segunda, 9 de março de 2026
Publicado em 17 jan 2026 - 12:31:47
Segundo a vítima, apesar de não manter vínculo formal, é obrigado a se submeter a carga horária exaustiva e desumana
Da redação
Na noite da quarta-feira, 14/1, a Polícia Civil recebeu uma denúncia de um trabalhador de uma chácara em Ourinhos, que afirma viver em condições análogas à escravidão. O caso foi registrado e será investigado com base no artigo 149 do Código Penal.
O homem, de 66 anos, relata que trabalhava há mais de quatro anos sem registro em carteira, recebendo apenas uma pequena casa para morar, uma cesta básica por mês e R$ 10 diários.
Segundo a vítima, apesar de não manter vínculo formal, é obrigado a se submeter a carga horária exaustiva e desumana, acordando às 2h00 da manhã todos os dias para ordenhar as vacas, limpar a mangueira, cortar e moer capim para alimentar o gado, apartar os bezerros e limpar o pasto, tendo que ficar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive tarde da noite para socorrer o gado em emergências.

Ele afirma que nunca teve qualquer direito trabalhista respeitado. Para complementar alimentação, o proprietário da chácara autorizou que o mesmo plantasse uma horta e cultivasse mandioca, informando que essa cessão, seria em razão do mesmo não ser empregado, mas sim comodatário.
Informa ainda que era obrigado utilizar o maquinário para moer o capim e fazer ração, sem qualquer instrumento de proteção, tendo inclusive sofrido acidente e, após ser atendido na UPA, foi obrigado a continuar fazendo os serviços, além de ser exposto a produtos tóxicos sem qualquer proteção também.
Ainda segundo o reclamante, as filhas do proprietário do imóvel rural, em dezembro de 2025, compareceram em sua residência e pediram para que ele deixasse o imóvel imediatamente, mesmo sem ter para onde ir, sob pena de ter suas coisas e a casa derrubadas.
Em razão dos fatos, temendo pela sua vida, a vítima passou a residir com o sogro embora seus pertences ainda continuem na chácara pois não tem dinheiro para retirar.
A Polícia Civil deve ouvir os envolvidos, reunir provas e verificar se houve violação de direitos trabalhistas e humanos.
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