quinta, 13 de junho de 2024

“Não é necessário pânico e nem uma corrida aos Postos de Saúde”, diz especialista sobre o recente surto de Febre Amarela

Alexandre Mansinho

Confirmação do caso de febre amarela em Santa Cruz do Rio Pardo e aparecimento de macacos mortos em Cândido Mota colocam em alerta as autoridades de saúde em toda a região. Como parte de uma série de medidas de formação e capacitação dos profissionais de saúde, o Dr. Luís Augusto Mazzetto, infectologista da Diretoria Regional de Saúde, deu uma palestra sobre febre amarela na Câmara dos Vereadores de Ourinhos. O diferencial dessa palestra é que a linguagem usada por Dr. Luís foi direcionada não só para profissionais da área, mas também para o público em geral.

SOMOS “ZONA DE RISCO” – Desde o início dos anos 90 a cidade de Ourinhos já é considerada zona de risco para a ocorrência de febre amarela, porém a ausência de casos registrados deixou a população menos preocupada com a doença. No entanto, Dr. Luís adverte que não é caso de desespero, há diversas medidas que devem ser tomadas antes de uma corrida aos postos de saúde: “a população que vive em zona rural deve ser vacinada, também a população urbana que frequenta matas, florestas, trilhas, fazendas e campings – o mosquito que transmite a doença vive na copa das árvores, nas cidades o último registro de febre amarela data dos anos 40”.

O grande medo das autoridades de saúde é que, com o crescimento dos casos em zona rural, o mosquito aedes aegypti possa também se contaminar e passar a transmitir a doença em ambiente urbano: “todas as medidas de combate ao aedes devem ser intensificadas, não podemos esquecer que esse mosquito transmite diversas doenças e, com seu controle, ficaremos livres da possibilidade da febre amarela urbana”, diz Dr. Luís.

MITOS E VERDADES – Segundo Dr. Luís, a única medida realmente eficaz é a vacinação: “há repelentes de insetos sendo vendidos no comércio que têm duração de poucas horas, ou outros que simplesmente não protegem – tomar vitamina B12 também não é uma medida que afasta o mosquito, sobre isso não existem evidências científicas”.

VACINAS – A última recomendação do Ministério da Saúde é que, caso a pessoa já tenha tomado as duas doses da vacina, não é mais necessário a re-vacinação, segundo Dr. Luís: “havia antigamente uma recomendação de reforço a cada 10 anos, hoje essa recomendação foi reconsiderada – pesquisas dão conta que o indivíduo que já foi vacinado depois dos 5 anos de idade, já fica imune por toda a vida”. “Como se trata de uma vacina com vírus vivo, não é recomendado que se tome a vacina de forma indiscriminada, há vários efeitos colaterais que podem ser percebidos”, completa.

MEDIDAS DA PREFEITURA DE OURINHOS – Segundo Cássia Borges Palhas, secretária de saúde do município, várias medidas estão sendo tomadas para prevenir o surgimento de focos da doença nas terras ourinhenses: “a secretaria convocou 30 agentes de controle de endemias da lista do último concurso, para agir no combate aos criadouros de mosquitos e demais vetores de doenças; além de diversas outras ações, como essa palestra, por exemplo”.

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