domingo, 14 de abril de 2024

Infestação de pernilongos volta a atormentar moradores dos bairros

Não tem hora e nem lugar, eles estão presentes em todos os ambientes e durante todo o dia por toda a parte da cidade

 

 

José Luiz Martins

 

Basta ocorrer muita chuva e calor para que a população volte a ficar preocupada, pois essa combinação resulta em um problema que invariavelmente incomoda geral todo ano, atrapalhando o sono de grande parte da população, e porque não dizer, até o dia também de muitos ourinhenses.

Como se já não bastasse o Aedes transmissor da dengue e outras doenças, não há quem não reclame, os pernilongos da espécie Culex também chamado de “domésticos”, já estão deixando os moradores da cidade enlouquecidos. Não adianta fechar todas as janelas e portas, sacudir cortinas e esfumaçar o ambiente com muito inseticida aerosol.

As razões pelas quais a infestação de pernilongos ocorre nesta época do ano variam, mas a probabilidade é que estejam relacionadas com o calor excessivo e as chuvas dos últimos dias que formam uma combinação ideal para a proliferação de pernilongos e mosquitos. Segundo a Vigilância, é preciso colaboração das pessoas para evitar a multiplicação de criadouros.

Algumas das fontes mais comuns vêm de poças de água parada, mas também pode ser dentro de casa em bebedouro de cães e gatos, baldes ou qualquer outro recipiente que acumule a água. Até mesmo de algumas plantas caseiras.

 

RECLAMAÇÕES RECORRENTES – Entre janeiro e maio as reclamações sobre a invasão dos insetos crescem sobremaneira. Terrenos baldios desocupados seja público ou de particulares, abandonados por seus proprietários e com muito mato crescido, detritos e entulhos também servem de esconderijo para os mosquitos e é onde as pragas vão se alimentar de seiva das plantas.

Os pernilongos são notados em vários bairros invadindo as casas durante todo o dia, piorando no entardecer. Invariavelmente, as localidades mais afetadas são as mais próximas às duas lagoas de decantação do esgoto de Ourinhos, há tempos verifica-se que esses locais são os principais esconderijos e criadouros dessa espécie de mosquito. Porém, nos últimos meses, munícipes de toda a parte da cidade têm reclamado.

As lagoas de estabilização do esgoto estão localizadas às margens dos rios Pardo e Paranapanema e normalmente são repletas da planta aquática aguapé que facilitam o desenvolvimento das fases iniciais de vida do pernilongo doméstico e oferecem abrigo aos adultos, machos e fêmeas.

A planta tem um formato de folhas que retém água da chuva, um dos lugares preferidos para o inseto voador depositar seus ovos. Mas não importa, os mosquitos sugadores de sangue batem asas e vêm de longe voando e zunindo ao pé do ouvido e picando praticamente em todo canto do município.

“É de manhã até a noite, não tem hora e nem inseticida que dê fim a esses pernilongos, a gente limpa a casa, já espalha o inseticida, fecha tudo, e quando vê eles já estão lá de novo”, diz Maria Moraes, moradora da Vila Kennedy.

Conversando com vários moradores da Rua Rui Barbosa na Vila Margarida, bem próximo ao centro da cidade todos dizem a mesma coisa “não tem adiantado trancar tudo, tacar veneno porque eles têm vindo aos montes é muito pernilongo tá demais”, comentou a comerciária aposentada I.G.B.

Segundo a moradora J. O. G. só o repelente espanta os mosquitos. “Não consegue dar conta eu não sei mais o que fazer porque é difícil a gente põe o ventilador não vence espantar o bichinho, não vence comprar inseticida pra usar todo dia ou tem que passar repelente”. Ela acredita que os mosquitos estão se proliferando em uma área da prefeitura enfrente a sua e demais casas ao longo de uma quadra da rua com muito mato alto e construções antigas abandonadas.

