sábado, 20 de abril de 2024

Moradores do Jardim Flórida pedem limpeza no Córrego Christoni e em áreas com mato alto no bairro

Além da grande incidência de pernilongos, a população do local ainda relara surgimento de cobras, escorpiões e aranhas

 

José Luiz Martins

 

A última edição do Negocião Digital trouxe uma reportagem relatando a preocupação e incômodo de munícipes com a incidência dos pernilongos, tanto o Aedes Aegypti, espécie transmissor de doenças como dengue, zika vírus e Chikungunya, e agora também o Culex quinquefasciatus, espécie que muito tem se multiplicado.

As duas espécies são as mais bem adaptadas às áreas urbanas, enquanto o Aedes representa um grande problema de saúde pública causando endemia e mortes, especialistas descartam o Culex como um sério perigo. Mas o fato é que nas ultimas semanas os mosquitos estão se tornando cada vez mais incômodos e sua atividade não se limita à noite.

Após a publicação da reportagem munícipes residentes no Jardim Flórida entraram em contato com a redação reportando o problema no bairro onde moram, localizado próximo de um riacho conhecido como córrego Christoni. Os moradores apontam picadas de pernilongos, coceira na pele, além do surgimento de cobras, escorpiões e aranhas. Culpam as condições de limpeza do córrego e falta de roçada do mato no entorno.

Canalizado, o riacho nasce em uma grande área abandonada nos fundos do extinto CSU – Centro Social Urbano e percorre um grande trecho urbano, indo desaguar no rio Pardo, onde existe água parada em alguns pontos devido ao grande acúmulo de lixo, conforme os moradores.

É o que relatou o casal, residentes na Rua Benedito Ignácio Pires no Jd Flórida. Eles reclamam da falta de ação para conter a crescente ameaça de mosquitos e os outros insetos e animais peçonhentos.

Comentando a reportagem do Negocião, disseram que o problema onde moram é maior: “Já fizemos reclamações de todas as formas e ninguém resolve. O problema aqui é ainda mais grave porque está saindo escorpião, cobra e muito pernilongo da dengue. Tem o córrego aqui bem perto e parece que nunca foi limpo, olha a situação que estamos vivendo, essa água está parada mais de ano, é nos fundos da minha casa. Eu já tive dengue quase morri”,reclamou.

“Os mosquitos estão por todo o lado, seja quando me sento na varanda de casa ou quando vou para o quarto dormir, usamos repelente, mas um frasco acaba em dois dias. Já passou da hora da prefeitura enviar equipes para limpar aqui”, relatou o morador aposentado.

Outra moradora diz que mosquitos afetam principalmente as crianças. “Meu filho está com o corpo cheio de picadas e não é dentro de casa que ele é picado. Tomo cuidados pra evitar que os pernilongos entrem, uso inseticida muitas vezes. Eles estão também fora de casa ao ar livre, deve haver uma solução para isso”, disse ela.

 

Saiba as diferenças entre Aedes que transmite a dengue e o Culex chamado de pernilongo doméstico

De acordo com o pesquisador José Bento Pereira Lima, do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), o Aedes é muito ágil, se reproduz em água limpa, ataca em plena luz do dia e transmite a dengue. O outro prefere a madrugada, coloca seus ovos em água suja rica em matéria orgânica e atormenta as noites de sono com seu zumbido.

Os dois espreitam nas sombras, dentro de casa, esperando a oportunidade de se alimentar com sangue necessário para produzir seus ovos. Com a chegada do verão, acelera-se o ciclo reprodutivo e de desenvolvimento dos dois mosquitos mais urbanos do mundo.

Ele alerta que, para controlar a população dos dois insetos, é preciso entender as diferenças entre eles e eliminar seus criadouros, sejam os focos de água parada e limpa, no caso do A. aegypti, ou suja, no caso do Culex.

O A. aegypti está muito mais ativo durante o dia, em especial no início da manhã e no fim da tarde, se alimentando de sangue para maturar seus ovos. É um mosquito totalmente diurno, mas isso não significa que ele não pique à noite. “É um mosquito oportunista: se o morador deixar uma perna ou braço exposto próximo ao abrigo do A. aegypti, provavelmente será picado mesmo à noite. O Culex, por sua vez, é um mosquito noturno, que prefere se alimentar no horário em que as pessoas estão em repouso”.

Culex o pernilongo do Zumbido

Aquele zumbido que ouvimos a noite, no escuro rondando nossa cabeça é o Culex em ação. De acordo com o pesquisador ele é atraído pelo gás carbônico emitido na respiração humana, voando próximo do rosto, e só depois escolhe um local para picar. É por isso que costumamos ouvir zumbidos tão característicos de sua aproximação.

O Aedes Aegypti é um mosquito discreto, raramente notado quando se alimenta de sangue, e muito arisco, fugindo com qualquer movimento mais brusco. O Culex chega fazendo barulho próximo ao ouvido e não é tão difícil de apanhar quanto o outro. Dentro das residências os dois convivem bem e costumam ser encontrados nos mesmos abrigos: debaixo de mesas, atrás de móveis, entre cortinas e em nichos de estantes, por exemplo.

 

 O A. aegypti e o Culex – Foto Gustavo Resende

O A. aegypti é escuro e apresenta marcações brancas nas pernas e no corpo, enquanto o Culex apresenta coloração marrom. Além dessas diferenças, os dois mosquitos apresentam hábitos bastante diferenciados em relação aos seus criadouros preferenciais e horários de maior atividade

 

 Criadouros agua limpa e suja

Enquanto reservatórios de água limpa à céu aberto, com pouco material orgânico (esq.), são possíveis criadouros de A aegypti, cisternas (dir.) e valões, que acumulam água suja,são ideais para ovos e larvas de Culex

 

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