quarta, 17 de abril de 2024

Mas um ano chega ao fim e com ele a oportunidade de recomeçar

O momento se faz importante pra um balanço geral e para reunir as lições do dia a dia que nos trazem experiência e esperança

 

José Luiz Martins

 

Não há quem possa negar que os anos de 2020 e 2021 foram os mais caóticos e terríveis para humanidade principalmente por causa da pandemia, que afetou a todos em escala global com muitas aflições, tristezas, infelicidades, consternações e angústias. Foram os anos de isolamento para quase todos, do trabalho em casa para quem conseguiu manter o seu, obstáculos, dificuldades indesejáveis e inesperadas que forçosamente trouxeram lições e aprendizados.

O ano de 2022 reforçou lições passadas e já está virando a esquina para a reta final a caminho de 2023. O ano que termina foi o ano do arrefecimento do turbilhão de acontecimentos e rescaldo dos pesares e flagelos dos anos anteriores que colocaram vidas em risco enquanto muitas outras sucumbiram.

Embora a pandemia tenha desacelerado (não terminou ainda), 2022 continuou intenso para os brasileiros por conta de outros eventos como crise política, as eleições, a alta no custo de vida entre tantos outros, que são os exemplos de como a “normalidade” ou a volta do normal no dia a dia continuou sendo afetada.

Não temos como ignorar como essas circunstâncias, mas agora, depois de dois anos muito difíceis, refletir e aterrar-se sobre o que vivemos é essencial.

Atentar para as lições dos anos anteriores consumadas em 2022 é caminhar para o necessário aprendizado para nos impulsionar para o futuro, sendo seguro dizer que não podemos enfrentar a vida sozinhos.

Os seres humanos são criaturas sociais, precisamos de boas conversas, intimidade e ser ouvidos. Estamos todos aprendendo e aceitando que nossos laços e relacionamentos próximos e a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar às mudanças, lidar com as adversidades, são o que realmente importa.

Como testemunhou a ourinhense de nascimento, Adriele de Almeida Rodrigues, residente Parque Minas Gerais, que atualmente trabalha como manicure, após o período mais grave da pandemia, ano de eleição e copa do mundo em 2022, a palavra que resume o que passamos é resiliência.

“O aprendizado foi ver a força que os brasileiros têm para se levantar diante de tantas dificuldades que tivemos. Eu vi isso até mesmo nas crianças que enfrentaram essas situações que elas não precisariam ter enfrentando. Vi as pessoas lutando para sobreviver e isso me fez começar a reunir forças pra lutar, pegar essa força das ações das pessoas como se fosse aderir a uma corrente de resistência. E essa resiliência e resistência foram muito importantes, isso foi um grande aprendizado para mim nesse ano”.

Adriele de Almeida Rodrigues – Manicure

 

Muita coisa aconteceu e serviu de aprendizado geral, o principal é que a luta por uma sociedade mais justa é eterna, ela não acaba em 2022. Foi um ano repleto de luta para muitos e agora é buscar em 2023 colher o fruto dessa luta, disse à reportagem o professor aposentado e quitandeiro Adolar José Raimundo, morador na vila Perino.

A questão da pandemia eu entendo que foi a coisa mais grave que poderia acontecer. Por mais que nós soubéssemos quem era o governo nos últimos quatro anos, qual era o projeto político, quais as forças, os setores da sociedade que beneficiou e como a pandemia foi tratada pelo governo errático junto com médicos, advogados, imprensa etc. Faltou tudo e por pouco não enterraram o SUS, que resistiu bravamente, o aprendizado foi ver o quanto o SUS foi importante, mas foi abalado e por conta disso muitas pessoas morreram”.

Adolar lembra que o Brasil era um exemplo para o mundo em termos de campanhas de vacinação, com ampla cobertura imunizante para várias doenças e isso foi praticamente desmontado, “foram coisas e acontecimentos até então inimagináveis e tudo isso foi uma grande lição para o futuro evitando erros”.

