segunda, 9 de março de 2026

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: Santa Casa de Ourinhos busca ações de conscientização para aumento do número de doadores

Publicado em 18 nov 2024 - 09:10:50

           

O hospital é conhecido por sua atuação na captação de órgãos para o Sistema Nacional de Transplantes (SNT)

Alexandre Mansinho

A doação de órgãos e tecidos salva vidas e permite que milhares de pessoas aguardando na fila de transplante possam ter uma nova chance. A Santa Casa de Ourinhos, conhecida por sua atuação na captação de órgãos para o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), incentiva a conscientização, reforçando a importância do diálogo familiar sobre o desejo de ser doador. A enfermeira Marta de Assis Gonçalves, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), compartilhou em entrevista como o ato de doar traz paz para famílias e esperança para receptores.

O desafio da conscientização familiar

Segundo Marta, a falta de informação e a hesitação familiar ainda são os maiores obstáculos para o aumento de doações. “A maioria das famílias acaba não autorizando o procedimento, o que impede a possibilidade de salvar outras vidas”, explica. A enfermeira destaca que, com o luto e a dor, o momento da decisão é sempre delicado. Entretanto, as famílias que dizem “sim” à doação acabam encontrando um conforto único em meio à tristeza.

Doadores que multiplicam vidas

“De um único doador, é possível obter órgãos como rins, fígado, coração e pulmões, além de tecidos como córneas e pele, que podem beneficiar diversas pessoas”, afirma Marta. Ela também esclarece que a doação pode ocorrer tanto em vida, como no caso do rim e da medula óssea, quanto após a confirmação de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória. “Doar é um ato de generosidade que pode salvar vidas em casos de órgãos vitais e melhorar a qualidade de vida de quem depende de transplantes”, acrescenta.

O processo de doação: entender para aceitar

Marta destaca que a legislação brasileira exige o consentimento familiar para a retirada dos órgãos e tecidos. “Não é preciso deixar essa vontade registrada em cartório ou documento oficial, basta que a família esteja informada e atenda ao pedido do ente querido”, reforça. Essa orientação facilita o processo e respeita o desejo do doador, trazendo transparência para a decisão.

Tipos de doadores e critérios de elegibilidade

A enfermeira Marta esclarece que existem dois tipos de doadores falecidos: aqueles cuja morte foi declarada por critérios encefálicos e os que tiveram uma parada cardiorrespiratória. No primeiro caso, o doador pode contribuir com órgãos e tecidos, como coração e córneas; no segundo, apenas tecidos. Em ambos os casos, a autorização familiar é indispensável.

Critérios para doação e idade do doador

Não há restrições absolutas para a doação, mas a causa da morte e a ausência de doenças infecciosas são critérios básicos. Quanto à idade, Marta explica que depende da saúde do doador. “Se os órgãos estão em boas condições, a idade não é um empecilho. A central de transplantes avalia cada caso”, afirma.

Destino dos órgãos doados

Os órgãos doados são encaminhados a pacientes cadastrados em uma lista de espera unificada e informatizada. Marta esclarece que o Sistema Nacional de Transplantes organiza as filas com base em critérios de compatibilidade e urgência. “A central estadual de transplantes faz essa coordenação para garantir que os órgãos cheguem a quem mais precisa”, detalha a enfermeira.

O papel fundamental da comunicação e da família

“A vontade de ser doador precisa ser compartilhada em família”, diz Marta, enfatizando que a clareza sobre o desejo de doar facilita o processo para todos. Ela ainda incentiva o respeito à decisão dos familiares que manifestam essa vontade, contribuindo para a conscientização e para o fortalecimento do sistema de transplantes.

Garantia de integridade do corpo do doador

Marta explica que após a retirada dos órgãos, o corpo do doador é reconstituído, permitindo a realização de cerimônias fúnebres. “Após a doação, apenas pequenas cicatrizes ficam visíveis, e em casos de tecidos oculares, próteses são usadas para preservar a aparência”, afirma, tranquilizando as famílias que têm essa preocupação.

A enfermeira Marta de Assis Gonçalves finaliza destacando que esclarecer as dúvidas sobre a doação de órgãos e promover conversas sobre o tema são fundamentais para ampliar o número de doações. “Se cada pessoa que deseja ser doador conversar com seus familiares, a chance de salvarmos mais vidas aumenta consideravelmente”.

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