“Olha esse terreno aqui, não é só pernilongo que tem aí não. Dali sai cobra, rato, barata, escorpião, aranha, tem de tudo ali. Já reclamamos eu e os vizinhos pedimos pra cortar o mato e limpar, mas é um descaso de muitos meses”, reclamou.

Mariana de Oliveira, do Jardim Paulista, conta que precisa manter as crianças sempre com repelente, para não ficarem todas marcadas de picadas. “É muito pernilongo, até mesmo durante o dia eu e meu marido estamos mantendo as crianças com repelente principalmente nas pernas e braços, porque eles ficam cheios de picadas. A gente sabe que a época ajuda a proliferação, mas é impressionante pela quantidade, e por não adiantar a aplicação dos inseticidas, parece que eles se acostumaram com os produtos”, diz a munícipe que reside na Rua Pedro Marques Leão.

Moradores da Vila Margarida afirmam que o local ajuda a juntar pernilongos

 

Rua Rui Barbosa tem casas apenas de uma lado da rua (9)

 

CUIDADOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA – De acordo com informações do Controle de Vetores da Vigilância Epidemiológica o problema de pernilongos na cidade é recorrente nesse período do ano, geralmente propício para o aumento dos pernilongos tanto o Aedes Aegpty transmissor da Dengue como o Culex.

Vagner Antônio de Sousa gerente do Núcleo de Controle de Vetores explicou à reportagem do Negocião que a nebulização com inseticida para eliminar os mosquitos só é realizada quando existe a confirmação de casos de dengue. O veneno usado para o conhecido “fumacê” é desenvolvido para eliminar todo tipo de pernilongo adulto, já que as espécies têm o mesmo sistema e ciclo de reprodução, mata tanto o Aedes quanto o Culex.

“Quando há casos de dengue nós realizamos a nebulização num raio de 200 metros no entorno do local, onde é constatado casos da doença, para eliminar os pernilongos adultos provavelmente infectados com o vírus. E só nesses casos, do contrário não se faz a nebulização”, detalhou.

Ele revelou que ultimamente não está sendo feita a nebulização pela falta do produto cuja distribuição aos municípios é de responsabilidade dos governos federal e estadual. Desde o ano passado em quase todo país o inseticida produzido no exterior não foi adquirido a tempo para ser distribuído e aplicado nesse período propício a proliferação desses insetos.

“Isso é um problema nacional e igualmente estamos sem o abastecimento de inseticida, depende de insumos internacionais que vem de outros países que estão em conflito e outros fatores. As solicitações do produto foram feitas desde meados do ano passado, informou o Ministério da Saúde em comunicado recente enviado as secretarias de saúde explicando essa situação”, detalhou.

Vagner observou que apesar do poder público ter feito campanhas, muitas publicações alertando, chamando a atenção para o fato de que a maneira mais eficaz no combate aos pernilongos, principalmente os transmissores da dengue, é eliminando criadouros, falta conscientização por parte da população. “Temos levado tanta informação à população sobre o problema, mas falta muito ainda em conscientização pra que possamos controlar satisfatoriamente esses vetores. No mês de fevereiro já encontramos mais de 1.200 focos de dengue, principalmente nas residências”.

 

CUIDADOS DA SAE – Já a SAE, Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos, responsável por retirar os aguapés da Lagoa, limpeza necessária para ser aplicado Bioinseticida na água para matar as larvas dos insetos, disse que as lagoas de estabilização de esgoto dos Rios Pardo e Paranapanema recebem limpeza periódica.

Os aguapés são retirados e os pernilongos eliminados com aplicação do bioinseticida. As ações desenvolvidas pela autarquia são fundamentais para manter as lagoas de estabilização em funcionamento e prevenir infestação de mosquitos.

O mais recente procedimento foi realizado dia 14 de fevereiro, os aguapés de reproduzem rapidamente, formando um “tapete verde” sob a água, o que dificulta o manejo na lagoa, inclusive prejudicando a eliminação dos pernilongos. O bioinseticida utilizado não provoca danos ambientais por ser composto de organismos vivos que se alimentam das larvas dos pernilongos.

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