terça, 18 de junho de 2024

Noivos procuram economizar nos casamentos e obrigam empresas a adaptarem-se à crise

Alexandre Q. Mansinho

 Há cerca de 5 anos a cidade de Ourinhos era referência para empresas de eventos familiares – era comum ver noivas tirando fotos nas praças e cortejos de carros buzinando em comemoração às núpcias. Atualmente, após um longo tempo de recessão econômica, tais eventos são raros. Em entrevista ao Novo Negocião, profissionais são unânimes em dizer: as pessoas continuam se casando, as festas continuam acontecendo, mas o valor dos eventos tem caído sensivelmente – sinal de que os noivos tem buscado acima de tudo a economia para poder realizar seus sonhos.

Segundo a Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), órgão ligado à Fecomércio do Estado de São Paulo, o mercado de festas familiares movimenta perto de R$ 17 bilhões de reais por ano. No setor, as festas de casamentos e de debutantes ganharam força nos últimos três anos mesmo com a tônica da economia. Esses dados confirmam uma tendência: a diversificação e o oferecimento de serviços mais baratos pode ser uma boa alternativa para superar esse período.

Hélio Alex Gomes Miranda, profissional da Foto Cleber, empresa especializada em eventos familiares, diz que o mercado se adaptou a crise: “as pessoas estão economizando nos pacotes de eventos, o número de casamentos que nós fazemos por ano caiu bastante”, afirma. Hélio alerta, no entanto, que nessa busca de economia os noivos podem sofrer com profissionais pouco éticos: “procurando serviços de foto-filmagem com profissionais aventureiros, que oferecem bons preços, os clientes podem ter péssimas experiências, desde a falta de profissionalismo até a péssima qualidade do serviço final”.

Segundo Fernanda Guerreiro, fotógrafa especialista em fotos de bebês, a formação e o aprimoramento pode ser a alternativa para combater a recessão: “eu não comecei o trabalho com bebês por causa da crise, já tinha esse objetivo há tempos, mas posso afirmar que no setor que eu atuo a crise passa longe, já nos casamentos a concorrência desleal é um problema sério”. Ainda segundo Fernanda, estar atento às mudanças do mercado é primordial para quem quer ter sucesso: “ainda há pessoas que procuram os profissionais pela referência e pela qualidade do trabalho, mesmo em tempos de crise nós não devemos deixar de procurar melhor formação e qualidade nos serviços”.

Junto com a promoção de eventos familiares vem o aluguel de roupas, Carlos Cesar, gerente da Noiva Linda de Ourinhos, diz que a quantidade de noivas que compravam os vestidos caiu sensivelmente e, dentre as que alugam, a preferência é pelos modelos mais baratos: “temos que diversificar os serviços para nos manter no mercado, hoje o aluguel do vestido mais em conta que temos, juntamente com os serviços de cabelo e maquiagem (conhecido popularmente como “dia da noiva”), custa cerca de R$ 800,00 – valor considerado muito baixo para esse mercado”. Carlos completa dizendo que toda a cadeia produtiva teve que se adaptar: “meus fornecedores, minhas modistas, meus cabelereiros e maquiadores… enfim, todos que fazem parte da cadeia de serviços tiveram que se adaptar aos tempos de recessão”. 

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