Adolar José Raimundo – professor

 

Natural de Ourinhos, Francisco Carlos Ferreira, residente na Vila Kennedy, trabalha como sapateiro desde os 13 anos. Com 63 está na atividade há mais de 50 anos e relatou que a cada ano que passa o maior aprendizado é procurar andar certinho na vida e principalmente com as contas que temos que pagar. “Nos últimos três anos foi difícil demais, um monte de coisa ruim aconteceu e como para viver nesse mundo tudo depende de dinheiro eu já sei a lição ‘decor’ faz muitos anos. Mas como eu falei 2022 tive que ter mais cuidado pra andar certinho com a minhas contas. Espero que o próximo seja melhor do que esse que tá terminando né seja melhor pra todo mundo”.

Francisco Carlos Ferreira – sapateiro

 

Se aprendemos alguma coisa nos últimos anos, foi lidar com o peso das tribulações que a vida nos traz, quer gostemos ou não. Pessoas perderam o emprego, tiveram problemas de saúde, sofreram perdas de entes queridos como o promotor de vendas Alex Domingos Antônio, de 30 anos, morador do Jardim Manhatan. Ele conta que neste ano perdeu um primo de quatro anos de idade e foi muito triste lidar com essa perda, mas ele e a família seguiram enfrente recuperando-se. Para ele mais o aprendizado mais importante é saber lidar com os obstáculos do dia a dia.

“Todos os dias alguma coisa pode acontecer que serve de lição e nos leva a aprender alguma coisa, o aprendizado é que a gente tem que viver cada dia em paz com as pessoas porque a vida é curta. De certa forma o ano 2022 ainda foi bom, teve vários pontos positivos e negativos que serviu para aprender alguma coisa, que deixou lição embora o brasileiro seja um pouco memória fraca. Então a gente agrega um pouco a isso, porque pontos negativos teve mais que positivos e é a somatória de coisas que no fim o ano rendeu”.

Alex Domingos Antônio – promotor de vendas

 

Às vezes, certas circunstâncias que enfrentamos na vida vem e vão como as marés no oceano, algumas situações negativas exigem que aceitemos permitindo que as marés as levem. Em outras, o melhor caminho e lição para que retomemos o controle é a insistência, como relatou o frentista Adriano Ailson Lorenzon de 43 anos morador no Jardim Itamaraty, ele nasceu em Jacarezinho e a mais de 25 anos reside em Ourinhos. “Com certeza, sempre acontece alguma coisa que serve de lição, 2022 foi um ano de muita luta, muita insistência, esse ano que acaba ensinou que a gente nunca pode parar de insistir, temos que ser insistentes naquilo que a gente quer. Foi um ano difícil, de muita batalha, mas um ano inesquecível de muitas vitórias e experiências que ensinou muito, pra gente acreditar e vencer em todas as áreas”.

Adriano Ailson Lorenzon – frentista

 

E assim segue a vida, a oportunidade de aprender mesmo em tempos difíceis, nos ensina refletir e seguir em frente, para o vendedor Márcio Celso Venâncio, os últimos anos deixaram várias lições, uma delas é que sempre quando estivermos em dificuldades temos que procurar superar e vencer a batalha diária, declarou o ourinhense nato de 44 anos, morador na vila Vila Recreio.

Márcio Celso Venâncio – vendedor

 

“Temos que ter fé e não perder a esperança que sempre o próximo dia, mês e ano a gente espera que seja melhor que o anterior. No meu caso eu venci a Covid em 2022, peguei no começo do ano, eu minha família passamos um mês e meio difícil, mas graças a Deus nós recuperamos. Ficou algumas sequelas, mas estamos aí vivos e com saúde na expectativa e fé de termos um ano melhor com novas metas e superar as dificuldades que aparecerem no caminho sempre aprendendo com elas”.

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