terça, 09 de dezembro de 2025

Morte de criança picada por escorpião gera polêmica e questionamentos da população

Publicado em 27 out 2018 - 04:41:15

           

Letícia Azevedo

Na terça-feira, 23, uma menina de apenas quatro anos, Giovana Guedes Martins, entrou em óbito na Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos após complicações decorrentes de uma picada de escorpião amarelo. O fato gerou repercussão junto à população trazendo à tona dois problemas: atendimento UPA/Santa Casa e a suposta infestação que ocorre na cidade por parte deste animal perigoso.

Segundo a família de Giovana, ouvida pelo Jornal Negocião, na segunda-feira, 22, por volta das 7h00 da manhã, a mãe da menina estava arrumando a criança para ir à escola e foi surpreendida por um escorpião amarelo que estava dentro da roupa e acabou picando a filha várias vezes, sendo também a mãe atingida ao tentar socorrer a menina.

Imediatamente o tio da criança ligou para o SAMU pedindo socorro, foi interrogado pelo médico e no período de tempo de aproximadamente 25 minutos a criança foi levada por uma ambulância até a Unidade de Pronto Atendimento – UPA, sentindo fortes dores, sendo a mãe também atendida no local.  

A criança ficou em observação na UPA e por complicações em seu estado de saúde foi transferida para a Santa Casa de Misericórdia, onde foi atendida e encaminhada à UTI. Ainda na unidade de terapia intensiva Giovana sofreu parada respiratória e veio a óbito. Em meio a grande consternação a pequena foi sepultada na terça-feira, 24, às 11h00 da manhã no cemitério local. 

Os procedimentos de atendimento SAMU/UPA/Santa Casa, mais uma vez causaram questionamentos por parte da população ourinhense e também da família. O Jornal Negocião buscou ouvir a todos os envolvidos para esclarecer os fatos.

A família da pequena Giovana questiona a funcionalidade desses procedimentos, e do real motivo da menina não ter sido encaminhada diretamente para a Santa Casa, que é o hospital referência em atendimento a vítimas de picadas de escorpião, sendo inclusive, o único local na cidade onde o soro antiescorpiônico está disponível, mas ressaltam que em nenhum momento a Santa Casa teria negado atendimento.

SANTA CASA DE OURINHOS – Procurada pela reportagem, a Santa Casa informou, por meio de nota, que a paciente deu entrada no Pronto Socorro vindo encaminhada da UPA. A médica pediatra já a aguardava e foi imediatamente atendida e medicada. Em seguida, foi transferida para a UTI Infantil onde veio a óbito, após sofrer parada cardíaca”.

SAMU E UPA – Apesar de não terem se manifestado oficialmente através de seus departamentos de comunicação, afirmaram extra-oficialmente, que todos os protocolos foram respeitados e seguidos à risca, inclusive o encaminhamento da vítima primeiramente a UPA, e posteriormente à Santa Casa. 

SECRETARIA DE SAÚDE – A secretária de saúde, Cássia Palhas, também se manifestou por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, explicando que o atendimento foi extremamente correto desde o início quando o tio da menina ligou para o SAMU. Segundo a secretária, a vítima foi levada pelo SAMU até a UPA, onde foi atendida imediatamente pelos médicos, “80% dos casos de picadas de escorpião, não há necessidade de se tomar o soro, faz-se somente o bloqueio, e foi o que foi feito, a médica fez o bloqueio porque ela chorava muito de dor no dedo e ela melhorou, mas como ela tinha outras complicações prévias de saúde, segundo a mãe relatou na hora da consulta, a médica resolveu deixá-la em observação e ela ficou bem.” 

ATENDIMENTO NA SANTA CASA – Cássia deixou bem claro que, em momento algum, a Santa Casa negou esse atendimento, “aproximadamente às 10h ela (Giovana) começou a sentir falta de ar e foi solicitada a presença da médica, ela veio e começaram a fazer os procedimentos porque a falta de ar começou a aumentar. Assim foi pedido a vaga para a Santa Casa e ao SAMU que fizesse o transporte. Foi feita a transferência e quando ela chegou lá teve uma para cardíaca e foi para a UTI, durante o dia foi tratada, houve outras paradas e infelizmente veio a óbito.”

SORO ANTIESCORPIÔNICO – De acordo com a secretária, em Ourinhos, o soro antiscorpiônico é intra hospitalar, fica dentro da Santa Casa, que é referência para 12 municípios de nossa região, e após o atendimento na UPA, se houver necessidade,, o paciente é encaminhado para a Santa Casa e lá é aplicado o soro. Giovana recebeu o soro na Santa Casa. 

TRANSPORTE DA PACIENTE – Cássia Palhas explicou também como acontece o atendimento do SAMU, informou que quando a pessoa aciona o 192 do SAMU, o médico atende e pergunta quais os sinais e os sintomas do paciente para definir o transporte adequando, que pode ser a ambulância avançada ou a ambulância social. “o tio da menina ligou para a unidade do SAMU, ele foi atendido por um médico e na gravação consta que ela estava com dor, por isto a ambulância social foi buscar a criança, porque o tio informou que era só dor então houve o procedimento correto”.

OPINIÃO DE UM PEDIATRA – Nossa equipe procurou também por um pediatra, a fim de tentar esclarecer quais as medidas a serem tomadas em caso de incidentes ocorridos como esse da menina Giovana. O Dr. José Luiz de Lima esclareceu que, apesar de não estar envolvido com o caso, a maioria dos incidentes com escorpiões não são fatais, e que o que aconteceu com a criança foi uma fatalidade. Ele disse também, que segundo informações que obteve, o protocolo foi seguido corretamente. O pediatra disse ainda que em casos de acidentes com escorpiões ou qualquer outro animal peçonhento, é necessário que se coloque imediatamente gelo no local, pois o gelo retarda a circulação e irradiação de veneno para o resto do corpo.

Lembrando que em crianças abaixo de 5 anos e idosos com mais de 65 anos, o veneno do animal leva a uma reação mais agressiva. 

INFESTAÇÃO – A respeito de uma possível infestação que está tomando conta da cidade, o Prefeito Lucas Pocay informou que serão feitas novas ações de limpeza e até dedetização, e pediu que a população se conscientize e faça a sua parte, porque não adianta a prefeitura limpar se as pessoas continuarem a jogar lixo em locais proibidos, o que se torna ambiente ideal para a proliferação tanto de escorpião como pernilongos, mosquitos e até roedores, inclusive nos períodos das chuvas podem trazer à tona novamente o problema da dengue.

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