sábado, 20 de julho de 2024

Idosa sofre ferimentos após ser contida por funcionários da Santa Casa

Publicado em 29 ago 2018 - 03:51:49

           

Letícia Azevedo

A aposentada Cezira Pereira, de 93 anos, deu entrada na Santa Casa de Ourinhos na tarde do sábado, 25, acompanhada da sua filha e foi encaminhada à emergência onde ficou internada para exames, sendo que no dia seguinte foi encontrada pela mesma filha com várias lesões em seus braços. A família registrou boletim de ocorrência na delegacia da mulher e pede explicações da Santa Casa. 

Márcia Pereira Ardito, de 60 anos, que acompanhava a mãe afirmou que foi impedida de entrar e acompanhar sua mãe, o que lhe causou estranheza, pois, por conta da idade avançada, por lei a idosa tem o direito assegurado de adentrar a hospitais com uma acompanhante. 

Segundo o hospital a mulher não poderia acompanhar a mãe porque a idosa foi encaminhada à emergência. Sendo assim ficou aguardando na recepção até a noite, quando foi dispensada e informada que D. Cezira passaria por uma série de exames, e que, após o término dos mesmos, a recepção entraria em contato com algum familiar e pediria que retornassem até a Santa Casa. 

A filha da idosa, que não tinha mais visto a mãe, foi embora e aguardou a ligação da entidade. No outro dia logo pela manhã, Marcia ligou para a recepção da Santa Casa e perguntou se já poderia ir até lá, sendo informada que somente após às 10h30 ela poderia visitar a mãe.

Chegando ao local, foi informada que a paciente teria se alterado durante a noite e teve que ser “contida” pelos funcionários do turno, por este motivo estava com um curativo no braço e sedada, sendo assim impossível falar com a mesma. Márcia ao ver que a mãe estava calma, e que ainda passaria por alguns exames, acabou retornando à sua residência.

Por volta das 14h00 a mulher recebeu uma ligação do hospital, alegando que D. Cezira seria transferida para o quarto, e que necessitava de uma acompanhante. Chegando ao hospital filha encontrou a mãe ainda sob efeito dos medicamentos, acordando por volta das 19 horas, quando começou a conversar, momento em que Márcia percebeu que os braços da mãe apresentavam algumas lesões.

Indagando a mãe sobre o que teria acontecido, ela com medo se recusou a falar, mas diante à insistência da filha acabou mostrando as outras escoriações e relatando que durante a noite, houve uma espécie de confraternização no hospital, e que ela teria se incomodado com o barulho e pedido que chamassem alguém da família para que a levassem embora, e além dos funcionários terem se negado em ligar para a família teriam ainda a amarrado no leito, causando as lesões em seu braço.   

Diante de toda a situação, Márcia entrou em contato com a sobrinha Ana Paula Gallani, que após receber as fotos das lesões nos braços da avó, procurou a delegacia da mulher e fez um boletim de ocorrência.

A aposentada passou por exame de corpo delito dentro do hospital, e os familiares cobram respostas da Santa Casa, pois alegam que D. Cezira não apresenta nenhum distúrbio (…) É inadmissível que casos assim ocorram, são muitas questões sem explicação, mas a principal é do porque ela foi amarrada, sendo que ela não sofre de nenhum distúrbio mental, pelo contrário, se trata de uma senhora extremamente lúcida. E porque não entraram em contato com a família, se ela estava tão alterada? (…) – questionou a sobrinha.

Ana Paula deixou claro a indignação de toda a família, e cobra respostas da Santa Casa “(…) A nossa intenção não é ter nenhum tipo de indenização por parte do hospital, queremos apenas uma explicação sensata e concreta em relação ao fato, pois esse não é o atendimento humanizado que o hospital prega. Onde está o respeito com as pessoas idosas?”

Outro lado – Procurada pelo Jornal Negocião, a assessoria de imprensa da Santa Casa de Ourinhos emitiu a seguinte nota: “A Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos informa que está ciente do caso e que abriu investigação interna para apurar os fatos relatados pela paciente e que está tomando todas as medidas cabíveis ao caso”.

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