terça, 10 de março de 2026
Publicado em 28 set 2021 - 17:51:10
Agora o atendimento inicial das pessoas com sintomas de Covid-19, será feito nas Unidades Básicas de Saúde e nos Pronto-Atendimentos da Cohab, Posto Central e UPA
Marcília Estefani
Desde a manhã da sexta-feira, 24/9, o Hospital de Campanha de Ourinhos não está mais recebendo pacientes. O fechamento da unidade já havia sido divulgado, e aguardava o final do contrato com a MAXX Saúde, Organização Social responsável pela gestão do Hospital, finalizado neste dia 28/9. O avanço da vacinação e a diminuição de casos de covid-19 na cidade, foram essenciais para o encerramento das atividades do Covidão.

O fechamento foi feito de forma gradual para que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos pudessem se adaptar para a atender integralmente a demanda de internações a partir de agora. Já o atendimento inicial das pessoas com sintomas de Covid-19, será feito nas Unidades Básicas de Saúde e nos Pronto-Atendimentos da Cohab, Posto Central e UPA.

ÚLTIMO PACIENTE – Segundo postagens da assessoria de comunicação da prefeitura, o último paciente do Hospital a receber alta foi Mateus Luan Fernando, de 27 anos. A equipe do Hospital se reuniu para se despedir do rapaz, promovendo um momento emocionante para todos.

“Só tenho a agradecer a Deus por essa oportunidade de continuar vivo. O atendimento no Hospital foi excelente, são anjos que nos acolhem muito bem”, disse o jovem, confirmando o relato de muitas outras pessoas que passaram pelo hospital e tiveram a oportunidade de voltar para suas famílias cheios de gratidão.

EXPERIÊNCIAS MARCANTES DA LINHA DE FRENTE – De acordo com os registros, sabemos que a história do “Covidão” não foi só de flores, pois ali também muitas vidas se perderam, houve momentos de desespero, de tristeza, de falta de medicamentos essenciais, de falta de médicos, de leitos, porém é fato que a linha de frente, composta por toda a equipe de profissionais das mais diversas áreas, lutou bravamente pela vida de todos que por ali passaram.

Fernanda Martins, enfermeira, que há 1 ano e cinco meses, faz parte da linha de frete, lembra dos medos e desafios deste período, dedicados acima de tudo ao cuidado com o próximo. “Olha, te confesso que quando tudo começou não tínhamos noção de como iria acabar, se íamos estar aqui para contar a história, mas precisávamos cuidar das pessoas. Lembro que quando saia de casa minha mãe ficava chorando e pedindo para Deus me proteger”.

Sobre as experiências vividas, Fernanda afirma que jamais serão esquecidas, momentos horríveis, momentos bons e ruins, que vão ficar marcados para sempre. “Vivemos uma catástrofe na nossa cidade (…) até que começaram as mortes, as pessoas não fazem ideia do que foi nossos plantões, pessoas pedindo socorro, elas só queriam respirar, e nós já tínhamos dado todo o suporte que podíamos e mesmo assim não era o suficiente, pessoas necessitando de leito de UTI mas não tinham vagas… enfim… que desespero. Infelizmente encerramos não da forma como queríamos, pois, sabemos que perdemos muitas vidas. Mas por outro lado, salvamos muitas também”.

Ela relembra quando começaram a surgir os primeiros pacientes, cada um com o seu medo, sua angústia, seu desespero, sua prece.
“Dentre esses pacientes me lembro do dia que estava saindo de um quarto, logo no começo da pandemia, uma pessoa me chamou, e quando voltei para ver o que ela queria, ela me disse assim: minha filha, quando você estava entrando nesse quarto, pude ver uma bolha ao seu redor te protegendo e Deus quer que eu te diga que o medo que você está é enorme, mas nenhum mal vai te atingir, porque Deus te escolheu para cuidar de quem precisa, então fica tranquila, quando tudo acabar você vai ter saído ilesa porque você está sob a proteção de Deus. Como Deus não é homem para mentir nem filho do homem para se arrepender, aqui estou eu”, conta emocionada a enfermeira, ressaltando que teve contato com tantos pacientes com covid positivo no HCO e na UPA, os pais foram contagiados, pessoas muito próximas também, mas Fernanda não se contagiou com o vírus. “graças a Deus não me atingiu!”.

Sobre o sentimento do dever cumprido, a enfermeira afirma que termina este ciclo em sua vida com muita gratidão a todos os companheiros de jornada, à todos os pacientes que ficaram ali sob os cuidados de toda a equipe, que sempre tiveram uma palavra de apoio, amor, respeito e consideração pelo serviço e cuidados oferecidos. “A cada cartinha recebida, a cada lembrança que nos deram, a cada Deus Abençoe falado. Vou guardar tudo com muito amor e carinho”.
Pacientes deixavam cartinhas carinhosas, mimos, demonstrações de gratidão que dinheiro nenhum pode pagar.
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