segunda, 27 de maio de 2024

Falta de medicamentos continua a prejudicar pacientes da rede pública de saúde

Pessoas ouvidas pela reportagem relataram as dificuldades que passam sem ter a quem recorrer e se conformar com a ineficiência do sistema de saúde e suas falhas, como a falta de medicamentos

 

José Luiz Martins

 

Os moradores de Ourinhos que dependem dos serviços públicos de saúde corriqueiramente passam pela a aflição de terem seu quadro de saúde agravado como consequência da falta de remédios ofertados nas farmácias do Centro de Saúde I (Postão) e UBS da cidade.

A reportagem do Negocião esteve na Farmácia Central na Secretaria de Saúde manhã de 5ª feira. Várias pessoas aguardavam para serem atendidas, não havia filas.

As pessoas ouvidas pelo jornal relataram as dificuldades que passam sem ter a quem recorrer e se conformar com a ineficiência do sistema de saúde e suas falhas, como a falta de medicamentos.

 

 

São pacientes que fazem tratamento com medicação de uso contínuo, controlado e também de alto custo. Alguns estão enfrentando dificuldade para retirar até medicamentos mais comuns como Dipirona entre outros.

Diante do recorrente problema muitos se veem em apuros por não ter condições financeiras de compra-los nas drogarias da cidade e acabam não fazendo uso dos remédios, interrompem tratamento e comprometem a própria saúde.

 

PERDEM A VIAGEM – Além da falta de medicamentos, os usuários da rede pública de saúde também reclamam da ausência de um comunicado afixado em local visível e de fácil leitura no dispensário, avisando quais os medicamentos que não estão disponíveis no momento.

Com isso, muitos pacientes que deixam seus domicílios em busca dos remédios, alguns de lugares bem distantes, ficam aguardando por muito tempo e só ficam sabendo que não há o medicamento após se dirigirem até os balcões de atendimento e acabam “perdendo a viagem”.

 

 

Eles até sugerem que, para evitar que tenham que se locomover de suas casas até as unidade de saúde e não encontrar os medicamentos que necessitam, que a Secretaria de Saúde encontre uma maneira de divulgar, on line ou de outra forma qualquer a lista dos medicamentos disponíveis e principalmente os que estão em falta no momento.

 

OUTRO LADO – Diante das reclamações enviamos por email os seguintes questionamentos à Secretaria de Saúde. Até o fechamento da edição não houve resposta.

– Pacientes tem reclamado que não estão encontrando na farmácia central alguns remédios prescritos. Está ocorrendo desabastecimento de alguns medicamentos? Quais?

– O que ocasiona a falta desses medicamentos?

– O que está sendo feito para normalizar o atendimento a essas prescrições?

– É possível divulgar a ocorrência da falta de medicamentos para evitar que as pessoas se dirijam até a unidade de saúde em vão?

Deixamos o espaço aberto para os esclarecimentos da administração pública.

 

O Negocião ouviu alguns munícipes que relataram as situações que enfrentam no dia a dia.

 

Hoje tive sorte de encontrar os remédios da minha receita, mas volta e meia não encontra e eles só dizem que está em falta. São dois que sempre faltam, é para controlar colesterol e outro pra trigliceris. No começo do ano não tinha e eu tenho que tomar todo dia, fiquei sem tomar por mais de um mês até que consegui comprar não podia mais ficar sem. É uma situação muito difícil por que a gente nem sabe direito com quem reclamar, as vezes os funcionários escutam poucas e boas, mas eles não tem culpa”. Valdir Ribeiro de Carvalho – aposentado – CDHU

 

“Eu minha esposa dependemos de remédios da saúde pública que tem que tomar todo dia. E hoje foi um dia que eu não consegui pegar o Finesterida é Doxazosina, esses tem faltado direto tá sempre faltando. Aí você tem que comprar e não é medicamento barato né? Eu nem reclamo mais, eles só dizem que está pra chegar, e pra saber quando vai chegar tem que estar vindo aqui perdendo tempo porque eles não avisam. E pra piorar tem um remédio que foi retirado e pra conseguir tem que entrar na justiça é o Daflon pra circulação”. Dirceu Magalhães de Oliveira – Comerciante aposentado – Vila Mano

 

