preocupa muito. Sabemos da necessidade das pessoas que foram sorteadas e a expectativa que elas têm de poder morar o quanto antes em suas casas. Inclusive a Prefeitura está pagando a atividade delegada da Polícia Militar para oferecer mais segurança ao local e não ter mais os atos de vândalos nas casinhas”, diz Pocay.

O vandalismo continua – Porém, segundo moradores do entorno do empreendimento, a Polícia Militar não tem feito o trabalho anunciado pelo prefeito. Um morador, que pediu sigilo de sua identidade, disse à reportagem do Negocião que, do dia 21 até hoje, muitas outras coisas foram roubadas e que tem sido um pesadelo morar perto do Recanto dos Pássaros III: “tem um monte de nóia aí, quando saiu a notícia da retomada das obras nós vimos muito mais coisas serem roubadas”.

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