sábado, 13 de abril de 2024

Mesmo com cobrança de pedágio, trecho que liga os municípios de Ourinhos e Marília coleciona tragédias.

Na última semana, um trágico acidente vitimou cinco pessoas, três delas da mesma família

 

Alexandre Mansinho

 

Segunda-feira, dia 21 de agosto, perto das 13h, um acidente trágico marcou negativamente diversas famílias: um caminhão com excesso de velocidade não respeitou a sinalização da via e provocou um engavetamento – três veículos de passeio e uma carreta foram atingidos, cinco pessoas morreram, quatro no local, uma depois de chegar à Santa Casa de Ourinhos e outras quatro pessoas ficaram feridas.

A professora da rede municipal de ensino de Ipaussu (SP) Vilma Bacochina Carrara, de 58 anos, e os pais dela, Adelina Bacochina e João Bacochina, ambos com 82 anos, estavam no carro que recebeu o impacto mais violento; além deles, o mariliense Luis Gustavo Araújo de Castro, de 38 anos, que estava em outro veículo envolvido, também perdeu a vida. Essa é apenas mais uma ocorrência da lista de acidentes graves que ocorrem no trecho Ourinhos/Marília da Rodovia Transbrasiliana.

Histórico de abandono – Entre os anos 70, 80, 90 e os anos 2.000 o trecho Ourinhos/Marília da BR 153 recebeu o apelido de “corredor da morte” – o DNIT, departamento federal que cuida das rodovias, operava poucas obras de manutenção e a situação do asfalto era tão grave que, em alguns trechos, os buracos eram remendados com terra. Há dez anos que o trecho é administrado pela iniciativa privada, hoje a Concessionária Triunfo responde pela manutenção da via; atualmente, na praça de pedágio próxima à cidade de Marília, o pedágio básico para veículos de passeio custa R$ 8,90, podendo chegar até R$ 53,40 para carretas de 6 eixos. Veículos de duas rodas, incluindo até bicicletas motorizadas, pagam R$ 4,45. No entanto, as reclamações de má sinalização e de buracos na pista são constantes.

Pista simples – Embora pedagiada, a conservação da via ainda é motivo para reclamação dos usuários. Os mais de 90 quilômetros que suportam trânsito pesado e pelos quais se escoam milhões de reais em produção agrícola e de manufaturados, são de pista simples, sem canteiro central e com raríssimos trechos de guard rail. Essas condições, aliada a manutenção ineficaz torna a rodovia palco para inúmeros acidentes.

O Jornal Negocião procurou o DNIT/SP, a Polícia Rodoviária Federal e a Concessionária Triunfo. Até o fechamento desta edição, somente a Polícia Rodoviária Federal respondeu, por meio de nota, aos pedidos de informações. De acordo com a PRF, há um plano de ações com vistas a diminuir a letalidade no trecho Ourinhos/Marília da BR 153: “A fiscalização do excesso de velocidade, ultrapassagem, alcoolemia, excesso de peso, jornada de trabalho e descanso de condutores de veículos pesados, fatores de risco amplamente reconhecidos que aumentam significativamente a probabilidade de ocorrência de acidentes, junto a rondas planejadas em locais mapeados previamente, desempenham um papel fundamental na redução de acidentes de trânsito. Atualmente todos os esforços, como escala extras, são direcionados à Segurança Viária”.

Ainda segundo a PRF: “a Delegacia de Marília instaurou, no ano de 2021, processo para que neste fossem identificados os fatores de risco constatados nos componentes viários da BR 153 ao longo do trecho de responsabilidade da 07ª Delegacia da PRF em Marília/SP, essenciais para subsidiar ações internas e externas para melhoria da segurança no trânsito. Procedimento este já informado ao Ministério Público Federal (PRM – Marília)”.

Plano executivo de duplicação – Foi anunciado pelo DNIT/SP, em 2015, a realização do projeto que teria por objetivo duplicar vários trechos da BR 153 no estado, incluindo o Ourinhos/Marília. No entanto, até o momento, não há notícias de abertura de processo de licitação para a realização dessas obras.

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