“Sempre tem atraso nos remédios. Tenho conseguido, mas a Dipirona por exemplo já faz quase 30 dias que não tem. A insulina que é para minha esposa demorou 15 dias e hoje chegou. É muito ruim isso porque são medicamentos que não pode prescindir. Alguns temos que comprar, como a insulina que não pode ficar sem e se demora tenho que comprar até que chegue. Tenho vindo aqui pelo menos três vezes por mês e acontece de ficar esperando 40 minutos uma hora pra ficar sabendo que não tem e voltar de mãos vazias. Deveriam ter um meio de avisar, colocar uma placa mostrando, tal medicamento não tem pra não ficarmos nos desgastando com a espera”. Antônio Reis – Bancário aposentado – Vila Sândano

 

 “O médico me receitou cinco remédios e eu só consegui retirar um aqui, os outros disseram que está em falta. Eu perguntei quando que eu posso voltar pra pegar, não souberam dizer. Tenho sentido dores e agora não sei como fazer, ganho um salário mínimo e não tenho dinheiro agora, acho que vou ter de deixar de comprar comida pra comprar remédio”. Maria de Fátima Camargo – Enfermeira aposentada – Vila São Luiz

 

“Olha até que sou bem atendido, mas ultimamente tenho voltado pra casa sem os remédios. No meu caso é para tratamento de Parkinson é o Prolompas, e quando não tem espremo aqui e ali e compro na farmácia. Custa uns R$ 60  a caixinha dá para um mês. Já cheguei a ter que comprar por 3 meses seguidos e não adianta reclamar, só dizem que está pra chegar. Então, se não tiver um dinheirinho você vai definhando até morrer”. Hélio Elias de Souza – Vigilante aposentado – CDHU

 

 “Ultimamente está faltando bastante mesmo, tem que dar um jeito de comprar. E isso é muita despesa porque lá em casa tive que abandonar tudo para cuidar da minha mãe e do meu pai, porque eles estavam muito debilitados. Agora o meu pai morreu, ficou só minha mãe. Então eu tô cuidando dela e é um salário só da minha mãe. Ter que ficar comprando está difícil porque não é só um remédio, são vários e aqui sempre está em falta. Não estou encontrando Donepezila e Quetiapina também que ela toma. Sempre tem falta esse mês que passou eu consegui pegar mas fica três, quatro meses sem fornecimento no posto. E tem outro problema agora, tem que abrir processo para poder retirar. É um remédio de alto custo e é uma burocracia muito grande porque até o remédio ser liberado demora uns três quatro meses. Reclamo, mas sempre dizem que fazem o pedido e tem que aguardar”. Ester Martins de Oliveira – Do lar – Vila Operária

 

“Cuido da minha filha e venho pegar medicamento também pra minha irmã, o Biperideno, Haldol e o Neosine. O principal que ela toma e não pode ficar sem é Neosine. Nunca tem, temos que comprar e sempre faz a diferença no pequeno salário dela. Às vezes fica até três meses seguidos sem ter e é sempre a mesma resposta, está em falta só isso, não adianta discutir”. Claudineia Regina de Oliveira – Do lar – Vila Odilon

 

Lei obriga prefeitura a divulgar listas de medicamentos disponíveis

A maioria da população não sabe mas, uma lei aprovada e em vigor desde 2014 prevê que a prefeitura divulgue a relação de medicamentos colocados à disposição da população na rede básica de saúde. No entanto a norma não estaria sendo cumprida pelo prefeito Lucas Pocay. Confira a Lei Imagem lei divulgação medicamentos Lei-Nº6157-2014

A vereadora Roberta Stopa (PT) do Coletivo Enfrente há tempos têm solicitado informações da Prefeitura sobre o cumprimento da referida Lei Municipal nº 6157/2014. Recentemente a vereadora reiterou o pedido de informações no requerimento protocolado no início de abril. “Apresentamos o primeiro Requerimento sobre o tema em abril e até a presenta data não temos resposta. Por isso, estamos reiterando o pedido de informações e queremos saber como está o funcionamento dessa Lei”.

 

 

Roberta ressaltou que de acordo com a Lei Orgânica do Município, a Prefeitura tem a obrigatoriedade de responder os requerimentos em 15 dias. “Essa falta de resposta atrapalha nosso trabalho como vereadores e vereadoras, principalmente de fiscalização. Muitas vezes ocorre também de responderem de forma evasiva, isso não pode acontecer”.

A solicitação da vereadora para o cumprimento da lei vai de encontro às reclamações dos usuários que além da falta de medicamentos, queixam-se da ausência de informações antecipadas para evitar os deslocamentos inúteis como os demonstrados nesta reportagem.

Informações como: quais remédios estão em falta, quando será restabelecida a disponibilidade são de suma importância para que população esteja ciente dos medicamentos aos quais tem direito de forma gratuita.

 

 

 

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