sábado, 20 de julho de 2024

Há motivos para comemorar?

Publicado em 06 mar 2018 - 03:43:08

           

Alexandre Mansinho

Próximo ao Dia Internacional da Mulher surge a reflexão sobre a evolução das políticas públicas para garantias de igualdade e segurança mantidas pelo governo. Em Ourinhos os casos de feminicídio e violência doméstica são comuns e os casos de estupro já ultrapassam proporcionalmente os de cidades próximas como Assis e Marília.

Em um cálculo proporcional, feito com base no número de habitantes e os registros oficiais da Secretaria de Segurança Pública no ano de 2017, Ourinhos registra 1 caso para cada 2,5 mil habitantes, enquanto Marília registra 3,8 e Assis 3,9.

Nesse caso, quanto menor o número de casos por mil habitantes, maior é o risco proporcional – isso significa dizer que Ourinhos é uma cidade mais insegura para as mulheres que as outras cidades citadas. Em outra forma de contagem, Ourinhos teria 39,9 casos proporcionais, enquanto Marília teria 25,8 e Assis 25,4.

O ASSÉDIO INCOMODA MAIS – Em uma simples pesquisa, andando pelas ruas e conversando com diversas mulheres, o que mais se ouve é que o assédio (piadinhas, cantadas grosseiras, perseguição pelas ruas, abordagens inadequadas e invasivas) é o que mais incomoda as mulheres ourinhenses no cotidiano. Houve até uma jovem que disse: “fone de ouvido é acessório indispensável para ir ao centro da cidade, só assim eu deixo de ouvir toda a nojeira que alguns homens falam”.

A CASA É O LOCAL MAIS PERIGOSO – Em entrevista para o Jornal Negocião, a Dra. Ana Rute Castro, delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher, diz que as campanhas de educação e repressão a essa tipologia criminal tem surtido efeitos – o número de casos de autor desconhecido tem caído, já o número de casos de autor conhecido tem crescido: “os estupradores desconhecidos da vítima, que agem nas ruas e nas madrugadas, têm sido mais combatidos e, por meio de campanhas de autodefesa das próprias mulheres, têm tido suas ações diminuídas (…) já os estupradores conhecidos, que são parentes ou até amigos da família, têm sido mais denunciados, também como resultado de campanhas educativas”.

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